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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Manuel Bandeira





O teor de alguém só é conhecido observando melhor, através do diálogo, o que se forma de idéias nas palavras proferidas; ou o que se mostra através do texto, aquilo que se deixou materializar da alma em orações e frases, que concatenadas demonstram mais... demonstram a arte impregnada de estilo e suor.

No caso presente, as vigas se formaram aos poucos, criando força interna e enraizando-se ao mundo literário, libertário, talvez um tanto libertino do pensar, delineado pelo escrever, pelo bem escrever.
Bandeira, se para o perdido em estereótipos físicos não encantaria muitas senhoritas, com seu gesticular frasal característico expande-se sem perceber, expande a arte de dentro de si, forjada também supõe-se, de conhecimento melhorado da língua materna, conquistando espaço eterno no laço da literatura brasileira.


O pulmão sofrido. O olhar astuto, o andar sutil, as palmas das mãos unidas, a união de olhares à vida. As palmadas dos dedos nas letras da máquina. O olhar sutil, o pulmão astuto, o entrelaçar de vidas agradecendo a Arte por ter sobrevivido no talento quase imensurável de Manuel Bandeira.

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Hoje: 30 de outubro de 2.008. - Apresentaçao da Palestra: Epígrafe da vida. Por este blogueiro, Eliéser Baco, e sua colega formanda, Jéssica Ferraz.

Explicação da escolha da Epígrafe do Livro "Carnaval", para abertura da Palestra. - declamada por este blogueiro ao som de "Ilha dos Açores", dos lusitanos Madredeus.

Todos os momentos de um dia são importantes. Ao menos para alguns.
No caso dos antigos acontecimentos carnavalescos, o brincar, o sentir o carnaval e a sua dança era o mote principal naqueles dias de festa popular.

Dentre o brincar de pierrô e colombina estava a vila de esperança que se formava dentro de cada um, brincar como criança o carnaval. Sentir e viver quem sabe o primeiro amor no carnaval, sentir e viver quem sabe a primeira dor de amor, a primeira reconciliação do amor.
Para alguns, o viver o carnaval se definia nisso.

A chance de sair das asas de aço dos pais e cair por momentos nos braços do carnaval.
Quem duvida que houveram grandes dias vividos, grandes experiencias pessoais no limite de uma dezena de minutos??

Os detalhes de se dizer aquilo que se pensa pode redefinir o futuro.

Pode redefinir o próximo minuto.

Nestes detalhes estão a grandiosidade da vida, que não necessita de grandes epopéias para se perceber dádiva.

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A grandiosidade de se viver plenamente


Uma vida só é plena de acordo com certos requisitos, digamos, básicos.

Para cada um essa plenitude é vivida de diferentes formas, segundo diferentes visões, e isto se dá pela particularidade de cada vida, de cada respirar, de cada criação, de cada manifestar sobre a vida e suas conjecturas.

Dentro disso nos voltemos para Manuel Bandeira:

Nasce no Recife, 1886. Ocorria o primeiro mapeamento sistemático do Brasil (realizado por Theodoro Sampaio), e nascia também Tarsila do Amaral (Capivari-Sp).

Alguém poderia compreender os dias que foram

forjando nele seus ideais,

metas e instintos pela grandiosidade da vida?


Em 1904 - Manuel Bandeira adoece dos pulmões, abandona os estudos e inicia sua peregrinação para tentar a cura. Este ano é o mesmo da revolta da vacina no Rio de Janeiro, que era chamada então de túmulo de estrangeiros. A vacinação fora comandada pelo médico sanitarista Osvaldo Cruz.

Alguem poderia supor o que poderia se formar de manifestação

do poeta quando adoece? Quando perde um ente querido?

A grandiosidade de se viver uma dor e tirar dela, arte.

domingo, 5 de outubro de 2008

Eliéser Baco

Eliéser Baco
Da mais sensata interpretação que posso citar olhando meu olhar no espelho, enquanto carros passam sem direção e os dias se atrapalham com as noites, as pessoas se diferenciam pelos confusos fins que buscam e a natureza rebate meu caminhar contra o fel da escrita...
o que posso dizer a mim mesmo resume-se ao fato de que vim a São Paulo ver o que a vida me reservara, vi trechos de obras inacabadas no falar de alguns, venci os temores da distância da terra natal permanecendo na essência, um ser, por demais humano.
E deste resumir eu caminho, ora cantarolando ao bravio mar que se consome dentro de mim; ora fechando os olhos ansiando por mais décadas com o seio familiar que me forjou o caráter; ora dobrando os joelhos em atenção aos rictos que só eu entendo; ora apagando a vela meia-noitícia abraçando os sonhos que ainda saciam-me.
Assim, ainda olhando as marcas do tempo na face e as melhorias que preciso realizar no acabamento do meu lar, sorrio, agradecendo, e degustando o vinho da vida.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Meu olhar


Quando as cores se transmudarem em sentimentos e as notas musicais ritmarem meu pulsar pela vida eu saberei que esta vida realmente valeu a pena.

O olhar cansado limpar-se-á nas lágrimas e os joelhos se dobrarão em reverência a dádiva de uma chance.

A primeira meta, amar e ser amado, já caiu por terra; o valor do laço incondicional despediu-se da alma dando lugar a seriedade poética da solidão contempôrânea.

Eliéser Baco
obs: registre sua obra.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Dozeduoito

Uma simples homenagem ao Modernismo brasileiro.

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Dozeduoito

Bulas de comodismo. Esferas sociais. Falta o suor dos teus "ais".
Chega o luar mastigado das notícias.

Alieno um bem menor para viver mais enquanto alienam o bem maior nos novelos fantasiosos; sombra no lago negro da vida.

Joaquim, George, Maneco e córvos na cabeceira. O estudante esquece a palavra seca e responde emocional ao professor. Por ser seco no âmago e rebelde sem Dean.
Vidas amargas sem fim.

Eu, viela na rua maior da existência.
Escasso o sono, descasos despidos quando a cai a máscara. Escassa inocência.

Bulas de comodismo a falar ao telemóvel.
Pouco, nú âmago. Esferas sociais.
Falta o suor dos teus "ais".

Eliéser Baco

domingo, 27 de julho de 2008

Seriado Californication

"Roma está em chamas, disse ele, enquanto servia mais bebida. Mesmo assim, ainda estou aqui, mergulhado no mar de vaginas.
Lá vem, pensou ela, outro discurso auto-indulgente, regado a álcool, sobre como tudo era ótimo no passado, e como todos nós, pobres almas, nascemos tarde demais para ver os Stones em algum lugar ou cheirar cocaína como faziam no Studio 54.
Bem, simplesmente perdemos praticamente tudo que vale a pena na vida.
E a pior parte foi que ela concordou com ele. Cá estamos, pensou ela, à beira do mundo, à beira da civilização ocidental, e todos estamos tão loucos para sentir alguma coisa, qualquer coisa, que continuamos esbarrando um no outro e transando até chegarmos ao final."
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Este texto, retirado por mim do diálgo final do sexto episódio da primeira temporada do Seriado Californication, dá mostras de como é a visão de uma estudante de 16 anos, Mia () sobre o personagem central da trama, Hank Moody (muito bem interpretado por David Duchovny).
O seriado, que causa certa polêmica por lá tem uma ironia fina e um roteiro bem estruturado, algo de diferente e ousado e inteligente, e por isso cause polêmica. Fazer pensar, mesmo que por meio de situações muito reais para os hipócritas que rodeiam o mundo querendo apenas o "ter" (e isso de petróleo a status) é difícil e complexo em um mundo onde jovens escrevem redações cada vez mais distantes do mínimo idealizado.
Sexo, drogas e rock'n roll seria a saída para a desestruturação da sociedade capenga de atitudes reaalmente éticas, que valorizem não o discurso mas o fazer valer sem meras promessas sedutoras?
Acredito que a educação, no aspecto amplo que vai dos pais ao colégio, aliada ao sexo seguro (desprovido inclusive de hipocrisia) e a boas escolhas artísticas independente do gosto seriam o modo mais simples de fazer-se compreender iniciando por compreender a sí próprio no universo do dia-a-dia.
A arte, que junto a fé, segurou o mundo nos pilares da esperança depois de tantas barbáries ocidentais e orientais, traça rumo correto ao deixar o homem na sombra da sociedade que se esfarela e na luz da sinceridade dos artistas sinceros, e de todos que compreendem e valorizam suas obras.
David Duchovny, que também produz o seriado "Californication", acertou na pincelada de mão, com boa arte contemporânea, querendo ou não.

domingo, 22 de junho de 2008

VOCÊ É HOJE TUDO AQUILO QUE NÃO QUIS SER ONTEM

Meus amigos.


Eu sempre deixei claro o intuito de abrir espaço para pessoas bacanas escreverem neste blog.

Este espaço nesta postagem é de Fabiano de Queiroz, meu caríssimo amigo Binho.


O título acima é do texto dele, que será mostrado agora.


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VOCÊ É HOJE TUDO AQUILO QUE NÃO QUIS SER ONTEM


É, companheiro... o tempo passou. Seus vinte anos já se foram... e agora, companheiro? Ainda há luta? Todos os dias, o dia todo, a rotina, a sua vida como papéis numa resma fechada, linhas brancas, tudo igual, sempre igual. Tantos sonhos... agora, tanta realidade.


Os delírios noturnos de outrora se fazem ficção presente em filmes que te levam a vivenciar apenas em tela tudo aquilo que criou mentalmente em tempos idos. Ainda há tempo? Ainda há espaço? Cadê aquele sonhador? Com tantos planos... tantas idéias. Tantas certezas... o lirismo da beleza por vir. O fim da beleza que não veio. O tempo passou... e você, robotizado, realiza sua função de peça da grande engrenagem. Cedo, acorda. Café, carro, trabalho. Almoço. Trabalho (asséptico). Casa, jantar. TV. Dormir.


Tudo igual, como ontem, como amanhã. Apenas vez ou outra, a fuga da rotina, que se transfigura numa rotina à parte. Praia, amigos, parentes, cerveja. Nada novo, tudo igual. As mesmas músicas, a mesma marca, os mesmos papos... as mesmas angústias. O travesseiro que o diga. Nem o sexo é mais o mesmo. Transar como uma obrigação semanal, sem tesão nem paixão. A procriação barata, sem amor.O tempo continua passando. O pique, cada vez menor. O conformismo. Pequenas alegrias cotidianas. A vida real dos comuns. Dos que não sabem ousar, nem saem das sombras. Comodismo, medo, simples falta de vontade de viver. Sobreviver é tudo, nada mais é como antes. Nunca foi... mas havia o sonho.


Havia a poesia das noites céleres, dos contos abstratos de um tempo que não volta mais, porquanto tempo jovem. Nos livros e filmes, a vida como ela é, para alguns, como poderia ser, para outros, como nunca será para você, companheiro... você escolheu um caminho fácil e chato. Simples de coração. Morno. Sem brilho, piso seco. O real suplanta as viagens.


Você é hoje aquele cara simplório eu nunca quis ser. Você se fez o que não queria. De você, nasceu um novo ser... e matou o brilho de um cara cheio de perspectivas, que queria apenas ganhar o mundo. Você ganhou muito mais que o mundo.



Escrito por Fabiano de Queiroz Jucá -

Bibliotecário - Universidade Estadual do Centro-Oeste (Guarapuava - PR)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

The Godfather: Part II

Volto a falar de filmes e deixo meus escritos para trás. Motivo? Não cansar quem lê o blog. Estava percebendo ao conversar com as pessoas,, que apenas 10% comentam no blog, talvez porque parece mais do mesmo ler sobre um cara com uma alma fora do seu tempo.
Então falarei de uma de minhas paixões: Cinema
Essa obra-prima, que já li alguns comentarem em sites ser a pior parte da trilogia, é de uma segurança e de uma coragem pouco vista em sequência na minha opinião... mas vamos aos comentários do Site que tirei as fotos e as informações técnicas.
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A saga da família Corleone continua, contada quando Vito Corleone chega à América e quando ela passa para o comando de Michael Corleone. Com Al Pacino, Robert DeNiro, Robert Duvall, Diane Keaton e Talia Shire. Vencedor de 6 Oscars.
Essas informações técnicas são colocadas mais por quem tiver curiosidade mesmo.
Acho que muitos sabem o principal, direção, isso marca tudo que contorna essa película que é estudada como aula de cinema.
Aqui o ponto chave, a continuação da obra era um ponto de urgência mas também de cautela.
E nisso a escolha do elenco a ser continuado foi fundamental. Assim como na primeira filmagem, Al Pacino e Robert Duvall foram importantíssimos.
Porém para retratar o jovem Vito Corleone, eis que surge um De Niro em uma de suas melhores performances, adequando seu talento a forma como Brando havia apresentado o personagem no primeiro filme.
Os melindres da máfia são esmiuçados pouco a pouco. Essa cena marca um diálogo muito bom, fazendo um paralelo do comportamento dos mafiosos com a honra deles próprios e com a que os romanos tinham em sua época.
Duval aqui rouba a cena, mostrando porque é considerado como um expoente em sua geração.
A deterioração de uma família em torno do poder que corrompe. Aqui uma cena entre os dois irmãos. O perdoado cabisbaixo e o que perdoa sabendo que será um perdão passageiro, em noma da matriarca da família.
A serpente da incerteza pode ser vista nesta cena se perceberem bem.. rs
Al Pacino mostra todo seu carisma e talento na seqüência que o projetou.
O cuidado em transformar o Michael Corleone de militar engajado e contrário a Família em um homem compenetrado e defensor dos interesses de seu pai faz dessa Odisséia um marco no cinema contemporâneo.
Sua luta em fazer com que sua mulher continue do seu lado e sua opção por ser cada vez mais denso em seus negócios fazem da trama uma excelente continuação do primeiro sucesso.

domingo, 11 de maio de 2008

Srta de desejos rústicos



O sorriso refletido na lembrança me remetia sempre para uma brisa constante e calma com lirismo de uma enseada mediterrânea. As intempéries de suor ao solo nu do mundo haviam sido poucas até o momento em que fomos para rotas diferentes em nossas vidas.


No reencontro eu bebia do líquido de aroma amadeirado com tanta inconsistência e com o olhar tão longe que mereceram a atenção dela, que estava de passagem por ali. Era dela que eu lembrava por saber que o afresco na parede do lugar, era um de seus favoritos.

Claro que ela nao acreditou nisso, mas eu compreendi o porque.

Conversamos por 15 (quinze) minutos. Quinze palavras iniciais dela:

"Nossa, tempo não? Teu jeito continua de um cavalheiro astuto! Ainda quer ter uma musa?"

Eu ri. ou sorri?
Enquanto eu ainda me refazia da visão que não pensei que fosse ter tão cedo ela puxava a cadeira e procurava lugar pra colocar sua bolsa com escritos antigos.

Meu olhar segundo ela mudou repentinamente quando avistei suas mãos delicadas e alvas, como a fitar as mãos que já haviam me despido tantas vezes com elegância e ritmo.



Lembrando de algo? perguntou ela então...
Sempre, respondi olhando-a firmemente.
Veio para ficar? emendei cruzando os braços em sinal de defesa momentânea.
Depende. disse-me

Conversamos sobre amenidades. Ela sempre entrecortava alguma frase minha para relembrar algo do passado, que eu nao teria motivos para deixar pra trás, mas também não iria ficar remensurando, reavaliando, revisitando tanto assim. O fazia sempre, mas o mergulho era timido (pela frieza da água do passado!) e rápido (pela vontade de olhar mais a frente?).

"Porque insiste em encarar minhas pernas? ou fita tanto assim o que teima se esconder por debaixo de minhas vestes? Depois de tanto sem nos vermos ou falarmos, e teu olhar só fita meu corpo?"

Eu tive vontade de soltar um palavrão.. ela sussurou isso me puxando pra frente de uma forma instigante. Um repúdio a meu olhar entao?

as pernas mostravam-se minimamente sob a saia de couro, assim como todo o corpo envolvido por tecidos que pareciam ser do oriente.

Escritos antigos na bolsa, tecidos orientais na pele, olhar envolvo a tinta preta.

Este tempo fora, pergunta-me acidamente sobre o passado, envolve-me com tuas mãos a repudiar meu olhar e não sabe se ficará nesta terra, cosmopolita e fria. Ficaste também como a terra que visita, cosmopolita e fria?

"Sim, mas apenas para quem não quero me mostrar definitivamente. Tenho raiva de ti, uma certa raiva que emoldura minhas palavras com ácido que nasce no passado, transita no presente mas pretende algo diferente no futuro, no minuto futuro."

Vou pedir a conta, quero conversar fora daqui.
Como quiser ela disse. retirou a cigarrilha e levantou.. notei as pernas esculpidas, pernas quem sabe com perfume grego...


Quando saí fomos caminhando. Ela odeia minha opção ecológica por metrô mas eu nao quis ir no carro que ela havia alugado. Confio na direção dela ao volante, é chatice pré-casmurra mesmo.


Não sei por onde caminhamos, perdi a noção do tempo, perdi envolto ao perfume e os passos que ela dava; percebia cada palavra contida sendo dita como que escondendo outra por debaixo do som, por debaixo da língua e da saliva.


O assunto viagem e evolução veio a tona como submarino indesejado por ela. Ela queria suar no frio disse, queria tocar o solo estupidamente gelado completou ao me olhar rusticamente.

Rusticamente os desejos foram sendo rajados no vento.

Srta de desejos rústicos.

Em uma rua talvez nobre e distinta,
em uma escadaria de comercial labuta.
Ela apenas sussurrava e respirava.
Eu apenas assenti ao pedido,
em uma pele quente de um perfume balcânico.

Ela de bruços com desejos vulcânicos,
ela ao solo com cálido gemido.
Em um momento quase nao acariciava.
Em ritmo moderno a saliva astuta,
a febre envolvia o olhar de negra tinta.


Alguém poderia ser febril nos instintos!?
O vulto da sombra no coração rubro, trêmulo corpo mudo, a suar!

3:10 to Yuma - Os Indomáveis

Os filmes de "Western" ou Faroeste (far west) sempre estiveram no
imaginário de muitos, representação da dificuldade humana, heroísmo de
poucos, lado selvagem de muitos, capacidade de adaptação de alguns.
É basicamente cinema norte-americano, com uma pincelada italiana em décadas atrás, e pequenos chuviscos em outros países, até porque os cenários caracterizados durantes os tempos remontam a geografia norte-americana e história de colonização e expansão nas terras do primos ricos e desenvolvidos da américa do norte.
Geralmente os roteiros de tais filmes firmam pé em terreno seguro de brigas por terras, lutas por direitos em uma realidade hostil e lógico, destruir um mundo, montanhas e desfiladeiros pelo amor de uma senhorita com olhar meigo e pigmentação de pele à européia.
Lembro-me de quando criança assistir filmes de "western" com meu pai e vivenciando cada tristeza familiar, cada ato de heroísmo em prol do que lutavámos no dia-a-dia em casa, por algo melhor, uma vida melhor, uma transformação do hostil em algo bom, reconfortante.
E é essa visão tênue da relação familiar que foi retratada singularmente em
3:10 to Yuma, ou no Brasil, Os Indomáveis.
A percepção da visao do homem provedor em função de sua família, é colocada no ápice do desconforto nesse roteiro que remonta ao filme "Galante & Sanguinário" de 1957, ambas produções baseadas em estoria de Elmore Leonard, de 1953.
Os filhos de Dan Evans, Mark, o caçula e William Evans, amam seus pais porém William, o mais velho (14 anos), começa a enfrentar verbalmente seu pai quando este nao retalia a queima do celeiro da família; fato este que iniciará a abertura do início da ruptura familiar ou chance de Dan provar a familia que ele pode dar a volta por cima. As dificuldades financeiras, apoiadas ainda no trejeito manco de Dan, serão decisivos nos atos que se seguirão.
Dan Evans, desesperado para livrar o único bem familiar das dívidas em virtude da seca e estiagem local tentará o recurso final: ganhar dinheiro para levar um bandido famoso e temido a uma outra cidade.
Neste cenário foi criado o ambiente propício a uma "odisséia" pessoal de Dan Evans, muito bem caracterizado pelo sempre consisten ator Christian Bale.
A caracterização de personagens fortes e ambíguos é sempre marca em filmes de "Far West", e neste, a escolha de elenco, principalmente os personagens principais, Ben Wade e Dan Evans, foi tão importante como lapidar o roteiro a ficar tenso como ficou.
Homens que nao conseguem de alguma forma serem provedores no sentido material do termo, sempre estarão sujeitos a pressões externas. Essa característica da família rústica que se ajuda em todos os momentos de dificuldade hoje em dia é tão ridículo como aceitar que as mulheres aceitariam isso de forma incondicional.
A condição do "bem de consumo" como relação amorosa ou familiar é algo que beira o constrangedor. Nisto, somente o tempo dirá quem está certo.
No filme, o homem rústico falido que fará qualquer coisa por sua imagem perante os filhos e a esposa está ao pé do abismo do fim. Somente isso, o drama familiar e a relação pai e filho, herói e vilão é tão importante como nos sonhos dos filhos contemporâneos. O filho que vê ou quer ver o pai como seu herói, independente de qualquer outro fator, financeiro ou nao.
Canais Fontes:
Os Indomáveis (Crítica e Sinopese com fotos)
3:10 to Yuma (Site Oficial do Filme): http://www.310toyumathefilm.com/
Western (História)

sábado, 10 de maio de 2008

Londres - William Blake

Olá.
Hoje tive aula de Literatura na Lingua Inglesa Comparada.
Este sapatos sao deste que escreve.
Foi pela pedido pela professora que lêssemos e analisássemos as características principais de um poema de William Blake (1757-1827), que é datado de 1794.
A tarefa foi realizada em dupla.
Fez comigo a formanda Jéssica Ferraz. A srta da foto abaixo
A análise foi feita apenas e tão somente sobre a compreensão textual, sem enfatizar ou termos conhecimento prévio do contexto vivido pelo poeta Blake.
Eis o poema:
Canções da Experiência
LONDRES
Nas ruas por que passo, escrituradas
onde o Tâmisa corre, escriturado,
vou reparando as faces maceradas,
que a aflição e a moléstia têm marcado
Em cada grito de homem ou no grito
do infante que de medo se lamente,
em cada voz ou em cada interdito,
ouço os grilhões forjados pela mente.
Se grita o limpador de chaminés,
se assusta cada Igreja em seus escuros;
quando suspira o Soldado, infeliz,
o sangue tinge do Palácio os muros.
Mas o que à meia-noite escuto mais
é a meretriz lançar praga funesta,
que do recém-nascido estanca os ais
e os funerais do casamento empesta.
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Análise
Primeira Estrofe:
O caos e as sombras parecem imperar. Inicia-se citando talvez uma burocracia codificada, onde um rio, beleza natural, é escriturada por um notário ou registrador da metrópole que está em sangria.
Segunda Estrofe:
A burocracia financeira é mais importante do que a pessoa que vive e sangra?
A criança pequenina se lamenta e o interdito (interditado) lampeja tão alto suas loucuras mentais que ouve-se as correntes da mente sendo arrastadas pelo seu pesar em forma de lamúrio.
Terceira Estrofe:
A cidade gera tantos ecos pelo silêncio escabroso que o trabalhador grita e assusta os escuros da omissa Igreja. Seria a Igreja ainda Luz? Seria a Igreja braço burocrático ou braço da cristandade?
Quarta Estrofe:
O que ouve-se mais são prostitutas, quase que feiticeiras, urrando contra o vento enquanto a criança sua filha possivelmente se cala ao ouvi-la, e o urro do ato de vender o sexo para parlamentares ou pessoas de influência quase que terminar com o resquício mínimo de vínculo que existia destes com seus matrimônios.
Nesta última estrofe a prostituta pode ser comparada também ao Estado, que meretriz insaciável, cobra tributos e taxas mas não devolve isso em algo de necessidade para as pessoas que pagam. Ora, quando alguém paga por sexo, é por uma questão de necessidade imeditada de algo que precisa ser saciado.
Quando a prostituta é o Estado, a meretriz apenas finge que o faz, não executa plenamente o que cobrou para fazer. Está aí a pior meretriz do mundo.
...........
A pergunta final que nos foi feita depois da análise.
Por quê?
Por quê de tudo isso?
A resposta:
A frieza do caos mancha a humanidade porque o caos é gerado pela falta...
pela falta de zelo da burocracia e seus geradores para com aqueles que mantinham a força da burocracia com o pagamento de seus tributos e taxas.
..........
Canais William Blake:
Wikipédia
The William Blake Archive

terça-feira, 6 de maio de 2008

Análise de texto - Uestop!


Boa tarde.

Como formando em letras analiso em várias matérias do curso, textos, de diferentes níveis, literários ou não.

Começarei com esta postagem uma análise de letras de algumas bandas de rock paulistanas.


Tudo que cerca a criação de algo é importante quando se percebe o resultado final, expansivo e melhor, traz algo de bom ao semblante.


Tentarei com humildade analisar letras com intuito único de melhorar a mim mesmo e minha percepção da nossa língua materna e do uso dela feito por músicos e letristas paulistanos. Eu enxergo neles qualidade, e por isso os escolhi, por achar eu no meu mínimo entendimento haver arte ali, arte pura e ainda não lapidada pelo senso comum.


Iniciarei por uma letra que diz muito do sentimento que percorre as veias de muitos seres, principalmente aqueles que têm o coração jovem, seja de que idade for.


Obrigado ao Blins - Vocal da Uestop - pela oportunidade


Como estudante peço a compreensão de todos para possíveis erros.

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Qual é a maneira certa de viver?

Pra que esperar senão vai adiantar,
Não sei porque você não vê
Tanta coisa pra pensar
E eu lí o seu retrato
Que me disse tantas coisas
Um tanto quanto abstrato

E eu tentei reparar
Na sua pele aquela cor
E no cheiro tão covarde
Que me envolvia sem pudor

Eu só quero entender
Eu só quero entender...
Qual é a maneira certa de viver?

Pra que esperar senão vai adiantar,
Não sei porque você não vê

Qual é a maneira certa de viver?
Qual é a maneira certa de viver?
Qual é a maneira certa de viver?
Qual é?
Qual é a maneira certa de viver?

Pra que esperar senão vai adiantar,
Não sei porque você não vê
Não sei porque não
Não sei, não sei não.
.................

O texto inicia-se por uma pergunta, assim como o título. A hesitação que se refere o início dá mostras do tormento que passa o personagem principal.

A explicação da idéia formuladanno início do texto começa com uso de palavras com letras “t”,

“c” e “p”, o que remete ao ritmo pausado, como se o personagem estivesse passo a passo refletindo. Repete-se o uso desse ritmo em “retrato”, e no segmento “tanto quanto abstrato”.
Os versos livres, característica fundamental em textos de nossa época mostra-se importante na redoma expansiva que caracteriza letras de músicas como essa, o teor quase juvenil do frescor da dúvida mostra-se nos detalhes, como veremos a seguir.

Assim como na apresentação dúvida feita em versos de quatro sílabas, a mesma formação de versos mostra-se na estrofe seguinte.
“E eu tentei reparar...”

Notem que uma vez mais o ritmo é cadenciado por palavras em que “t”, “r” e “p” são presentes. O cheiro da pele é comparado a covardia de se envolver alguém dessa forma, por algo tão primitivo e puro como envolver alguém pelo perfume de sua pele. A dúvida se mostra novamente, antecendo o refrão marcante com repetição de frases e a questão fomentada no título: “Qual é a maneira certa de viver?”

O uso de verbos “entender e “viver” causa uma ligação forte de dúvida latente que pulsa a cada frase. O refrão é usado para reforçar a idéia de repúdio a hesitação e o sim ao descontrole emotivo momentâneo para que se possa viver algo de romance enfim.

A dúvida entre aceitar a hesitação da musa e não compreender a maneira mais adequada de esperar o porvir coloca o personagem principal na angústia, evidenciada pelas frases derradeiras:
“Não sei porque não
não sei, não sei não!”

A linguagem coloquial aproxima os jovens e nos textos e em suas dúvidas isso mostra-se marcante com verbos que cadenciam o dinamismo do pensar e do refletir.

Há rimas externas, cruzadas e consoantes em:
Retrato / Abstrato e Cor / Pudor

Os substantivos abstratros levam a generalização do sentimentos vividos por todos nós, o que faz do texto algo de fácil percepção, de fácil aconchego, de simples porém marcante recordação.
Canais Uestop!:

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Bairro da Liberdade - Matéria e Comentário



História do Bairro da Liberdade - RUA CONDE DE SARZEDAS


Em 1912 os imigrantes japoneses passaram a residir na rua Conde de Sarzedas, ladeira íngreme, onde na parte baixa havia um riacho e uma área de mangue.
Um dos motivos de procurarem essa rua é que quase todas tinha porões, e os aluguéis dos quartos no subsolo eram incrivelmente baratos. Nesses quartos moravam apenas grupos de pessoas. Para aqueles imigrantes, aquele cantinho da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores. Por ser um bairro central, de lá poderiam se locomover facilmente para os locais de trabalho.
Já nessa época começaram a surgir as atividades comerciais: uma hospedaria, um empório, uma casa que fabricava tofu (queijo de soja), outra que fabricava manju (doce japonês) e também firmas agenciadoras de empregos, formando assim a “rua dos japoneses”.


Comentário: É importante pra mim compreender melhor a história da cidade de São Paulo, eu que sou curitibano radicado na capital desde 2002 fui bem acolhido e amo esta cidade, por todas as diferenças que uniram todos os povos que aqui tentam dignificar suas vidas. Quem quiser saber da mais é só consultar o link da fonte que muito mais lá. Espero que o mito de que os orientais nao se misturam ou que nao gostam de se misturar com os ocidentais mais do que já fizeram morando no mesmo país seja irradicado com atitudes de ambos os lados.

James Dean - Matéria e comentário

James Byron Dean (Marion, Indiana, 8 de Fevereiro de 1931 - Salinas, Califórnia, 30 de Setembro de 1955) foi um ator, fotógrafo e piloto de corridas estado-unidense. É considerado por muitos como um ícone cultural, como a melhor personificação da rebeldia e angústias próprias da juventude da década de 1950.
No dia em que morreu, James Dean ainda esgotava ingressos com o seu primeiro filme. A consagração final chegou poucos dias após a sua morte, quando Juventude transviada chegou aos cinemas. Recebeu duas indicações ao Oscar, postumamente. Em 1956, por Vidas amargas (a primeira indicação póstuma na história da premiação), e em 1957, por Assim caminha a humanidade, ambas por melhor actor. Ganhou dois prêmios do Globo de Ouro, em 1956 como melhor actor e, no ano seguinte, num prêmio especial que o consagrou como ator favorito do público.
Comentário: Os 3 filmes de Dean são representação do seu poder de criação em cima de personagens fortes, e principalmente em Vidas Amargas e Rebelde sem Causa os diretores souberam trabalhar o sofrimento de sua criação para compor ótimos personagens, que Dean soube moldar.
Ao lado de Marlon Brando, De Niro e Al Pacino considero-os como os melhores que vi na telinha ou telona.

sábado, 19 de abril de 2008

Primeiramente

Olá. Um bom dia. Bons pensamentos, palavras e atitudes.
A relevância de estar criando este, é tentar materializar em palavras o que mais me motiva hoje: o bom uso da palavra. Aos poucos irei colocar pensamentos, textos, crônicas, lembretes, meus gostos de fôro mais íntimo para quem quiser ler, comentar, opinar.
A vida é um pergaminho de saudades!
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional