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domingo, 11 de maio de 2008

Srta de desejos rústicos



O sorriso refletido na lembrança me remetia sempre para uma brisa constante e calma com lirismo de uma enseada mediterrânea. As intempéries de suor ao solo nu do mundo haviam sido poucas até o momento em que fomos para rotas diferentes em nossas vidas.


No reencontro eu bebia do líquido de aroma amadeirado com tanta inconsistência e com o olhar tão longe que mereceram a atenção dela, que estava de passagem por ali. Era dela que eu lembrava por saber que o afresco na parede do lugar, era um de seus favoritos.

Claro que ela nao acreditou nisso, mas eu compreendi o porque.

Conversamos por 15 (quinze) minutos. Quinze palavras iniciais dela:

"Nossa, tempo não? Teu jeito continua de um cavalheiro astuto! Ainda quer ter uma musa?"

Eu ri. ou sorri?
Enquanto eu ainda me refazia da visão que não pensei que fosse ter tão cedo ela puxava a cadeira e procurava lugar pra colocar sua bolsa com escritos antigos.

Meu olhar segundo ela mudou repentinamente quando avistei suas mãos delicadas e alvas, como a fitar as mãos que já haviam me despido tantas vezes com elegância e ritmo.



Lembrando de algo? perguntou ela então...
Sempre, respondi olhando-a firmemente.
Veio para ficar? emendei cruzando os braços em sinal de defesa momentânea.
Depende. disse-me

Conversamos sobre amenidades. Ela sempre entrecortava alguma frase minha para relembrar algo do passado, que eu nao teria motivos para deixar pra trás, mas também não iria ficar remensurando, reavaliando, revisitando tanto assim. O fazia sempre, mas o mergulho era timido (pela frieza da água do passado!) e rápido (pela vontade de olhar mais a frente?).

"Porque insiste em encarar minhas pernas? ou fita tanto assim o que teima se esconder por debaixo de minhas vestes? Depois de tanto sem nos vermos ou falarmos, e teu olhar só fita meu corpo?"

Eu tive vontade de soltar um palavrão.. ela sussurou isso me puxando pra frente de uma forma instigante. Um repúdio a meu olhar entao?

as pernas mostravam-se minimamente sob a saia de couro, assim como todo o corpo envolvido por tecidos que pareciam ser do oriente.

Escritos antigos na bolsa, tecidos orientais na pele, olhar envolvo a tinta preta.

Este tempo fora, pergunta-me acidamente sobre o passado, envolve-me com tuas mãos a repudiar meu olhar e não sabe se ficará nesta terra, cosmopolita e fria. Ficaste também como a terra que visita, cosmopolita e fria?

"Sim, mas apenas para quem não quero me mostrar definitivamente. Tenho raiva de ti, uma certa raiva que emoldura minhas palavras com ácido que nasce no passado, transita no presente mas pretende algo diferente no futuro, no minuto futuro."

Vou pedir a conta, quero conversar fora daqui.
Como quiser ela disse. retirou a cigarrilha e levantou.. notei as pernas esculpidas, pernas quem sabe com perfume grego...


Quando saí fomos caminhando. Ela odeia minha opção ecológica por metrô mas eu nao quis ir no carro que ela havia alugado. Confio na direção dela ao volante, é chatice pré-casmurra mesmo.


Não sei por onde caminhamos, perdi a noção do tempo, perdi envolto ao perfume e os passos que ela dava; percebia cada palavra contida sendo dita como que escondendo outra por debaixo do som, por debaixo da língua e da saliva.


O assunto viagem e evolução veio a tona como submarino indesejado por ela. Ela queria suar no frio disse, queria tocar o solo estupidamente gelado completou ao me olhar rusticamente.

Rusticamente os desejos foram sendo rajados no vento.

Srta de desejos rústicos.

Em uma rua talvez nobre e distinta,
em uma escadaria de comercial labuta.
Ela apenas sussurrava e respirava.
Eu apenas assenti ao pedido,
em uma pele quente de um perfume balcânico.

Ela de bruços com desejos vulcânicos,
ela ao solo com cálido gemido.
Em um momento quase nao acariciava.
Em ritmo moderno a saliva astuta,
a febre envolvia o olhar de negra tinta.


Alguém poderia ser febril nos instintos!?
O vulto da sombra no coração rubro, trêmulo corpo mudo, a suar!
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional