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domingo, 22 de junho de 2008

VOCÊ É HOJE TUDO AQUILO QUE NÃO QUIS SER ONTEM

Meus amigos.


Eu sempre deixei claro o intuito de abrir espaço para pessoas bacanas escreverem neste blog.

Este espaço nesta postagem é de Fabiano de Queiroz, meu caríssimo amigo Binho.


O título acima é do texto dele, que será mostrado agora.


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VOCÊ É HOJE TUDO AQUILO QUE NÃO QUIS SER ONTEM


É, companheiro... o tempo passou. Seus vinte anos já se foram... e agora, companheiro? Ainda há luta? Todos os dias, o dia todo, a rotina, a sua vida como papéis numa resma fechada, linhas brancas, tudo igual, sempre igual. Tantos sonhos... agora, tanta realidade.


Os delírios noturnos de outrora se fazem ficção presente em filmes que te levam a vivenciar apenas em tela tudo aquilo que criou mentalmente em tempos idos. Ainda há tempo? Ainda há espaço? Cadê aquele sonhador? Com tantos planos... tantas idéias. Tantas certezas... o lirismo da beleza por vir. O fim da beleza que não veio. O tempo passou... e você, robotizado, realiza sua função de peça da grande engrenagem. Cedo, acorda. Café, carro, trabalho. Almoço. Trabalho (asséptico). Casa, jantar. TV. Dormir.


Tudo igual, como ontem, como amanhã. Apenas vez ou outra, a fuga da rotina, que se transfigura numa rotina à parte. Praia, amigos, parentes, cerveja. Nada novo, tudo igual. As mesmas músicas, a mesma marca, os mesmos papos... as mesmas angústias. O travesseiro que o diga. Nem o sexo é mais o mesmo. Transar como uma obrigação semanal, sem tesão nem paixão. A procriação barata, sem amor.O tempo continua passando. O pique, cada vez menor. O conformismo. Pequenas alegrias cotidianas. A vida real dos comuns. Dos que não sabem ousar, nem saem das sombras. Comodismo, medo, simples falta de vontade de viver. Sobreviver é tudo, nada mais é como antes. Nunca foi... mas havia o sonho.


Havia a poesia das noites céleres, dos contos abstratos de um tempo que não volta mais, porquanto tempo jovem. Nos livros e filmes, a vida como ela é, para alguns, como poderia ser, para outros, como nunca será para você, companheiro... você escolheu um caminho fácil e chato. Simples de coração. Morno. Sem brilho, piso seco. O real suplanta as viagens.


Você é hoje aquele cara simplório eu nunca quis ser. Você se fez o que não queria. De você, nasceu um novo ser... e matou o brilho de um cara cheio de perspectivas, que queria apenas ganhar o mundo. Você ganhou muito mais que o mundo.



Escrito por Fabiano de Queiroz Jucá -

Bibliotecário - Universidade Estadual do Centro-Oeste (Guarapuava - PR)

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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional