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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desventura



Ele diz: _Que se fez do feixe de luz ao canto de tua boca, donde foi o clarear das vozes do teu sono? Que rara estrela ouviu preces tamanhas a deixar o calor aquém do teu abraço, que soturna ilusão te emudeceu tristonha a percepção dos próprios passos? 

Não haveria de responder tal questão. Apenas olhá-lo com intenções. Tentar dissuadir a aspereza poética. Dissuadir com tapas mais sofisticados? Não. Calma, ainda que a pena que escreve isto queira algo assim alcançar, calma. No delicado andar teu, ele se comove aos poucos. 

Quando teus olhos miram de forma a acalentar cada ruído que se faz fora da cama, que faz fora pra rua. Não interfira no dizer magoado dele. Faça-o mordiscar teus pés enquanto a água flamejada de pétalas te aquece. Teorias literárias, de boa alcova. Ainda que doa aquelas posições traumáticas. É neste ponto que interferirá.

 Ele diz: _Era leve o chumbo o agir dos levianos e tranqüila a fome dos irritados detratores; era passagem larga o planejar dos impostores e ainda nada a maré de dor e breu; que se fez da fresta que envolvia tais sabores de viver o tudo que me prometeu?

Quase desesperado não? Um homem com vinho recém deslizado na goela é assim mesmo. Tem pretensões diferentes das do cotidiano. Segure-o para não rolar prédio abaixo, ajoelhe-se, brinde-o com língua de bom fervilhar. 

Salário da paz a amostra do som que ardia. 

Marcas nos pulsos dele sumirão a contento. Fragmento de um bom poema suspenso no olhar e ouvia, dele o corpo usado em alento. Irônica, unhas a roçar nos pelos dos mamilos, disse: _A todos aqueles que já dançaram na rua sem saber que caminho seguir e tendo uma pessoa a olhar firmemente o seu fitar esperando uma definição de direção, o meu boa noite.

 Ele amarrado, ela se veste, ele amuado, ela reflete, ele calado, amordaçado, ela se ri, luar cafajeste; velas, mordaças, uns tapas oeste, um beijo ao ar e é só... noite  número sete.

E na próxima discussão falará sem misturar poemas com vinho, emotiva e barata loção pós-barba. Que noite a desventura de um anjo e uma ninfa, origem do caos do tédio,  comedido sonho celeste.

  

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Californication - 2ª temporada - Episódio In Utero

Um dos motivos por eu gostar tanto da série Californication: um homem de meia idade (e já estou caminhando pra lá rs), inteligente, que adora escrever e adora as mulheres, embora apenas uma  de cada vez possa permear seus pensamentos mais sentimentais. Deste episódio,  In Utero, retiro a parte final, uma carta que o personagem Hank envia para seu caso, Karen, no dia em que eles descobrem que ela está grávida. Este momento do episódio é um flashback, visto que a filha de Hank e Karen , Becca, tem de 13 para 14 anos no momento atual que se passa a série. Eis a carta:

       " Querida Karen, se estiver lendo isto, significa que eu tive a coragem de enviá-la. Bom para mim, Hank.
Você não me conhece bem, mas, se quer saber, não consigo parar de falar sobre como escrever é difícil para mim. Mas isto, isto é a coisa mais difícil que já tive que escrever. Não é muito fácil. Então, vou simplesmente falar. 

         Conheci alguém. Foi por acaso. Foi uma tempestade perfeita. Ela disse uma coisa, eu disse outra. De repente, soube que queria passar o resto da vida naquela conversa. Agora, tenho essa sensação na barriga: pode ser ela. Ela é completamente louca, de um modo que me faz sorrir. Altamente neurótica. Muito exigente. Ela é você, Karen. Essa é a boa notícia. A má é que não sei como ficar com você agora. E isso me deixa apavorado. 
           Porque se eu não ficar com você agora, sinto que vamos nos perder por aí. É um mundo grande, malvado, cheio de reviravoltas, e as pessoas piscam e deixam o momento passar, o momento que poderia ter mudado tudo. Não sei o que há entre nós. E não sei por que você deveria se arriscar por mim. Mas você cheira bem, cheiro de lar. E faz um café excelente. Isso já é alguma coisa, certo? 

Ligue pra mim.

Infielmente seu,
Hank Moody."

.........
Normalmente, eu escreveria algo mais sobre o que para mim representa algo assim, e o que em minha vida atual isso reverbera dentro do meu olhar mais acastanhado e singelo; porém, deixo-me apenas com as velas e o candelabro, acesa a estrada que vislumbro minha vida, enquanto concluo alguns pensamentos interessantes sobre meu excelente fim de semana passado. Que possam existir mais séries interessantes como esta, que possam existir mais excelentes finais de semana, para todos, inclusive os escritores que adormecem ou navegam em prantos, dentro de nós.  

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Epígrafe - Livro Carnaval - Manuel Bandeira

Epígrafe

      Ela entrou com embaraço, tentou sorrir, e perguntou tristemente  - se eu a reconhecia. 

      O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia, do que de seu ar, de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo, e os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja... Então, para cortar o soluço que adivinhei subindo de sua garganta, puxei-a para ao pé de mim e, com doçura:

    _ Tu és minha esperança de felicidade, e a cada dia que passa eu te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e angústia...
 - Manuel Bandeira.-
.........

No instante em que foquei meus olhos neste texto a primeira vez, precisei olhar levemente aos lados. Reli, tornava olhar a volta  dos passos dos outros imaginando o quanto de riqueza quem passava por mim perdia, por não degustar tal preciosidade. Apenas uma epígrafe, e ali estava, radiante.
Revirei lembranças de épocas onde passos de uma festa poderiam ser o ponto necessário de se retirar a máscara social da timidez e tentar com um único ato e brado, alcançar o sorriso de alguém que há tanto nos interessava. Lembro que levantei e segui no corredor central da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, lugar onde muitas vezes deixava de pesquisar sobre livros  de microeconomia para adentrar aos meandros dos poemas e da boa prosa.  Quando entreguei o livro à balconista desejando emprestá-lo junto de outros dois tive a certeza que, através dos olhos de Manuel Bandeira poderia então aprender mais sobre os disfarces, não da colombina, mas do verdadeiro sentir que se esconde em um quase dizer, um quase manifestar, que se prende ao interlocutor por algum motivo qualquer e ali fica, sem chance de ir além de um quase devaneio, empoçado ao olhar mais longo daquele instante. Obrigado Bandeira, por deixar pérolas como esta Epígrafe nos caminhos e corredores que já passei.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ouro raro. ou, Aquela Criatura.

           A janela estava aberta e as manchas na parede formavam interessante desenho quando abriu os olhos, naquela manhã. Escondera a cabeça quando notou os primeiros raios solares, horas antes. O cansaço era notado pelo vento que distraía-se em seus móveis e livros espalhados por cada cômodo. Um filme do grande Robert De Niro estava na tela quando o monitor televisivo ligou no horário programado. Dias sozinho. Dias sem notícia alguma daqueles que ele consagrara como família escolhida. Dias sozinho a perambular pelas ruas semi-mortas. Importante se torna quando demonstra ter aptidão para se valer da soma de mais que muitos pences. 
           Se a vida é xadrez, um carteado bem jogado de pôquer, o que seria ele senão uma máscara que adentra os caminhos sem fazer diferença? Indifere respirar mais compassadamente ou não nos entreveiros das noites e dos pesadelos diários do mundo que precisa capitalizar e não poupar nada nem tão somente o próprio mundo. Respira funda após a frase longa. Tentar "ser" o torna diferente, insignificante, doudo, póstumo ainda que pensar e refletir possa e o faça. Não estamos no tempo do soma do caro Huxley. Estamos na significante e indiferente época do celebrar. Celebrar conquistas seja a que nível for e a que preço vier. Celebrar impérios recentes e conquistas comerciais vindouras. Celebrar pessoas sem motivador agir que estão nas capas das revistas. 


            Portanto, o que há de errado se ele esquecer tal vigoroso mundo e adentrar ao seu próprio eu mais e mais? Se não costumam compreender suas atitudes, qual razão teria de hesitar a permanecer sem dar notícias, visto que não as querem? Navegar é preciso rumo a evolução íntima já que as outras evoluções importam muito mais para a maioria que não sabe o que fazer com suas montanhas de conquistas, suas fartas revistas sobre como celebrar a vida inconsistente nesse novo cosmo contemporâneo, fomentador da vida do presente reluzente como ouro raro.  

           Pois sim, subiu escadas, rangeu correntes, apertou parafusos. Pendeu o corpo diante do pára-raio quando a tempestade veio. Estava pronto a deixar de ser fragmentado, como sua espécie prefere. E da solidão significante olhou os mares que pôde. Respeitou ainda mais os mares que pôde observar. Subiu escadas, rangeu correntes, apertou parafusos, abriu um vinho; quando estava na altitude vultuosa de seu próprio olhar a dialogar com a importância de sua essência de vida... olhou seu próprio mundo, sorriu, desejou uma única companheira e escreveu, em folhas amareladas pelo cansaço,  o que mais a frente iria querer se orgulhar: suas obras e sua vida.

           Solitário então aquele que "é", aquele que respira e sorri sozinho no esperar do amanhã, mesmo que tenha que se orgulhar afastado dos demais, da consistência que se torna no findar dos dias. E seu nome era Creatura.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"Cidadão"

(Brasileira esperando o bolsa família, deputada, senadora ou trabalhadora de Amsterdã?)
Fragmento perigoso tal idéia, rejuvenesce a gente a revolta. Como tridente que resvala esquecido das dores desta vida penosa.
    Nenhum sabre ou duelo ou martelo e foice e cadafalso e clamores de existir acalenta um presságio do que virá ao iludido povo. E, queima a verdade.
    A verdade é única no semblante de cada um, e indigna mediante um discurso polido e astuto;
    e, portanto, não há mais dúvidas quanto as chances estreitadas que estancam um ferimento hoje, para no dia seguinte reabrir, em chamas.
Não balança por dentro a dor, nem um pouco o que flamajante cai dos olhos como fragmento do que se supõe de conhecimento de tão odioso acidente, aqui nascer.
    Pátria meretriz.
    A pestanejar ao sol deste mísero continente, covarde, a deixar a lua aproximar-se perigosa, resvalante nas nuvens em hipocrisia desenhante.
    Infante lua dos ciclos das noites por querer deixar as vestes negras pela paz do suplício edificante. País corrupto e pacífico, iguala-se a desmandos e ciclos
    de desvarios populacionais. Tão fadigante ou mais que suar de sol a sol é receber esmolas enunciados como salário. Mas se vem de nove dedos ou menos, melhor. 
    Aproveita povo alienado, podes comprar a ilusão parcelada no boleto, presente dessa barba pinguça.

(Congressista brasileira, em Brasília.)
Aproveita a ajuda financeira e perde a noite afim de bisbilhotar a vida alheia pela telinha mágica,
    enquanto os outros se compadecem de ti, a trabalhar e estudar, para te bancar nos impostos, mais e mais. País meretriz, e o povo está feliz.
    Não crie passeata não, vá descansar na rede da vitória. Pague por fora o que precisar e alise a barba do pinguço, o falo dele. Quando o líquido saltar na vossa cara,
    quente e espesso, terá cheiro de Suíça, aspecto de França, coloração da bandeira que cobriu o ânus da tua mãe, aquela Pátria que dança bem e chute forte, mas, não
    sabe pensar por si mesmo ou calcular, tampouco escrever parca frase estúpida de revolta. Lambe tudo que sair do corpo da barba pinguça, e engula tudo, é o que merece,
    filho desta meretriz chamada Brasil. 
............
by Eliéser Baco 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Lord Byron - O efeito de uma leitura

Meu gosto por leituras iniciou cedo, aos cinco anos, com o livro infantil Dia e noite, da autora Mary França e do ilustrador Eliardo França. Impressionado com os desenhos e palavras realçando o que via, não parei mais de ler, a tentar conhecer mais e mais do mundo dos desenhos e letras. Anos mais tarde, o livro que me cativou definitivamente no início da adolescência foi Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo; quando soube que ele tinha como ídolo, Lord Byron, procurei alguns poemas, com pouco sucesso.

Terminei de ler esses dias o fantástico livro "Don Juan, ou, a fascinante vida de Lord Byron", de André Maurois. Consegui uma edição antiga encontrada em um sebo "on line". Uma vez mais agradeço a oportunidade ler algo que pôde me proporcionar o tradicional efeito que somente quem aprecia leituras consegue perceber. A primeira pergunta que me fiz já no mar da leitura: poderia uma vida ter muito mais força que a própria obra de um poeta/escritor (poetisa/escritora)? Byron foi criado na Escócia, e só depois de herdar o título de Lord pôde ter uma vida sem tantas mazelas financeiras. Dizia-se que o sangue gerado da união da família Gordon com a família Byron daria ao mundo criaturas amaldiçoadas, muito disso pelo fato de antepassados terem sido um misto de insanidade e luxúria descabida. Algum sofrimento teria os esculpido assim? 
Sim!, temos duas perguntas feitas neste início de texto, cabe ao menos encaminhar um esboço de resposta. Para mim, a vida de Byron é tão grandiosa quanto as melhores obras criadas pelo Homem em todos os tempos. Um homem belo, coxo, de criação tempestuosa pela mãe aflita que abandonada pelo marido e em ruína financeira não soube dar o alento ao coração do pequeno George Gordon Byron. E disto ele necessitava. Tímido, tentado a gostar de gurias que logo partiriam seu coração, cresceu talvez não somente manco do andar, mas do devido sentir também. Não sendo amado e perseguido por alguns em razão de sua deficiência física, isolava-se. Um trecho do livro, com Byron já Lord, após ir para um renomado colégio londrino.  Tinha então 13 anos.
" Seus primeiros tempos na escola não foram felizes. Entre 350 alunos seria surpreendente que não houvesse alguns para perseguir um doente, orgulhoso e tímido por natureza. Suas pernas não tinham melhorado;..."

"Porque a sua deficiência inspirava-lhe o mêdo de ser desprezado, era orgulhoso, combativo, desconfiado. Um pouco gordo, mas de belos traços, os olhos e as sombrancelhas admiráveis, os cabelos de um louro acobreado, cacheados..."

"...Depois do mestre, os colegas, lentamente, foram vencidos pelo encanto de Byron. Encanto muito complexo, feito principalmente de uma coragem sem limites, nas palavras e nas ações..."

Ao perceber um outro menino sendo perseguido, não hesitou.

"... A séria solenidade do pequeno Peel era um tentação para os pirracentos. Ele era sempre maltratado. Um dos tiranos deu-lhe uma paulada; os golpes sucediam e Peel torcia-se de dor. Byron aproximou-se. Não era bastante forte para bater num "grande". Mas, com lágrimas nos olhos, a voz trêmula de terror e indignação, perguntou: "Quantos sôcos pretende lhe dar?" - "Por que, idiota?" perguntou o outro, "que tem você com isto?" - Porque, se não faz diferença, eu gostaria de receber a metade. Os alunos bons juízes do caráter, depois de um ano viram que aquêle colega era feito de um metal puro."

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O que foi forjado ali no menino tímido e de vibrações ora tempestivas, ora de uma coragem que mostrava todo seu melhor caráter, escondia ainda tudo que viria a praguejar e satirizar daquela sociedade, que para ele, fedia. Braçadas na direção de sua formação no colégio, braçadas também na formação do animal ferido, que muito pouco tempo depois em sua vida iria machucar amigos e mulheres que verdadeiramente queriam seu bem. Ainda assim tais trechos dignificam e tendem a responder as duas questões incitadas por mim: a) poderia uma vida ter muito mais força que a própria obra de um poeta/escritor (poetisa/escritora)? b) algum sofrimento teria os esculpido assim?


Tais respostas, gostaria de tê-las. Seria interessante receber dos que aqui visitam vez por outra. O que fica, posso dizer, depois da leitura sobre a vida de Lord Byron, é que tudo abordado ali fez centelha em recordações, em todas as direções, e muito mais ainda há de florescer desse fogo mágico advindo da literatura e das vidas dos poetas e poetisas que aprecio, que apreciamos todos. Que tenhamos muito mais nos cálices dos dias. Que a arte resplandeça numerosa diante do que existe. Que Lord Byron seja melhor memorado do que é hoje, aqui e em sua terra. 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Crise / Fazendo? / Entre trovoadas e monstros - Parte 2 de 2


Vale-me vida. A irmã e o pai por lá. Ele no seu quarto. Jaqueta de couro rasgada por canivete de uma bela clubber. Livros pendurados onde deveria haver roupas. Costas tatuadas onde deveria haver arranhões da professora de filosofia. Escolhas tardias na fragmentada vida. O esperma já repercute no estômago da vizinha quando ele deixa a garrafa de vinho derramar nas pernas dela. Anfetaminas e álcool pobre guri não estão mais a combinar, diria a rapariga da outra rua. Olhos nos olhos, não quero ver o que você faz. Eles só estão a se entreolhar abismados com tais efeitos. Efeitos de vida, e fichas de crise, senhas de anonimato, cartões de paz, sítios eretos, carência lambuzada de cimento, humanidade e vinho caríssimo leitor, ondeante leitora. Entrem por aqui trovoadas, murmurem por aqui monstros:

Entre trovoadas e monstros

Monstros, torturadores, dilaceradores de almas. Preciso da urgência definitiva da insanidade que nos faz destruidores, incapazes do menor sinal de arrependimento ou empatia. O fim, o objetivo mais torpe. Sinfonia da demência. Sons saem das caixas como farpas entrando debaixo das unhas. O heavy metal elevado à milésima potência, os bumbos agonizando, o baixo tonitruante, a guitarra distorcendo os tímpanos, vocalista histérico, teclados demoníacos envoltos em névoas que encobrem castelos medievais. Demência, destruição… sem mais.

Papis no chuveiro bate uma pensando na vizinha, que sai do quarto do filho trôpega. O namorado da filha esquece a cueca debaixo do travesseiro dela; antes da madrugada mãe irá cheirá-la quase a cair de felicidade. Crise do que fazer nas trovoadas do cotidiano. Monstros segregados dos nossos pântanos em sonhos, atrás da vida, em você.  

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Crise / Fazendo? / Entre trovoadas e monstros - Parte 1 de 2

Lendo o blog de meu grande amigo Fabiano Queiroz, surgiu a idéia de escrever com ele uma pequena estória onde eu alinhavaria três textos dele que não tinham relação direta uns com os outros. Dividirei o resultado disso em duas partes. Meus textos em azul, textos de Fabiano em preto.

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Crise
Sexta-feira. Março, dia 19. 19 horas e 48 minutos. Onde o cansaço dá torpor, o ensurdecido coração dá arritmia. No poço igualitário dos padrões sociais, esquecidos somos. Números, grandiosos números. Fichas, cartões, senhas, divisas, arroba e hífen. Sol enraizado de inferno vivo, filas, assinaturas, sítios de informação, nomenclaturas. O passaporte do poder é a eleição no circo ensandecido e sulamericano. O cadeado abre fácil, portão range, chaveiro de metal corroído. Corroído o falar já se engana. Correntes contas de saldo no sangue negativado de doença. Passos no corredor de casa quando vê seu reflexo que inflama. Apenas se vê, dita a sentença:   

Crise significa oportunidade? Até onde?
A mente escura, o peito que dói, nada muda, tudo volta. E volta com força, sufocando e engolfando emoções e sentimentos primários. Essa vida não nos dá sequer um segundo de paz e tranquilidade. Talvez seja assim para todos, mas definitivamente,  não sei como aguento em pé.
O que será que fazemos aqui? Tudo isso é assim mesmo, essa nóia, essa coisa pernóstica,  sem nexo? A carência total e irrestrita, sentimento de competição que corrói?
Somos todos iguais? No emaranhado de emoções humanas, há espaço para positividade, ou é sempre essa guerra, essa corda-bamba, destroçando o pouco que resta das já tão diluídas relações humanas? Cadê a humanidade? Cadê a paz?

O pai disse ao reflexo que arcou as sobrancelhas. Entra e esquece, diz o reflexo. Ligue o rádio alto e coloque os fones; aliás, coloque os fones e ligue o rádio alto. Na rádio de rock está a tocar seu  nu-primal-rock preferido. Concorda com o reflexo e entra.

Eis que a princesinha do pai e seu namorado no quarto estão a ouvir o punk-final-dileóide-rock tão alto que não notam a chegada do papis. Papis deu xau ao reflexo e entrou. Poltrona cheirando a cerveja que ele nem cheirou. Pegação da princesa e o  namo:

 
Fazendo?

Fazendo o que?
Fazendo como?
Como funciona?
Funciona?
Gosta?
Goza?
Lubrifica?
Ereto
Lambuzada
Quero tudo
Tudo

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Elvis Aaron Presley

O guri da foto morreu aos 42 (quarenta e dois) anos após jogar tênis e misturar remédios com whisky. Morreu em um mês de agosto, dia 16 (dezesseis) do ano de 1977 (mil novecentos e setenta e sete). Conhecido como "... the pelvis" ou "Rei do Rock" revolveu a poeira quase comum que estava pelos cantos da música e a transformou em escultura de argila. Deu forma e expressão ao que amava fazer: cantar.

Aprendi a gostar ouvindo-o na infância, e quando meu pai viajava a serviço a ficar fora por 3 (três) meses ou mais, ouvi-lo cantar era ouvir a saudade, em língua estrangeira.

Hoje, comparando-o a trajetória de um ícone exemplar no talento como o tal guri da foto e olhando notícias culturais, percebo o vale sombrio que muitos se encontram. Não é mais o talento medida insuperável na distinção entre os que devem estar no panteão olímpico chamado "meio artístico". É certo que nem mesmo o tal Elvis Aaron  conseguiu sempre ser um primor na escolha profissional, mas, ainda assim tinha talento no que pretendia fazer, e melhor, importava-se com o nível de qualidade de sua carreira. Comprovado fica nos anos antes do  serviço militar no exército. Nos anos subsequentes ao seu retorno quando de leve declínio, e principalmente, na coragem da retomada nos passos de 1967 (mil novecentos e sessenta e sete) em diante.   

O que destinado então ao consumo era, portanto, antes de mais nada crivado na rocha mais firme que poderiam alguns subir: talento.

Hoje, o caminho é outro. A sociedade do espetáculo precisa vender utensílios "culturais" a massa. O intuito não é preencher a vida com algo que destine-se a diversão e que ao mesmo tempo leve ou possa levar uma mensagem importante, ainda que nas entrelinhas; fomenta-se o consumo, a alienação através do consumo.

Notem que nao mensuro a conduta pessoal ou profissional do garoto Elvis Aaron, mensuro a força de seu talento.

Hoje a força do talento, se formos considerar o talento a força do ser, é singularmente enterrado. O terreno que resta, a força alienante e impetuosa do consumir por consumir, nos dá mostra do que querem impor, não do talento percebido justamente no meio social. Quantos de nós já nos deparamos com anônimos de talento nas noites cosmopolitas? Ainda que recheados de força talentosa, até que consigam promover consumo da massa, serão deixados a mercê da sorte, que bebe nos tempos o mel ora da ignorância, ora do reconhecimento.

E, portanto, o que podemos escolher no panteão moderno dos ícones inventados pela indústria cultural que
precisa vender?

sábado, 28 de agosto de 2010

O Grupo Baader-Meinhof

Dirigidos por Uli Edel, os atores Martina Gedeck, Johanna Wokalek, Moritz Bleibtreu e Nadja Uhl, protagonizam o bom filme sobre uma tentativa de revolução social contra o imperialismo norteamericano em meados da década de 70. Vejamos a sinopse, retirada da programação do Telecine Cult: "Baseado em fatos verídicos, o filme fala do grupo político radical considerado terrorista na Alemanha dos anos 70. Liderados por jovens criados pós nazismo, eles eram contra a guerra do Vietnã e levavam seus protestos ao extremo. Indicado ao Oscar e Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro."

Gostei muito do filme. É um tema controverso e interessante. Muitas vezes ficamos presos ao nosso cotidiano e não olhamos nem ao menos para o vizinho do lado, que dirá um perído histórico da realidade de jovens que ousaram pensar politicamente e agir ferozmente. Erros e acertos de todas as partes. A sociedade recomposta na alemanha ocidental pós segunda guerra mundial era, como se sabe, forjada na base capitalista. A rebeldia política de alguns levou-os primeiramente a atentados contra o "sistema" políticosocial; depois a crimes e uma organização que tentou em vão, mudar o rumo da História. 


Boa direção, boas atuações e questões a se pensar.
Nossa masturbação mental, filosófica ou não, faz diferença para o nosso próprio futuro? O agir egoísta e materialista é a saída para o cumprimento de diversas metas sociais? A rebeldia violenta e de riscos pode nos ensinar algo sobre o comportamento "humano"? Respostas em cada viver, quem sabe então bem próximo de algum manifestar.     
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional