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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Elvis Aaron Presley

O guri da foto morreu aos 42 (quarenta e dois) anos após jogar tênis e misturar remédios com whisky. Morreu em um mês de agosto, dia 16 (dezesseis) do ano de 1977 (mil novecentos e setenta e sete). Conhecido como "... the pelvis" ou "Rei do Rock" revolveu a poeira quase comum que estava pelos cantos da música e a transformou em escultura de argila. Deu forma e expressão ao que amava fazer: cantar.

Aprendi a gostar ouvindo-o na infância, e quando meu pai viajava a serviço a ficar fora por 3 (três) meses ou mais, ouvi-lo cantar era ouvir a saudade, em língua estrangeira.

Hoje, comparando-o a trajetória de um ícone exemplar no talento como o tal guri da foto e olhando notícias culturais, percebo o vale sombrio que muitos se encontram. Não é mais o talento medida insuperável na distinção entre os que devem estar no panteão olímpico chamado "meio artístico". É certo que nem mesmo o tal Elvis Aaron  conseguiu sempre ser um primor na escolha profissional, mas, ainda assim tinha talento no que pretendia fazer, e melhor, importava-se com o nível de qualidade de sua carreira. Comprovado fica nos anos antes do  serviço militar no exército. Nos anos subsequentes ao seu retorno quando de leve declínio, e principalmente, na coragem da retomada nos passos de 1967 (mil novecentos e sessenta e sete) em diante.   

O que destinado então ao consumo era, portanto, antes de mais nada crivado na rocha mais firme que poderiam alguns subir: talento.

Hoje, o caminho é outro. A sociedade do espetáculo precisa vender utensílios "culturais" a massa. O intuito não é preencher a vida com algo que destine-se a diversão e que ao mesmo tempo leve ou possa levar uma mensagem importante, ainda que nas entrelinhas; fomenta-se o consumo, a alienação através do consumo.

Notem que nao mensuro a conduta pessoal ou profissional do garoto Elvis Aaron, mensuro a força de seu talento.

Hoje a força do talento, se formos considerar o talento a força do ser, é singularmente enterrado. O terreno que resta, a força alienante e impetuosa do consumir por consumir, nos dá mostra do que querem impor, não do talento percebido justamente no meio social. Quantos de nós já nos deparamos com anônimos de talento nas noites cosmopolitas? Ainda que recheados de força talentosa, até que consigam promover consumo da massa, serão deixados a mercê da sorte, que bebe nos tempos o mel ora da ignorância, ora do reconhecimento.

E, portanto, o que podemos escolher no panteão moderno dos ícones inventados pela indústria cultural que
precisa vender?

sábado, 28 de agosto de 2010

O Grupo Baader-Meinhof

Dirigidos por Uli Edel, os atores Martina Gedeck, Johanna Wokalek, Moritz Bleibtreu e Nadja Uhl, protagonizam o bom filme sobre uma tentativa de revolução social contra o imperialismo norteamericano em meados da década de 70. Vejamos a sinopse, retirada da programação do Telecine Cult: "Baseado em fatos verídicos, o filme fala do grupo político radical considerado terrorista na Alemanha dos anos 70. Liderados por jovens criados pós nazismo, eles eram contra a guerra do Vietnã e levavam seus protestos ao extremo. Indicado ao Oscar e Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro."

Gostei muito do filme. É um tema controverso e interessante. Muitas vezes ficamos presos ao nosso cotidiano e não olhamos nem ao menos para o vizinho do lado, que dirá um perído histórico da realidade de jovens que ousaram pensar politicamente e agir ferozmente. Erros e acertos de todas as partes. A sociedade recomposta na alemanha ocidental pós segunda guerra mundial era, como se sabe, forjada na base capitalista. A rebeldia política de alguns levou-os primeiramente a atentados contra o "sistema" políticosocial; depois a crimes e uma organização que tentou em vão, mudar o rumo da História. 


Boa direção, boas atuações e questões a se pensar.
Nossa masturbação mental, filosófica ou não, faz diferença para o nosso próprio futuro? O agir egoísta e materialista é a saída para o cumprimento de diversas metas sociais? A rebeldia violenta e de riscos pode nos ensinar algo sobre o comportamento "humano"? Respostas em cada viver, quem sabe então bem próximo de algum manifestar.     

sábado, 7 de agosto de 2010

Vôo clandestino

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_Sempre que te vejo, é como se o melhor do que já conheci nessa cidade estivesse diante de mim. Depois que ouvi essa frase decidi parar e acompanhar os envolvidos no diálogo. Livraria. Pessoas conversam. Solitários passam. Solitárias observam pessoas acompanhadas. Cheiros, discursos, risos. Ninguém ouviu a frase bela senão eu. Não perguntem o que estava eu a fazer quando os notei. De vestido preto e olhar firme a procurá-lo a meiga senhorita dirigia-se aos corredores de romances em língua estrangeira momentos antes. Os lábios talvez trêmulos dela. Olhar gentil de ambos. Nervosismo dele. Por estarem expostos ao julgar alheio, pensei. Flertes dos outros enquanto para eles estarem assim presumindo o perfume que banha a pele um do outro é nuance esperada há dias. Quem sabe? Semanas?
Cabelos envoltos em tinta mais clara do que o natural presente da vida ela olha-o firme, anotando na página da memória traços, modos e arqueios da sobrancelha e da boca. E nesta selva tão bruta e caótica as pernas dela a mostrar que há muito mais do que correria e buscas nos degraus da cosmopolita cidade paulistana.

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Sentados com livros nas mãos para disfarçar atendentes despreparados. Frases curtas de saudade quando as mãos se buscam. Enquanto o nome do hotel e o quarto são ditos entre risos, discursos e meiguices de estranhos. Segui-os. Ela sai enquanto ele paga o livro e o vinil do erudito músico russo. Ela lê algo na calçada que cruza a avenida enquanto ele caminha sereno, sapato preto republicano e blazer de tweed do reino inglês, pele pigmentada de atitude e vinho mitológico no expirar dos passos excitados.
Não perguntem o que estava eu a fazer quando antes. Tudo perdera sentido e razão. Até o clima era nada diante de tal figura de mulher. Poderia imaginar o que ocorrera depois e parar quando ela entrasse no mesmo prédio que ele entrou. Poderia voltar-me a minha função e voar para o alto de alguma construção entre cortados de nuvens cinzas carregadas de ilusão. Preferi continuar seguindo-a, a minha maneira. 

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Quando houve o reencontro dos meus olhos e os dois ele já a beijava docemente enquanto segurava-a com firmeza. Línguas contorcem tanto em momentos assim. As pernas dela contornaram a cintura quando ele pendeu o corpo. Pés delicados na bruta pele do homem. Algemas gélidas a triscar a intrigante mulher. O amante ouviu o telefone tocar e mais se despiu enquanto ela ouvia o marido atenta. Fechou o telefone rápido e acariciou as virilhas dele, ajoelhada. Que gosto teria a boca deles pensei, enquanto minhas asas ardiam no vento. Olhei ao chão do alto e percebi o clamar sincero de uma existência angustiada. Teria então na mordida do melhor momento o arranhado? Antes dos navios alheios não chegarem a costa alguma eu já seguia encantamentos de mulher. Antes de a primavera ser apenas rascunho no farol do limbo e antes dos cantos das ninfas ecoarem nas ilhas sagradas já manifestava meu vulnerável modo de proteger; meus sensuais anseios de anjo lascivo, deleitoso e híbrido.
 
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional