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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Crise / Fazendo? / Entre trovoadas e monstros - Parte 1 de 2

Lendo o blog de meu grande amigo Fabiano Queiroz, surgiu a idéia de escrever com ele uma pequena estória onde eu alinhavaria três textos dele que não tinham relação direta uns com os outros. Dividirei o resultado disso em duas partes. Meus textos em azul, textos de Fabiano em preto.

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Crise
Sexta-feira. Março, dia 19. 19 horas e 48 minutos. Onde o cansaço dá torpor, o ensurdecido coração dá arritmia. No poço igualitário dos padrões sociais, esquecidos somos. Números, grandiosos números. Fichas, cartões, senhas, divisas, arroba e hífen. Sol enraizado de inferno vivo, filas, assinaturas, sítios de informação, nomenclaturas. O passaporte do poder é a eleição no circo ensandecido e sulamericano. O cadeado abre fácil, portão range, chaveiro de metal corroído. Corroído o falar já se engana. Correntes contas de saldo no sangue negativado de doença. Passos no corredor de casa quando vê seu reflexo que inflama. Apenas se vê, dita a sentença:   

Crise significa oportunidade? Até onde?
A mente escura, o peito que dói, nada muda, tudo volta. E volta com força, sufocando e engolfando emoções e sentimentos primários. Essa vida não nos dá sequer um segundo de paz e tranquilidade. Talvez seja assim para todos, mas definitivamente,  não sei como aguento em pé.
O que será que fazemos aqui? Tudo isso é assim mesmo, essa nóia, essa coisa pernóstica,  sem nexo? A carência total e irrestrita, sentimento de competição que corrói?
Somos todos iguais? No emaranhado de emoções humanas, há espaço para positividade, ou é sempre essa guerra, essa corda-bamba, destroçando o pouco que resta das já tão diluídas relações humanas? Cadê a humanidade? Cadê a paz?

O pai disse ao reflexo que arcou as sobrancelhas. Entra e esquece, diz o reflexo. Ligue o rádio alto e coloque os fones; aliás, coloque os fones e ligue o rádio alto. Na rádio de rock está a tocar seu  nu-primal-rock preferido. Concorda com o reflexo e entra.

Eis que a princesinha do pai e seu namorado no quarto estão a ouvir o punk-final-dileóide-rock tão alto que não notam a chegada do papis. Papis deu xau ao reflexo e entrou. Poltrona cheirando a cerveja que ele nem cheirou. Pegação da princesa e o  namo:

 
Fazendo?

Fazendo o que?
Fazendo como?
Como funciona?
Funciona?
Gosta?
Goza?
Lubrifica?
Ereto
Lambuzada
Quero tudo
Tudo
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional