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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Crise / Fazendo? / Entre trovoadas e monstros - Parte 2 de 2


Vale-me vida. A irmã e o pai por lá. Ele no seu quarto. Jaqueta de couro rasgada por canivete de uma bela clubber. Livros pendurados onde deveria haver roupas. Costas tatuadas onde deveria haver arranhões da professora de filosofia. Escolhas tardias na fragmentada vida. O esperma já repercute no estômago da vizinha quando ele deixa a garrafa de vinho derramar nas pernas dela. Anfetaminas e álcool pobre guri não estão mais a combinar, diria a rapariga da outra rua. Olhos nos olhos, não quero ver o que você faz. Eles só estão a se entreolhar abismados com tais efeitos. Efeitos de vida, e fichas de crise, senhas de anonimato, cartões de paz, sítios eretos, carência lambuzada de cimento, humanidade e vinho caríssimo leitor, ondeante leitora. Entrem por aqui trovoadas, murmurem por aqui monstros:

Entre trovoadas e monstros

Monstros, torturadores, dilaceradores de almas. Preciso da urgência definitiva da insanidade que nos faz destruidores, incapazes do menor sinal de arrependimento ou empatia. O fim, o objetivo mais torpe. Sinfonia da demência. Sons saem das caixas como farpas entrando debaixo das unhas. O heavy metal elevado à milésima potência, os bumbos agonizando, o baixo tonitruante, a guitarra distorcendo os tímpanos, vocalista histérico, teclados demoníacos envoltos em névoas que encobrem castelos medievais. Demência, destruição… sem mais.

Papis no chuveiro bate uma pensando na vizinha, que sai do quarto do filho trôpega. O namorado da filha esquece a cueca debaixo do travesseiro dela; antes da madrugada mãe irá cheirá-la quase a cair de felicidade. Crise do que fazer nas trovoadas do cotidiano. Monstros segregados dos nossos pântanos em sonhos, atrás da vida, em você.  

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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional