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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ouro raro. ou, Aquela Criatura.

           A janela estava aberta e as manchas na parede formavam interessante desenho quando abriu os olhos, naquela manhã. Escondera a cabeça quando notou os primeiros raios solares, horas antes. O cansaço era notado pelo vento que distraía-se em seus móveis e livros espalhados por cada cômodo. Um filme do grande Robert De Niro estava na tela quando o monitor televisivo ligou no horário programado. Dias sozinho. Dias sem notícia alguma daqueles que ele consagrara como família escolhida. Dias sozinho a perambular pelas ruas semi-mortas. Importante se torna quando demonstra ter aptidão para se valer da soma de mais que muitos pences. 
           Se a vida é xadrez, um carteado bem jogado de pôquer, o que seria ele senão uma máscara que adentra os caminhos sem fazer diferença? Indifere respirar mais compassadamente ou não nos entreveiros das noites e dos pesadelos diários do mundo que precisa capitalizar e não poupar nada nem tão somente o próprio mundo. Respira funda após a frase longa. Tentar "ser" o torna diferente, insignificante, doudo, póstumo ainda que pensar e refletir possa e o faça. Não estamos no tempo do soma do caro Huxley. Estamos na significante e indiferente época do celebrar. Celebrar conquistas seja a que nível for e a que preço vier. Celebrar impérios recentes e conquistas comerciais vindouras. Celebrar pessoas sem motivador agir que estão nas capas das revistas. 


            Portanto, o que há de errado se ele esquecer tal vigoroso mundo e adentrar ao seu próprio eu mais e mais? Se não costumam compreender suas atitudes, qual razão teria de hesitar a permanecer sem dar notícias, visto que não as querem? Navegar é preciso rumo a evolução íntima já que as outras evoluções importam muito mais para a maioria que não sabe o que fazer com suas montanhas de conquistas, suas fartas revistas sobre como celebrar a vida inconsistente nesse novo cosmo contemporâneo, fomentador da vida do presente reluzente como ouro raro.  

           Pois sim, subiu escadas, rangeu correntes, apertou parafusos. Pendeu o corpo diante do pára-raio quando a tempestade veio. Estava pronto a deixar de ser fragmentado, como sua espécie prefere. E da solidão significante olhou os mares que pôde. Respeitou ainda mais os mares que pôde observar. Subiu escadas, rangeu correntes, apertou parafusos, abriu um vinho; quando estava na altitude vultuosa de seu próprio olhar a dialogar com a importância de sua essência de vida... olhou seu próprio mundo, sorriu, desejou uma única companheira e escreveu, em folhas amareladas pelo cansaço,  o que mais a frente iria querer se orgulhar: suas obras e sua vida.

           Solitário então aquele que "é", aquele que respira e sorri sozinho no esperar do amanhã, mesmo que tenha que se orgulhar afastado dos demais, da consistência que se torna no findar dos dias. E seu nome era Creatura.

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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional