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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desventura



Ele diz: _Que se fez do feixe de luz ao canto de tua boca, donde foi o clarear das vozes do teu sono? Que rara estrela ouviu preces tamanhas a deixar o calor aquém do teu abraço, que soturna ilusão te emudeceu tristonha a percepção dos próprios passos? 

Não haveria de responder tal questão. Apenas olhá-lo com intenções. Tentar dissuadir a aspereza poética. Dissuadir com tapas mais sofisticados? Não. Calma, ainda que a pena que escreve isto queira algo assim alcançar, calma. No delicado andar teu, ele se comove aos poucos. 

Quando teus olhos miram de forma a acalentar cada ruído que se faz fora da cama, que faz fora pra rua. Não interfira no dizer magoado dele. Faça-o mordiscar teus pés enquanto a água flamejada de pétalas te aquece. Teorias literárias, de boa alcova. Ainda que doa aquelas posições traumáticas. É neste ponto que interferirá.

 Ele diz: _Era leve o chumbo o agir dos levianos e tranqüila a fome dos irritados detratores; era passagem larga o planejar dos impostores e ainda nada a maré de dor e breu; que se fez da fresta que envolvia tais sabores de viver o tudo que me prometeu?

Quase desesperado não? Um homem com vinho recém deslizado na goela é assim mesmo. Tem pretensões diferentes das do cotidiano. Segure-o para não rolar prédio abaixo, ajoelhe-se, brinde-o com língua de bom fervilhar. 

Salário da paz a amostra do som que ardia. 

Marcas nos pulsos dele sumirão a contento. Fragmento de um bom poema suspenso no olhar e ouvia, dele o corpo usado em alento. Irônica, unhas a roçar nos pelos dos mamilos, disse: _A todos aqueles que já dançaram na rua sem saber que caminho seguir e tendo uma pessoa a olhar firmemente o seu fitar esperando uma definição de direção, o meu boa noite.

 Ele amarrado, ela se veste, ele amuado, ela reflete, ele calado, amordaçado, ela se ri, luar cafajeste; velas, mordaças, uns tapas oeste, um beijo ao ar e é só... noite  número sete.

E na próxima discussão falará sem misturar poemas com vinho, emotiva e barata loção pós-barba. Que noite a desventura de um anjo e uma ninfa, origem do caos do tédio,  comedido sonho celeste.

  
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional