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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Epígrafe - Livro Carnaval - Manuel Bandeira

Epígrafe

      Ela entrou com embaraço, tentou sorrir, e perguntou tristemente  - se eu a reconhecia. 

      O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia, do que de seu ar, de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo, e os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja... Então, para cortar o soluço que adivinhei subindo de sua garganta, puxei-a para ao pé de mim e, com doçura:

    _ Tu és minha esperança de felicidade, e a cada dia que passa eu te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e angústia...
 - Manuel Bandeira.-
.........

No instante em que foquei meus olhos neste texto a primeira vez, precisei olhar levemente aos lados. Reli, tornava olhar a volta  dos passos dos outros imaginando o quanto de riqueza quem passava por mim perdia, por não degustar tal preciosidade. Apenas uma epígrafe, e ali estava, radiante.
Revirei lembranças de épocas onde passos de uma festa poderiam ser o ponto necessário de se retirar a máscara social da timidez e tentar com um único ato e brado, alcançar o sorriso de alguém que há tanto nos interessava. Lembro que levantei e segui no corredor central da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, lugar onde muitas vezes deixava de pesquisar sobre livros  de microeconomia para adentrar aos meandros dos poemas e da boa prosa.  Quando entreguei o livro à balconista desejando emprestá-lo junto de outros dois tive a certeza que, através dos olhos de Manuel Bandeira poderia então aprender mais sobre os disfarces, não da colombina, mas do verdadeiro sentir que se esconde em um quase dizer, um quase manifestar, que se prende ao interlocutor por algum motivo qualquer e ali fica, sem chance de ir além de um quase devaneio, empoçado ao olhar mais longo daquele instante. Obrigado Bandeira, por deixar pérolas como esta Epígrafe nos caminhos e corredores que já passei.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional