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quinta-feira, 31 de março de 2011

Poema de Sete Faces

POEMA DE SETE FACES - Carlos Drummond de Andrade.-

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.


O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Gauche

             Não teremos uma trilogia de textos sobre caçadas e rumos  tempestivos. Não teremos um arcar das costas de alguem que pulará muros alheios. Domar seja lá o que for por qualquer coisa que valha a empreitada. Lançemos navio n'água, todos a carga da consumação da noite nas ondas mais devastadoras. 

Os olhos estão empoçados d'agua, leitor.

Nada de fios poéticos iluminando o quarto em penumbra. Ou riscos na parede a serem escritos nomes em estilo antigo. Pés gelados, pouca ventilação, mofo, coisa caindo sem pestanejar. Risos inexistentes sendo ouvidos na janela.
Os olhos miram o nada, nada envolta, leitora.

Não teremos os amigos se confraternizando na entrada daquela praça tão bem visitada no outono do passado. O vinho da vida seca a cada remada contra essa maré contemporânea. Eu remei tanto e tanto que me faz lembrar das canções das tavernas de Constantinopla. Dos versos do Carlos, aquele gauche magnífico com as palavras. 

Os olhos secaram empoçados do nada. Envolta estão...

Eu guardo um mar tão incontrolável no peito, que me vou, ainda que precise assinar essa carta tão trôpega,  tão desdenhada do melhor que eu poderia viver. O navio não atracará nesse pulo no abismo que se abre o oceano.

        
         Não me empurre leitor, não caçoe leitora, os olhos irão empoçados de vontades, irei sempre à esquerda, canhoto que sou, empunhar a pena, na solidão de nada entristecida, gesticular idéias no papel, me vou, cair no abismo tentador... a remar contra o senso contemporâneo, gárgula que outrora petrificado, vivo, desenvolto de cimento e pó, a soltar os poemas todos e derramar o cálice, vida adentro.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional