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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Inesperado






E ele então disse: 
"temos tudo para sermos algo avassalador um na vida do outro";
e ouviu dela: 
"essa possibilidade me atrai deveras..."

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Horla - de Guy de Maupassant

             O escritor e poeta francês, Henry René Albert Guy de Maupassant, escreveu em torno de 300 contos em seus 43 anos de vida. Nascido em agosto de 1850 no norte da França, teve em seu conto, O Horla, uma de suas obras primas.

O Horla inicia como muitos outros deste período a tratar de assuntos fantásticos, é um relato, é algo que tende a parecer verdade por trazer das sombras do texto, personagem que pretende elucidar e contar algo de muito vulto que teria vivido.

O conto inicia a tratar do doutor Morrande, ilustre diretor de casa de saúde, que cuidava de loucos. Manda então chamar "três dos seus colegas e a quatro sábios, que se ocupavam das ciências naturais", para conhecer um de seus internos. Relata aos mesmos que não falará do doente pois o mesmo o fará para todos; pede então para um funcionário o trazer.


                                   É definitivamente um excelente conto, sob qualquer tema em qualquer categoria de estilo que se possa ler ou analisar. Não sou um especialista em contos fantásticos, e como leitor assíduo tento mostrar aqui objetos de arte de pessoas que admiro, e este conto no meu entender, se enquadra nisso.


No fim, a sensaçao de que a teoria do tal louco é uma possibilidade verdadeira, visto que ele descreve algo invisível que está a observar as pessoas, torna tudo mais interessante e prático. Relato envolvente de um louco escritor que teria realmente vivido aquilo? Insensatez lúdica de maestria textual? Cada um que ler ou que tiver lido, por favor, elucide-me.

O conto foi feito em uma primeira versão, de 26 de outubro de 1886 e uma segunda, de 1887.
O trecho a seguir é da primeira.
..................-


         Emagrecia de forma inquietante, contínua; e percebi, subitamente, que o meu cocheiro, que era muito gordo, começava a emagrecer como eu.

Por fim, perguntei-lhe:
"O que é que você tem, Jean? Está doente?"
Ele respondeu;
"Acho que peguei a mesma doença que o senhor. São as minhas noites que arruínam meus dias".

Pensei então que havia na casa uma epidemia de febre, devido à proximidade do rio, e estava a ponto de me afastar por dois ou três meses, embora estivéssemos em plenta temporada de caça, quando um pequeno fato muito estranho, observado por acaso, conduziu-me a uma tal cadeia de descobertas inverossímeis, fantásticas e apavorantes, que decidi ficar.

                    Uma noite, tendo sede, bebi meio copo d'água e notei que jarra, colocada sobre a cômoda em frente da cama, estava cheia até a tampa de cristal. Durante a noite, tive um desses sonos terríveis de que acabo de lhes falar. Acendi uma vela, cheio de angústia, e, quando quis beber de novo, percebi estupefato que a garrafa estava vazia. Não podia acreditar nos meus olhos. Ou tinham entrando no meu quarto, ou eu era sonâmbulo.

(Coleção L&PM Pocket, 2006.)
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Para saberem mais dele: Uol Educação

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Céu

A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.

Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quanto o tem na mão.

Manuel Bandeira - do livro Belo Belo (poesias reunidas. 1980, 8ªedição)


domingo, 21 de agosto de 2011

You're so Right

              Acho que a música algumas vezes representa alguns de nós. Incredulidade, paixão rasteira ou exacerbada, temor, sentimento de culpa, solidão ou desejo freado por algo ou alguém. Por isso fico atento às variadas manifestações que ouço do jazz a Mpb, do rock ao erudito. Depois de ouvir uma música chamada "Games" (álbum Angles), da banda de Nova York "The Strokes" e ter uma interpretação própria da fase convergente da música deles, essa outra música -  que dá título ao post -  também me fez repensar as letras e caminhos da atualidade.

           Em "Games", se inicia assim: "Com todo o barulho por cima, ele tentou chamar seu nome, o julgamento iria continuar, o dia está apenas começando! Vivendo em um mundo vazio, vivendo em um mundo vazio!"

O início com sua sonoridade levando a introspecção a mensagem da voz é única: um leve caos. E termina dessa forma: "Eu estou ok, estou estou bem. Eu estava fora tarde noite passada, mundo vazio, mundo vazio, eu vou esperar mais uma noite."

A redenção esperada dá lugar a mais campos e vales de fragmentação atual, a voz termina em tom alto e a beira do espelhamento com sua própria sombra, segundo minha interpretação, course.




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             Em "You're so right", (álbum Angles), o instrumental já inicia o caos que parece desembocar do rio tímido de "Games" fortemente no mar da letra: "Diga-me o que aconteceu, se você gosta, saia no mesmo chão, toda noite. Quais as razões para cair, quero dizer a você.... nada. Menina, eu estou on, qualquer momento menina, eu quero em qualquer cidade. Estou cansado do escritório. Ola floresta, eu ainda quero lhe perguntar, algo mais."

Uma espécie de mensagem conturbada se faz no torto caminho da voz a tentar dizer algo entrecortado de  angústia. Se podemos dizer algo objetivamente o que nos faz mascarar a dor que precisamos expor a outro?

A letra continua...: "Não quero lutar, não quero isso baby, você e eu; eu não quero discutir, se você quiser.. Eu não iria machucá-la, bem, talvez eu te machucasse, se eu pudesse."

O histórico dos tais roqueiros é de segurança social (não vieram do submundo) e uma visão ampla daquilo que fazem na música, nisso, parece que há um nítido interesse de levantar algo do lago que eles escolhem retirar essas duas letras, que parece, poderiam seguir um caminho uno se fossem partes de um conto ou poema.

Um caos diário, uma luta diária, um caminhar sob as águas da conturbação se fosse personagem de algo, na realidade cada vez mais nebulosa do que cerca o futuro como um todo. Sim, se é verdade, você está tão certa.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Chuva Peregrina - Novo Endereço

Olá amigos. 

               O "Sêmen" (mini-saga), projeto textual que hoje conta com três autores (Fabiano Queiroz, Keila Costa e minha pessoa), está se mudando. O nome do blog, continua o mesmo, Chuva Peregrina, molhando no Blogger agora também. 

 As duas primeiras partes, "Origens" e "Solidão" continuarão permanentemente no sítio de informação antigo, mas daqui pra frente, os próximo arcos estarão neste endereço (só clicar)

Confesso que gosto muito do visual do wordpress, mas achamos que era hora da peregrinação seguir rumo. 

           O próximo arco, "Poder", já teve o primeiro capítulo publicado, vamos escrever sobre o que nos move, nos incomoda, nos tira do sério ou do ar!?

A publicação continua do mesmo jeito, uma por semana, e depois do sétimo capítulo, um novo arco, com novo tema.

            Acompanhe-nos, se exponha, cada tema, cada autor, destila, dialoga com outro, reverbera o comentário, engrandece o movimento dessa alegoria tão promissora, essa Chuva Peregrina.


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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional