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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Horla - de Guy de Maupassant

             O escritor e poeta francês, Henry René Albert Guy de Maupassant, escreveu em torno de 300 contos em seus 43 anos de vida. Nascido em agosto de 1850 no norte da França, teve em seu conto, O Horla, uma de suas obras primas.

O Horla inicia como muitos outros deste período a tratar de assuntos fantásticos, é um relato, é algo que tende a parecer verdade por trazer das sombras do texto, personagem que pretende elucidar e contar algo de muito vulto que teria vivido.

O conto inicia a tratar do doutor Morrande, ilustre diretor de casa de saúde, que cuidava de loucos. Manda então chamar "três dos seus colegas e a quatro sábios, que se ocupavam das ciências naturais", para conhecer um de seus internos. Relata aos mesmos que não falará do doente pois o mesmo o fará para todos; pede então para um funcionário o trazer.


                                   É definitivamente um excelente conto, sob qualquer tema em qualquer categoria de estilo que se possa ler ou analisar. Não sou um especialista em contos fantásticos, e como leitor assíduo tento mostrar aqui objetos de arte de pessoas que admiro, e este conto no meu entender, se enquadra nisso.


No fim, a sensaçao de que a teoria do tal louco é uma possibilidade verdadeira, visto que ele descreve algo invisível que está a observar as pessoas, torna tudo mais interessante e prático. Relato envolvente de um louco escritor que teria realmente vivido aquilo? Insensatez lúdica de maestria textual? Cada um que ler ou que tiver lido, por favor, elucide-me.

O conto foi feito em uma primeira versão, de 26 de outubro de 1886 e uma segunda, de 1887.
O trecho a seguir é da primeira.
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         Emagrecia de forma inquietante, contínua; e percebi, subitamente, que o meu cocheiro, que era muito gordo, começava a emagrecer como eu.

Por fim, perguntei-lhe:
"O que é que você tem, Jean? Está doente?"
Ele respondeu;
"Acho que peguei a mesma doença que o senhor. São as minhas noites que arruínam meus dias".

Pensei então que havia na casa uma epidemia de febre, devido à proximidade do rio, e estava a ponto de me afastar por dois ou três meses, embora estivéssemos em plenta temporada de caça, quando um pequeno fato muito estranho, observado por acaso, conduziu-me a uma tal cadeia de descobertas inverossímeis, fantásticas e apavorantes, que decidi ficar.

                    Uma noite, tendo sede, bebi meio copo d'água e notei que jarra, colocada sobre a cômoda em frente da cama, estava cheia até a tampa de cristal. Durante a noite, tive um desses sonos terríveis de que acabo de lhes falar. Acendi uma vela, cheio de angústia, e, quando quis beber de novo, percebi estupefato que a garrafa estava vazia. Não podia acreditar nos meus olhos. Ou tinham entrando no meu quarto, ou eu era sonâmbulo.

(Coleção L&PM Pocket, 2006.)
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Para saberem mais dele: Uol Educação
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional