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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Percy Shelley (1792 - 1822)

Shelley, marido de Mary Shelley (autora de Frankstein), grande amigo de Byron. Poetas de uma mesma época e diferentes vertentes. Ao lado de Keats, considerados os três maiores poetas românticos ingleses.

É difícil achar obras desses caras em publicação brasileira. Adquiri uma edição de Lisboa, curta, suscinta, porém, dá margem para saber da importância deles. Editora Relógio D'Água.

Na edição, de 1992, logo de início descrevem: "Percy Shelley deixou uma poesia "marcada de uma envolvente sensualidade intelectualizada" (Fernando Guimarães).  Shelley foi cremado na praia de Viarregio onde o seu cadáver dera à costa após naufrágio, numa cerimónia presidida pelo seu amigo Byron.


Então fica um trecho de poema de Shelley:

ADONAIS
Elegia à morte de Keats

1

É por Adonais que choro - ele está morto!
Chorai por Adonais, ainda que as lágrimas
não libertem do gelo essa cabeça amada!
E tu, Hora tão triste, a única escolhida
para nela chorarmos, desperta as tuas obscuras irmãs,
ensina-lhes essa dor e diz: << Comigo
morreu Adonais, e até o Futuro
esquecer o passado, o seu destino e glória
serão um eco e uma luz para sempre.>>

2

Ó poderosa Mãe, aonde tu estavas
quando caiu teu filho, com as setas
vindas da noite? Aonde ficaste, Urânia, abandonada
quando Adonais morreu? De olhos velados,
entre os Ecos despertos, ela permanecia
no seu Paraíso. Alguém, com amoroso alento,
despertava as melodias adormecidas,
com as quais - flores caídas num sepulcro - veste e oculta a ameaça próxima da Morte.

......
Poesia Romântica Inglesa
Tradutor: Fernando Guimarães
Ed. Relógio D'Água, 1992.

domingo, 4 de setembro de 2011

Incógnita



Uma hora e 23 minutos. Nossa conversa durou isso.
Como fiquei chateado quando saiu pela porta da sala às nove horas e 7 minutos do último dia daquele mês.

Nem um até breve. Uma noite sem igual, cada qual sente como.. não sei mais.
Eu parecia o que? Poeta? Um dominador sexual em causa própria?
Fiquei a pensar sobre o que transmiti e o que sou perante teus olhos castos.


Um adágio serviria para me elucidar dos dias sem notícias tuas. E não elucida.
Nada elucida este querer, ter o abraço de alguém que não dá pistas.
Daria?.. não sei mais.



 Um poema escuso, um conto sensual, com o zelo que me detém aqui, na espera de tuas mãos castas. 


Merecerias flautas soando com pianos quando recordasse de nós. Isso é bom? Esperar na arte por teus pés castos a envolver minha cintura? 
 


Casta.
Alguém deveria te avisar,
Sobre tudo que envolve a palavra,
Todas as incógnitas que devem ser desfeitas. Não somos óbvios.
Alguém deveria te avisar da minha espera. 

Passagem da Noite - Drummond

É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.

Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite.
é perfeitamente noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.

Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, as posses das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.

Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!

..................
Carlos Drummond de Andrade.
Livro: A rosa do povo.
40a. edição - Ed. Record - 2008.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional