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sábado, 29 de outubro de 2011

Olhos redondos

"Nobody knows, the morning son has rose" - 
"Ninguém sabe, o filho da manhã floresceu" - Beady Eye

         A chave está torta novamente, e a porta até há pouco aberta, trava mais que partituras e sonhos do outro lado. Tudo parece conspirar para dias estranhos. Deixe estar, volte para a chuva noturna e junte-se aos seus cansaços. Incomodar quem quer que seja soa como uma frase cheia de vírgulas explicativas, duvidosas; deixemos todos dormirem, feche o zíper da jaqueta de Manchester, acenda o último cigarro de sua vida e caminhe ao relento.

Poderia anotar mentalmente placas suspeitas, procurar lápis e papel perdidos nas vielas acadêmicas e escrever mais um refrão, de rock tradicional, por favor. Não é somente na luz que nos encontramos, lembre-se, certas penumbras nos servem, ainda que sejam somente para podermos mergulhar olhos redondos e voltarmos refeitos para o lar. 
         Não importa o quão velha aquela guitarra pareça, é do som da verdadeira família que se lembra ao carregá-la nos braços, é o timbre do melhor de si. Tentar explicar aos filhos do capitalismo isso é como esclarecer ao humorista tolo como é bonita a voz da tristeza, vez por outra. 
Ao lerem, se procurarem um personagem definido, é porque não se encontraram em parte alguma de certas frases, e isso encerra o parágrafo de alguns dias vividos.

Quando um homem sincero e zeloso sente-se trancado para fora de qualquer porta, com seus sonhos esclarecidos no chão ou no breve sono do poeta, é porque o diálogo com o mundo parece corrompido de algo. 

E ele, que entortara a chave inicialmente e saíra a caminhar pela madrugada repentina, entorna os olhos redondos para algumas árvores, a ouvir o ruído do vento em alguns galhos, quase como um chamado, ou um lamento, ou próprio enternecimento por um segundo a mais de arte e compreensão. 

Deixe estar, recolha-se da chuva noturna e procure aquele abraço.

Texto: Eliéser Baco
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Obs: Se preferir, leia ao som do que inspirou este.


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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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