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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A última melancolia escrita

      Das flores tão bem escolhidas ao latão de lixo, vago.  Atinge logo após a conversa abrupta uma dose de vazio, que vaga diante dos olhos a percorrer todos os sentidos em direção ao cimento, vago. É fim de tarde ou início da noite? Nos olhos todo cansaço noturno se fez ao meio-dia. Todo rubor de ironia não se fez presente. Sem subjetividade tamanha a lhe incomodar o peito, vaga, como um filete de tristeza objetiva a incandescer os olhos. Sumariamente, rispidamente, a vida lhe convida a ver-se, tolo. Perturbado pelo calor do abrupto instante em que é levado a dizer algum nome que repercute laço.

Perturbado. Cujo mundo é redemoinho perfeito e seu olhar instável e atônito só o deixa ler que não tem lugar neste cotidiano. Só vaga por seu ímpeto o calor temporário da tontice aguda. Como traduzir um sentimento? Ah, sim, do último pecado escrito recorda tão bem. Da última melancolia escrita só terão frases em sítios informados. Parcas frases de tristeza objetiva no espaço dentro de si que já cantou subjetividade. Olha senhor perturbado, o corrimão da melancolia te leva lá ó... onde a indefinição de sua tristeza bem se edifica.

Para onde olhar afinal? É no início da noite que os olhos percorrem o mundo a procura de alguém... É início da noite todo instante na alma. 

sábado, 24 de novembro de 2012

Saudade - Guilherme de Almeida


Vem, minha boa amiga, estou tão desgraçado!
Quero que fiques junto dos meus olhos doentes,
à minha cabeceira, aqui dentro, a meu lado...
Saudade, irmã de caridade dos ausentes!

És tão boa, Saudade! O teu vulto magoado,
longo como um adeus, tem gestos indolentes;
lento como uma pálpebra, olha ao longe o passado;
roxo como as olheiras, deita-se nos poentes...

Saudade, quando eu for velho e desiludido,
lerás, para eu ouvir, bem baixo, ao meu ouvido,
no silêncio de lã, sob a lâmpada quieta,

os versos que escrevi na minha mocidade.
E tu dirás que tudo aquilo foi verdade...
E eu acreditarei que fui um grande poeta...

.................

Guilherme de Almeida - Jornalista, poeta, ensaísta e tradutor, foi redator de O Estado de São Paulo,

diretor da Folha da Manhã e da Folha da Noite, fundador do Jornal de São Paulo. A publicação do livro de poesias Nós (1917), iniciando sua carreira literária, e dos que se seguiram, até 1922, de inspiração  romântica, colocou-o entre os maiores líricos brasileiros. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna e do grupo da revista Klaxon.

Poema reitrado do livro Sonetos - Guilherme de Almeida - Imprensa Oficial 2ª edição

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Envolver

Mas o que dizer de estreitar meus braços em ti...
Assim no envolver da pele, no cercar das vestes.
Rir da ironia tua e sorrir ao fitar cabelos teus...
Ir na textura das palavras cítricas tão nossas,
Abraçar teu nome com a língua minha,
Nessa percepção abarcar tuas razões sensíveis
Enlaçar então detalhes vividos, juntar-me sonhos.

domingo, 11 de novembro de 2012

Elvis Presley - Wooden Heart

Recordo muito de vários aspectos da minha infância, ouvia muitas músicas e de diferentes estilos. Recordo-me que eu tinha provalmente quatro anos quando meu pai entrou em casa com um álbum de Elvis. Morávamos em Curitiba, minha cidade natal, os vinis eram emprestado e o álbum duplo chamava-se Elvis 40 Greatest Hits (1975). Ele tinha emprestado para fazer uma seleção das músicas e gravar algumas em fitas cassetes. Lembro-me que as fitas eram pretas com detalhes em laranjado e eram da marca Basf. Uma música fez-me ir em direção a sala uma vez mais. Melodia graciosa e canto sutil, uma composição que me marcou instantaneamente. Wooden Heart, canção do filme GI Blues, que Elvis interpreta um militar. Continuo adorando a música e deixarei abaixo duas versões delas, uma da cena do filme.

Áudio com uma versão ao vivo de Elvis, durante a gravação original.


Cena do Filme GI Blues.




Wooden Heart (Coração de madeira)- tradução.

Você não vê
Que eu te amo?
Por favor, não parta o meu coração em dois
Isso não é difícil de fazer
Porque eu não tenho um coração de madeira
E se você dizer adeus
Então eu sei que vou chorar
Talvez eu vá morrer
Porque eu não tenho um coração de madeira
Não há restrições nesse meu amor
E sempre foi você, desde o começo
Trate-me amavelmente
Trate-me bem
Trate-me como você acha que deve
Porque eu não sou feito de madeira
E não tenho um coração de madeira

Devo eu então, devo eu então
sair da cidadezinha
sair da cidadezinha
E você, minha querida, fica aqui?

Não há restrições nesse meu amor
E sempre foi você, desde o começo
Trate-me bem
Trate-me bem
Trate-me como você deve
Como você deve
Porque eu não tenho um coração de madeira
.............
caso queira a letra em inglês é só clicar aqui.

The Beatles - Live at BBC

               Lembro como se fosse hoje que estava na praça Tiradentes de Curitiba, após sair da aula do 2º ano do então chamado colegial. Tinha caminhado até ali com dois colegas de classe, Caverna e Leonardo. Resolvi entrar numa loja de cd's para confirmar o anúncio visto dias antes. Sim, era verdade, The Beatles - Live at BBC, por quatorze reais. Álbum duplo com gravações feitas entre 1962 e 1965 das apresentações feitas na BBC de Londres.

Despedi-me deles e no ônibus ainda já estava eu vendo as fotos do encarte. Tinha então dezesseis anos. Apreciava Beatles desde os cinco, seis anos. Brincava que cantava e tocava guitarra. Essas recordações são boas demais. Das minhas prediletas deixo aqui algumas, dentre elas I'll be on my way, canção inédita composta por Lennon & McCartney e Young Blood, canção com ótimo humor tratando de um amor descoberto no acaso, originalmente gravada pelo The Coasters em 1957.

I'll be on my way - Vocal principal de Lennon.


Don't ever change - Vocal de Harrison  & McCartney


Young blood - Vocal principal de Harrison.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Mar Escondido

Escondido onde finda a leitura. E não havendo quem pedisse a palavra escrevi mais e cantei onde se escondem os piores risos.

Defronte o último olhar da noite caro amigo. Constituo-me agora de razão amadeirada com cheiro de vinícula e olhar de orvalho.

Escondido onde finda teu abraço. E não pretendo querer unanimidade.

Apóstolos, secretários, dias do mês: sumam.

Declaro definitivamente que escondo-me onde finda a leitura, onde ouvirei alguns risos de descaso, perto da meia-noite, erguerei-me em fortaleza perante mim mesmo, abraçarei uma imagem translúcida se preciso, mas, não procurarei unanimidade.

Escrever é somente tecer o que no âmago tem força de mar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mantra

Veio da beira do caminho em direção ao canto da boca, trazida pelo vento verdadeiro que me tirou do despenhadeiro.

Como um ciclo de movimentos da vida em direção aos meus olhos e mãos. Adentrou do canto da boca ao núcleo do melhor esperar.

E repito e sigo e repito e sigo e repito... e sigo, com a honra nas mãos e a beira da alma repleta de esperança, meu mantra.  

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rascunho na beira da alma

 Rascunho escrito a lápis encontrado no fundo de minha gaveta. De meses atrás.



Da saudade

Quadros na parede do meu eu.

Cada abraço de saudade...
o gesticular de longe.

movimento lento a se perder
em beijo simples na face.

Saudade, parede conformada em exatidão.

Voz que tenta aproximar
os anseios cheios de perdão.



Quadros na parede do meu eu.

Cada abraço de saudade
em beijo simples face.

movimento lento angular
no mordiscar de perto.


Voz que aproxima
 um riso cheio exatidão.

Parede inconformada solidão.

Nando Reis - Sei


Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade de uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado dessa pessoa
Quando dá vontade de ficar nos braços dela
E nunca mais sair…

Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali... Em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo muitos lábios
Desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui…

Sabe, quando passa a nuvem brasa
Abre o corpo, sopro do ar que traz essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui…

Sei... Eu sei.

sábado, 20 de outubro de 2012

Musa Consolatrix - Machado de Assis



Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,
É no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.


Não há, não há contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
De íntima paz, de vida e de conforto.

Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias,
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.
Musa consoladora,
Quando da minha fronte de mancebo
A última ilusão cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, — e haverá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!




Do Livro Crisálidas.
Publicado originalmente no Rio de Janeiro por B.-L.Garnier, em 1864.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nina - Chico Buarque




Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu
Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu
Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve
Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou...

..........
Letra e música:Chico Buarque

domingo, 16 de setembro de 2012

Morangos Silvestres (1957)

         Existem filmes que são jóias. Raras ou não nos surpreendem e fazem brilhar a noite sem estrelas. Neste filme do mestre Ingmar Bergman um professor aposentado esta prestes a receber um título honorário na cidade de Lund, trata-se do médico de 78 anos Eberhard Isak Borg, vivido pelo ator Victor Sjöström.

A viagem do professor seria de avião, mas após um sonho estranho prefere ir de carro. Decide acompanhá-lo sua nora, Marianne. Aos poucos temos contato com a visão de alguns sobre o médico Isak. Tem palavras que afirmam ter sido ditas pelo professor que ele se vê surpreendido ao ouvir, mas, acredita ser até possível. 

Isak viaja 15 horas de carro convencido de que é melhor. Aos poucos recordações do passado e situações vividas no caminho o colocam de frente a sua trajetória até ali.

É um mergulho no coração do homem. 
Em uma cena, no carro guiado neste momento pela nora, Marianne, o personagem do professor reflete para si mesmo:

"Dormi, mas fui atormentado por sonhos e imagens que me pareciam tangíveis e humilhantes. Havia algo muito forte nestas imagens que penetrou em minha mente com muita determinação." - E então depois disso vemos as tais imagens citadas, o próprio professor, velho, conversando com uma jovem mulher de seu passado.

O impacto de certas situações que vem durante a vida podem desviar alguns de certo sentido até então muito bem traçado mentalmente. Ainda assim, mesmo que meticulosamente forjado na praticidade, anos e anos depois mente e coração parecem não dialogar na mesma direção. Parece uma certa amargura corroendo o que os olhos viram e veem. Filmes de Ingmar Bergman tem estilo e um pulsar, independente do tema. Quando percebemos o professor Isak Borg adentrando portas e corredores, sendo guiado por momentos do seu passado, já estamos imersos no olhar do personagem, já estamos ali com ele, visitando suas emoções, tênues, abruptas, mas importantes emoções. Indico essa película em preto e branco, repleta do melhor do cinema do século passado.

........


Prêmios do Filme:
Festival Internacional de Berlim (1957) - Urso de Ouro de Melhor Filme.
Globo de Ouro (1960) - Vencedor de Melhor Filme Estrangeiro.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Antonia, a amada imortal de Beethoven

Uma carta de 1812 endereçada "á minha amada imortal", não deixa dúvidas. Ao menos por alguns meses, ele, que nunca se casou, viveu um tórrido caso de amor. Mas com quem? O filme Minha Amada Imortal faz piruetas psicanalíticas para apontar Johanna, a cunhada de Beethoven, casada com seu irmão Karl, como a amada imortal. E faz isso ao sinalizar que Karl, o querido sobrinho do compositor, era na verdade seu filho - tudo ficção.


O pesquisador norte-americano Maynard Solomon, em seu livro Beethoven, Vida e Obra, fez um levantamento de todas as mulheres que estiveram "próximas" do compositor no período da carta. Baseou-se até em registros policiais da época para estabelecer que somente Antonia Brentano poderia estar no quarto de hotel de Praga, aguardando a visita secreta do compositor, no início de julho de 1812. E assim resolveu um enigma que alimentou centenas de páginas de especulações nos dois últimos séculos. Solomon atesta com 99% de certeza documental que a "amada imortal" é mesmo Antonia, esposa de Franz Brentano, rico comerciante de Frankfurt, 15 anos mais velho do que ela. O casal era amigo do compositor.

Fonte: Grandes compositores da música clássica - Abril Coleções.

domingo, 2 de setembro de 2012

George Harrison And Bob Dylan - If Not For You



"e não fosse por você
O inverno não teria nenhuma primavera, ..."
"... eu simplesmente não teria um rumo,
Nenhum caminho soaria verdadeiro
Se não fosse por você." - Dylan

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Beady Eye - Wigwam

Muito bom!
Site oficial: http://www.beadyeyemusic.com/

"
Venha pra onde eu possa ver
Caminho além das estrelas
Então meus amigos, o que tem aqui pra mim?
Abra seus braços"

Enquanto espero...

Sucessão de sensações agradáveis. Daquela harmonia preferida cacos da janela estão no chão. Uns dias e umas noites mais de espera... emitir e receber oscilações. Um vulto de reciprocidade passou perto da porta.

Umas semanas e uns meses mais enquanto espero... a moeda girada no ar cai de pé toda vez. Não existe sorte nessa esfera de pensamento e ação, reflexão e consequências. A sorte seja talvez errar o mínimo possível com menos intensidade quanto conseguir ser inteligente. Eis a questão portanto.

Li tantas cartas endereçadas ao meu coração. Abri tantos envelopes destinados ao meu entendimento.
Errei..
É fato.

E nenhuma frase poética e interessante pode execrar isso. Expurgar isso.
O estado das coisas é assim mesmo agora. Dois olhares tentam ajustar a mesma frequência. A qualidade de seleção dos receptores é ótima. Parece um algo destemido demais lembrar daquela sucessão de sensações agradáveis. Até o fatídico tropeço e a cara na lama dos meus piores dias.

Li tantas cartas endereçadas ao meu coração que adoraria que os olhares ajustassem a mesma sintonia. Umas semanas e uns meses mais enquanto espero o vulto de reciprocidade voltar a caminhar junto de nossas mãos unidas. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ouvi do vento

       Terno amigo, contou-me quando eu caminhava por ruas escuras e ele deglutia em galhos e frestas de janelas o que da vida trazia. Que uma poetisa rascunhava no chão de sua morada versos que ela queria esquecer. Paredes ainda intactas mas o chão de sua morada, devidamente impregnada com palavras duras.

Pedidos de um retorno aquilo que ela poderia ter sido em certo momento da vida. Pedidos urgentes que os descaminhos de qualquer bússola trouxesse um agir para matar um pouco dela em outro alguém. Ouvi atento, segurando os braços contra o peito, no calafrio que a voz do vento faz no pano de linho.

Por fim, pediu minha palavra, ficou apenas tecendo brisa num pequeno redemoinho junto ao muro, a me ouvir. Cabisbaixo instantaneamente precisei trazer para perto um pequeno galho caído. Mirei luminárias bem acima de minha cabeça. Disse que o tempo é maior aliado das confidências destinadas ao passado, e que o tempo que ela pedia numa bússola seria o tempo do acerto de algumas pendências. Matar um pouco do outro em nós é transtornar uma chance de algo melhor, tentei dizer mais alto. Se renovar no nado que a vida, oceano imenso, pede, é mergulhar primeiramente em si próprio e sair do outro lado, no peito ou na lágrima que alguém sinceramente derramou.

O redemoinho cessou para voltar a balançar galhos. Ouvi do vento sobre infantilidade do amor, do romantismo que pode se transbordar em falta de certa praticidade na vida contemporânea. Que a tal poetisa precisaria de minhas palavras e de meus conselhos muito próprios e cheios de identidade. Que o pêndulo igualitário e equilirado de um dizer é como uma bússula certa vezes. 

Neguei-me prontamente. Quem pode bater a porta de um estranho e dizer que foi a pedido do vento? Quem pode interferir no chão de qualquer pessoa e seus versos?

Ele bradou: o amor. O amor pode. O amor próprio, o amor por outrem. Disse eu então: Eu não sou o amor caro vento... ele retrucou instantaneamente fazendo minha nuca gelar. "Tem traços da compaixão, que é prima dos melhores sentimentos. Vá então por mim, caríssimo". E eu não fui em suma, não ainda. Irei?  

Bater a porta de uma poetisa, talvez insana, como tantos deles são... Bater e esperar que abra e me peça descabelada uma bússola, ou o chá das cinco em bandeja de prata. Irei, já sei, com um balde com pouco de cimento e direi: Concrete um pouco bem fundo no peito que passa.
Irei?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Nosso Mundo - Florbela Espanca



Eu bebo a vida, a vida, a longos tragos 
Como um divino vinho de Falerno! 
Pousando em ti o meu olhar eterno 
Como pousam as folhas sobre os lagos...
Os meus sonhos agora são mais vagos... 


O teu olhar em mim, hoje, é mais terno... 
E a vida já não é o rubro inferno 
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu amor, quero vivê-la! 

Na mesma taça erguida em tuas mãos, 
Bocas unidas, hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?... 

Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?... 
O mundo, amor! ... As nossas bocas juntas!...


L.C.

O cúmulo da provacação é apreciar ser provocado. Estar treinado o suficiente para reagir moralmente.
Conhecer os deslumbres de um dia quente com palavras que o esfriam calmamente.

Olhar o quadro de um momento com uma certa raiva e propensa chance de caça. Caçar os rumos da arte, obviamente.

Digerir.
Digerir e digerir.

Parcas palavras musicais e um estômago forte.
O cúmulo de se conhecer é apreciar adentrar em certos labirintos.

 - Leon Chivalry deixou a pena e o papel no chão, e seguiu caminho.-


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Evaporar - Little Joy


Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar
Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar
O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar
O rio fica lá, a água é que correu
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, se purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar

sábado, 21 de julho de 2012

Sentimental - Los Hermanos



           Uma das minhas preferidas, essa versão, intimista até pelo formato do programa, tem um final singelo pelo instrumento de sopro e pelo depoimento de Amarante a respeito de sua formação musical: "Minha formação musical é a vontade... é a vontade de aprender os instrumentos. Fui brincando né, que é a coisa mais séria do mundo."


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Bueiro social, labirinto emocional.

        Todos somos párias dentro da sociedade dependendo do olhar que nos alcança. Mesmo aristocratas podem estar na margem diante do olhar do senso comum. Já se compra o aceite puro simples? Mesmo do pária?

Talvez, penso eu. Em uma sociedade consumista tudo pode ser vendido. E um pária pode comprar seu lugar.  Mas o foco é outro. É o primeiro filme da trilogia Millenium. O primeiro desde a produção sueco-dinamarquesa, que data de 2009.  Os párias percorrem o  filme; o que investiga, a família investigada - ainda que aristocrata, a jovem Lisbeth Salander, investigadora retratada como dificilmente sociável.

O lugar do olhar sensivelmente humano perde algo com os desvios de comportamento? Olhar puramente sensível ao que nos ronda pode ser associado a algo artístico como a algo doentio. Assim o pareceu sempre. Depende de quem conta e com qual intenção.  Uma frase omitida quando contamos algo pode afundar o parecer a algo negativo ou fazer florescer o caminho se adjetivarmos no momento correto.

Assim como "Deixe Ela Entrar" e "A origem", Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres - está pra mim como um dos ótimos filmes que assisti. O primeiro citado,  na versão sueca, por favor. Todos os personagens principais destes três filmes são párias. E comove descobrir cada nuance que os faz ser assim. Cada detalhe do assombro que nos causará a solidão de cada um. Existe portanto a comoção por algo ou alguém que precisamos ver salvos, o menino Oskar e a vampira Eli; o criminoso Dom Cobb; a investigadora Lisbeth.

É um rio confundido a vida deles. É um labirinto transformado a emoção deles. É um bueiro que respiramos a sociedade.

O que nos acentua a proximidade com as vidas retratadas é a compaixão ou o espelhamento? 


sábado, 16 de junho de 2012

Olhos castanhos, bairro redondo.


"There is nothing you can do because there is no solution
You gotta get down to the noise and confusion
Out of our minds on the stage" - Beady Eye

Não há nada que você possa fazer, por que não há solução
Você tem que entrar no barulho e na confusão

Fora das nossas mentes no palco.
O sol brilha nas mãos.
O sal funde entranhas.
Olhos redondos buscam o som.
Filhos de algo nos arredores...
Da arte, daquela arte britânica
que funde som nas entranhas com o sol de nosso sorriso.
O sol ruma no apelo de uma alma, 
só clama a guitarra e a pele dos lobos das estepes.
Olhos redondos nos arredores do palco. No som fundido de teclas e cordas e saliva.
Cuspa nos políticos. Escreva aqueles versos para alguém. Situe sua capacidade e o que almeja.
Suar no sol que vem das mãos da sua preferida. Mordidas nos rastros do sábado.
O sol brilha nas mãos. Não são poemas que me indicam o caminho, é a poesia do meu olhar ao mundo que o faz. Mundo, mundo vasto mundo de Drummond... que se esvai em ganância, poder e o que mais?  Cuspa nos políticos. O sol ruma ao convés de minh'alma.
O lorde corsário saiu da Inglaterra e morreu na Grécia. Arte Britânica que fundia poemas e entranhas nos arredores da alma, do olhar estranhado e manco perante o mundo.  O sol ruma ao convés de minh'alma.

Só visto minha pele de lobo, luxurioso, mas, há sinceridade nos meus olhos redondos. Sou filho dos arredores, sou o canto dos arredores. O sol brilha nas mãos dela e ruma ao convés de minha alma.
Eliéser Baco. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Alegro ma non troppo.



             Ensaio sorrisos diante do espelho. Por vezes olhares. Não é teatro, é uma forma de ser menos rude, menos, digamos, bem... rude, mas no sentido de grotesco. Meu caminhar às vezes treme. O joelho sabe... o esquerdo. Estava a olhar os carros há pouco. As cores das lanternas dianteiras, traseiras, luminárias antigas convivendo com as novas luzes do caminho. Ruas antigas mesclando pedras e asfalto. É um convergir sem tato, é um convergir silencioso. Identifico-me com isso. Não consigo escrever início de frase com o "Me" na frente. Não consigo me adequar a isso, mas, com  o tempo quem sabe. O bom penso que seja esse meu tentar... um menino não deixa a mãe conversar com alguém ao telefone. No meu tempo só o olhar bastaria para calar. O menino chuta a mãe, sua canela sabe... tênis de super-herói. É um convergir de fases e ciclos e ruas e caminhos e luminárias antigas e modo de controlar a febre alheia que me sinto alegre mas não demasiado.

 O silêncio quando minha porta abre e eu entro é constrangedor ás vezes. Dou risada da forma como eu organizo certas coisas. Livros, filmes, revistas. Bagunçado. Até meus cabelos são bagunçados, minha barba, isso diz muito dos meus livros. Ideias tenho muitas para arrumar tudo diferentemente. Mas sabe como é. Sabe? Então não preciso me esforçar para explicar... sorria sim eu me identifico com sorrisos em textos que se leem por aí. Sabe aquelas frases sem pontuação por licença poética do autor para dar a sensação de que a frase é quase uma conversa realmente sem ar a tagarelar sob a existência? Sobre a existência, contudo e, principalmente. 

Quando saí da rua das luminárias antigas o menino ainda choramingava e sua mãe ainda tentava aconselhar alguém ao telefone. Algo sobre comida e enxaqueca penso eu...



Quem sabe algumas conversas tendam a convergir para espantar a solidão... uma ideia um pouco diferente mas que calha de parecer igual para espantar a solidão.. já percebi alguém querer estar alegre mas não demasiado em conversas alheias e minhas. Talvez por isso eu esteja sozinho, ou me sinta assim tão.



Daqui um pouco voltarei na rua das luminárias antigas. Olharei lanternas, cores, tentarei catar o vento com a ponta dos dedos e alguma poesia no despenhadeiro do meu olhar. Que alguma emoção de fora tente convergir ao centro de minha circunferência. Essa e aquela ação quer resultar em ser alegre mas não demasiado. Olhe ali, embaixo da luminária aqui de casa, achei aquele livro antigo e tão meu.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Tirarei do Blog


Boa noite amigos.

       Preparando o término do meu livro, escrito e reescrito nos últimos tempos, tirarei do blog primeiramente os textos de Zorzi, em seguida os de Santino. 

Eu já havia feito isso com os textos de "Mr. Chivalry", onde contava sobre Leon Chivalry e seus amigos, chamados de Invernais. Creio que sempre existirão personagens fixos dentro dos textos que faço para o blog, e muitos deles, esses três inclusive eram somente para o blog; felizmente tiveram um vulto mais interessante pra mim e por isso foram convidados a embarcarem no meu primeiro livro. Personagens aceitaram e então deixarão o convívio virtual para depois estarem todos juntos dentro do material físico da edição. 

Algumas pequenas mudanças nos capítulos mais confusos estou lapidando para deixar aptos para uma melhor apreciação no livro. Espero sinceramente que os meus 88 seguidores tenham acesso ao livro e possam me dar a resposta se foi uma boa leitura ou não. Sinceramente são os 88 e mais alguns amigos que me motivam junto com meu amor pela arte a continuar a tecer mais de minha alma em cada frase e cada personagem. 

Espero que compreendam a retirada dos textos. Sei também que não são nenhum maremoto para eu me condoer tanto. (hehe)
Zorzi ficará até este final de semana, e Santino até o fim do mês conosco, aqui no Vinho da Vida.

Abraço no coração de cada um.

Eliéser Baco

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Bisavó e Morfeu

    
           Minha bisavó dormia tranquila, como um vento nórdico embala o sono do mar polar. Na noite tremendamente escura, pios de aves soturnas, madrugada profunda e silenciosa, o trinco raiou seu sonar.

Passos esguios, mãos nos cabelos acizentados dela, de repente, como bote de serpente, estapeada e puxada como a fúria da caldeira infernal.

Desesperada ela grita ao bisavô, que sonâmbulo babava seu pestanejar:

_Peraê, ladrão filhudaputa, deixa eu abrir os olhos!!!

E os golpes no ar duraram até Morfeu, imenso, rijo, puxá-la de volta, moldando novamente seu descanso.
Que meus bisnetos me vejam diferentemente.

Origens parte 7 de 7

ILUSÃO COMPARTILHADA
VII
            Partimos nós, em intensidade, rumo aos mais distantes pensamentos sobre o que nos faz humanos, sobre os processos cognitivos e as faculdades mentais, essas que elaboram atrocidades, desvarios e desmandos. Humanos somos, e por isso, selvagens mais que tudo, pois, a consciência nos permite elevar a níveis inimagináveis o pior do homem. Nossa indisfarçável incompetência em dividir o mesmo espaço sequer nos permite criar uma verdadeira unidade, pois que nossas diferenças nos oprimem e separam. Toda união total é mera ilusão. Será pessimismo? Venerável, não há espaço para todos, e os conflitos são intermináveis. Se há saída para o círculo vicioso, mostre-nos, como Venerável Líder de um povo desencontrado.

Por Fabiano Queiroz.

            Caríssimo, embora discordemos opiniões, manifestamos continuado diálogo. De ilusão sempre fomos cercados. Da brusca caminhada em direção aos pólos, aos ares, às pernas de uma Srta de rústicos desejos; o que se compreende por fraternidade não existe de fato, somente a meu ver, e em parte, naquela união de homens com seus esquadros e templos. Se não compreendemos nosso vizinho, na mesa da taverna, compreenderemos o que não entende nosso dialeto? Ou o estrangeiro, que costura sua vida na esperança, e é escravo em nossas terras? Navegue até aqui, repartirei o néctar sagrado, abrirei suas opiniões nas antigas vinhas, zelarei por sua história sem fé cega, em tempestades necessárias.
Por Eliéser Baco

domingo, 6 de maio de 2012

Memorial de Aires - Machado de Assis



Trecho:

"De quando em quando, ela e o marido trocavam as suas impressões
com os olhos, e pode ser que também com a fala. Uma só vez a
impressão visual foi melancólica. Mais tarde ouvi a explicação a mana
Rita. Um dos convivas, — sempre há indiscretos, — no brinde que lhes
fez aludiu à falta de filhos, dizendo "que Deus lhos negara para que
eles se amassem melhor entre si". Não falou em verso, mas a idéia
suportaria o metro e a rima, que o autor talvez houvesse cultivado em
rapaz; orçava agora pelos cinqüenta anos, e tinha um filho. Ouvindo
aquela referência, os dois fitaram-se tristes, mas logo buscaram rir, e
sorriram. Mana Rita me disse depois que essa era a única ferida do
casal. Creio que Fidélia percebeu também a expressão de tristeza dos
dois, porque eu a vi inclinar-se para ela com um gesto do cálice e
brindar a D. Carmo cheia de graça e ternura:

— À sua felicidade.

A esposa Aguiar, comovida, apenas pôde responder logo com o gesto;
só instantes depois de levar o cálice à boca, acrescentou, em voz meio
surda, como se lhe custasse sair do coração apertado esta palavra de
agradecimento:

— Obrigada.

Tudo foi assim segredado, quase calado. O marido aceitou a sua parte
do brinde, um pouco mais expansivo, e o jantar acabou sem outro
rasto de melancolia.

De noite vieram mais visitas; tocou-se, três ou quatro pessoas jogaram
cartas. Eu deixei-me estar na sala, a mirar aquela porção de homens
alegres e de mulheres verdes e maduras, dominando a todas pelo
aspecto particular da velhice de D. Carmo, e pela graça apetitosa da
mocidade de Fidélia; mas a graça desta trazia ainda a nota da viuvez
recente, aliás de dois anos. Shelley continuava a murmurar ao meu
ouvido para que eu repetisse a mim mesmo: I can give not what men
call love."

Machado de Assis - Memorial de Aires.
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Wikipedia:
Memorial de Aires é o último romance escrito por Machado de Assis, publicado no mesmo ano de sua morte, 1908. Está organizado como uma série de entradas em um diário e, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, não tem um enredo único, mas compõe-se de vários episódios e anedotas que se interpermeiam.

Memorial de Aires, o último livro escrito por Machado de Assis. É considerado pelos críticos, como a obra mais azeda a ser escrita por ele, pois contém alguns elementos de pessimismo. O livro é uma possível continuação do livro Esaú e Jacó, pois o personagem Aires participa da história, anotando em seu caderno, tudo que se passa em sua vida; dando continuidade em Memorial de Aires em que o próprio personagem relata seu dia-a-dia em um caderno.

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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional