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domingo, 29 de janeiro de 2012

Manoel Barros - Caderno de Aprendiz

           Caderno de Aprendiz é a segunda parte do livro Menino do Mato, de Manoel de Barros. Minha edição foi presente de meu pai, Editora LeYa, 2010.

São 36 pequenos textos.

Inicia assim.

1

Eu queria ser banhado por um rio como
um sítio é.
Como as árovres são.
Como as pedras são.
Eu fosse inventado de ter uma garça e outros
pássaros em minhas árovres.
Eu fosse inventado como as pedrinhas e as rãs
em minhas areias.
Eu escorresse desembestado sobre as gotas
e pelos cerrados como os rios.
Sem conhecer nem os rumos como os
andarilhos.
Livre, livre é quem não tem rumo.


Ao folhear as demais páginas encontramos a maioria em textos curtos, com a natureza poetizando com a inspiração do autor. Como este:


9

Pra meu gosto a palavra não precisa significar - é só
entoar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Origens - Capítulo 1 de 7


Saga Sêmen – Primeira Parte: Origens
Capítulo I - Misérias

           
            Oprimido, anexado ao ventre materno, sem saída em prisão de fogo, acusado pelo nascimento, pela não-realização de expectativas abstratas e impossíveis. A sociedade oprime. A maternidade castra, desova, infecta e destroça. Não se iluda, caro Rei. A vida não é sua, o controle vem de fora pra dentro, e não há saída. A libertação vem pela dor absoluta. Não há por onde. Migalhas da alma, a força aparente transformada em mediocridade cotidiana. Misérias do espírito. Ilusões corroídas pela amarga realidade. Cadê meu placebo? Meu caro Rei, forçosamente me afasto, tal como Pescador em alto-mar, por dias ou anos, na infinitude placentária de uma vida controlada. Sem forças, sem sonhos, sem poder transformador. Agora, meu caro Rei... não percebemos o quanto idealizamos sem saber que perdemos décadas de vida sendo meros anexos. Não é o fim porque não houve começo. Coroa, ilusão doce, nosso ópio na alma devastada.
Por Fabiano Queiroz.
           

            Sumiu das cédulas monetárias e moedas minha face, caro mensageiro inquieto. Some das páginas incultas e impuras, e ocultas e neutras e outras derradeiras e sem ar nas frases, minha face... Mas não temas, pois, o invólucro que te acaricia é mais do que preciso negociar por tua felicidade comprovadamente exposta na matéria que acumulas. E no sorriso da fêmea que despeja teu sêmen colhe tuas ilusões. E nas ordens financeiras que abarrotam tua gaveta sofre tua manifestação de homem. Minha coroa é o que alimenta a nação, minha coroa cravejada do que as pessoas temem e querem, matam e se desdobram por ter. Não temas, pois, as inundações são cíclicas e sempre estarei aqui, como rei disso tudo. O disparo no ventre da terra; que terra? O andar é rápido, ríspido demais para socorrer quem flagelado navega o olhar por apenas pão e água. Água! Água?

Por Eliéser Baco


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        O projeto textual Sêmen, nasceu das conversas entre Fabiano, um grande amigo, e eu. Dos diálogos informais sobre o cotidiano para o diálogo textual foi só um pulo do tempo. Não criamos primeiramente os tais personagens definidos, primícia sugerida por alguns para as ideias textuais -  aqueles formalmente criados para facilmente serem engolidos. Aos poucos, conforme eu lia o que Fabiano enviava, escrevia algo alinhavando algo mais, expondo algo mais, e assim aos poucos surgiram dois pilares centrais da primeira parte de Sêmen, o mensageiro e o rei. 

        O tomo Origens, primeira parte de Sêmen, foi dividido em 7 capítulos curtíssimos. Os capítulos são: Misérias; Cinza?; Daquela tal compreensão; Opulenta ignorância; Asas brancas; Ópio e circo; Ilusão compartilhada
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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