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terça-feira, 20 de março de 2012

Outono

        De meados de março até meados de junho; irei recuperar parte dos versos melhores, encher até a metade meu vislumbre por um inesperado abraço. 

Sem frases tortas, aquelas com apenas sombras de minhas ideias. De meados de março até meados de junho eu poderei vestir meu casaco preferido para escrever. Sem labirintos quando quiser mencionar o que sinto, acho. 

No ritual que pressuponho o meu melhor -  vinho da vida, sinceridade, escrita - eu escondo meu pior, sorriso, cabelos altos, leve corcunda. 

Minha química difere das outras veias adentradas ao corpo, o arrepio "inspirado" me vem agora, o sorriso interno, meados de março até meados de junho, para resplandecer nos versos melhorados dali para agosto.

O som do violino e do piano escorrem como epifania vida afora, a matilha que vive em mim não esmaece, faz saltar de mim a vibração por mais cantos nos bosques, taças refletidas, arte repercutida à leste do trejeito característico de verter mar dos olhos. Meu outono.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Origens - Capítulo 5 de 7

Asas brancas  
V

            Jamais mencionei bondade nesses corações mundanos, tais que apenas subexistem, como zumbis de cérebros derretidos pela inoperância que os condena. Sem comiseração, sinto apenas o nada absoluto em relação à turba ensandecida e procrastinada à espera. À espera não sabem sequer de que, pois vivem a esperar e a se lamuriar, sem luta, sem vontade própria. O processo destrutivo encerrado pelas elites surte claro efeito, e não é de outra forma que se garante a governabilidade. O paternalismo canhestro visando as camadas mais pobres torna estas subservientes e obedientes, como carneirinhos enfileirados. As demais camadas, mais ao alto, veem com alívio a eficiência dessa colonização mental. E continuam com suas vidas vazias, medíocres. Não tiro sua razão, caro Rei, nesse caso em especial. Doravante, apenas pela educação, a revolução. Sem ela, toda revolução leva ao canibalismo e nada mais. Rei, o senhor é nada mais que uma peça na engrenagem.

Por Fabiano Queiroz.


            Revolução pacífica nos serve de marola quando o mar necessita de tempestade para sobressair-se no panteão da História. Respeito sua opinião caro mensageiro que voa em pombas brancas. Ainda que não concorde o diálogo perspicaz nos dá honra quando em discordâncias. Sou peça ínfima pensam alguns, sou apenas poeira renegada por todos os olhares ternos e os tecidos sacros, os balanços dos ombros ao caminhar na serenidade e as mãos puras ao segurar a fonte dos melhores sonhos. Porém, muitas vezes quando a ganância invade olhos avermelhados do choro faminto a fome dá lugar não ao simples sacio e sim à gula desenfreada e caótica. Quando da escolha por duas vielas, muitos procuram a mim, que nem sou tão maligno. Se fossem verdadeiramente amados anjos não cairiam, Reis como eu não chegariam ao trono por vontade do povo. Não manteriam por tanto tempo rubras vontades pelo nada que optam. Amém?!

Por Eliéser Baco

segunda-feira, 12 de março de 2012

Chico Buarque - 11 de março de 2012

            Estava muito ansioso, confesso. Declaro em escritura pública necessário for. Deveras. Eram muitos mares dentro do peito desde a infância, sacudindo e relembrando importância de cada canção que eu sonhava ouvir. O álbum novo é trejeito contemporâneo de dizer que a arte ainda resta no peito do hoje senhor sessentão de olhos azuis, e, pouco da arte de Chico Buarque é tempestade magnífica quando pensamos em muito de tudo que a mídia faz que$tão de oferecer.

Com trinta minutos de show a energia ruiu, assim como em alguns quarteirões da região do local do show. Avisaram a respeito do providencial gerador, O artista sorriu de um jeito poeticamente guri, a conversar com seus companheiros músicos. Quando depois de dez minutos, já sentado e pronto a recomeçar, Chico disse:

_ ...então, como eu ia dizendo... (ouviram-se risos gerais)

e ele voltou a tocar a música que fora interrompida pela forte chuva da terra que já foi garoa.

Não tentarei adjetivos com Chico. Faltariam...

O que mais tenho apreço é o fato de que em minha companhia, a namorada, a mulher que me preferiu, que tem compartilhado momentos que se escondem nos cantos de nossos olhares, nos cantos e sombras de todos os lugares que passamos, no entrecortado de tudo que somamos desde que nos conhecemos. Bastidores da vida e seus rumores, apreciar Chico Buarque e muito bem acompanhado, assim prefiro, assim, obrigado.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Macário - Álvares de Azevedo


 
PRIMEIRO EPISÓDIO
NUMA ESTALAGEM DA ESTRADA
MACÁRIO (falando para fora)
Olá, mulher da venda! Ponham-me na sala uma garrafa de vinho. Façam-me a cama, e mandem-me
ceia: palavra de honra que estou com fome! Dêem alguma ponta de charuto ao burro que está suado
como um frade bêbado! Sobretudo não esqueçam o vinho!

UMA VOZ
Há aguardente unicamente, mas boa.

MACÁRIO
Aguardente! Pensas que sou algum jornaleiro?... Andar seis léguas e sentir-se com a goela seca! Ó
mulher maldita! aposto que também não tens água?

A MULHER
E pura, senhor! Corre ali embaixo uma fonte que é limpa como o vidro e fria como uma noite de
geada. (Sai) .

MACÁRIO
Eis aí o resultado das viagens. Um burro frouxo. uma garrafa vazia. (Tira uma garrafa do bolso).
Conhaque! És um belo companheiro de viagem. És silencioso como um vigário em caminho, mas
no silêncio que inspiras, como nas noites de luar, ergue-se às vezes um canto misterioso que
enleva! Conhaque! Não te ama quem não te entende! Não te amam essas bocas feminis
acostumadas ao mel enjoado da vida, que não anseiam prazeres desconhecidos, sensações mais
fortes! E eis-te aí vazia, minha garrafa! Vazia como mulher bela que morreu! Hei de fazer-te uma
nênia.
E não ter nem um gole de vinho! Quando não há o amor, há o vinho; quando não há o vinho, há o
fumo; e quando não há amor, nem vinho, nem fumo, há o spleen. O spleen encarnado na sua forma
mais lúgubre naquela velha taverneira repassada de aguardente que tresanda!
(Entra a mulher com uma bandeja).

A MULHER
Eis aqui a ceia.

MACÁRIO
Ceia! que diabo de comida verde é essa? Será algum feixe de capim? Leva para o burro.

A MULHER
São couves...

MACÁRIO
Leva para o burro.

A MULHER
É fritado em toucinho...

MACÁRIO
Leva para o burro com todos os diabos!(Atira-lhe o prato na cabeça. A mulher sai. Macário come).
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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