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quinta-feira, 8 de março de 2012

Macário - Álvares de Azevedo


 
PRIMEIRO EPISÓDIO
NUMA ESTALAGEM DA ESTRADA
MACÁRIO (falando para fora)
Olá, mulher da venda! Ponham-me na sala uma garrafa de vinho. Façam-me a cama, e mandem-me
ceia: palavra de honra que estou com fome! Dêem alguma ponta de charuto ao burro que está suado
como um frade bêbado! Sobretudo não esqueçam o vinho!

UMA VOZ
Há aguardente unicamente, mas boa.

MACÁRIO
Aguardente! Pensas que sou algum jornaleiro?... Andar seis léguas e sentir-se com a goela seca! Ó
mulher maldita! aposto que também não tens água?

A MULHER
E pura, senhor! Corre ali embaixo uma fonte que é limpa como o vidro e fria como uma noite de
geada. (Sai) .

MACÁRIO
Eis aí o resultado das viagens. Um burro frouxo. uma garrafa vazia. (Tira uma garrafa do bolso).
Conhaque! És um belo companheiro de viagem. És silencioso como um vigário em caminho, mas
no silêncio que inspiras, como nas noites de luar, ergue-se às vezes um canto misterioso que
enleva! Conhaque! Não te ama quem não te entende! Não te amam essas bocas feminis
acostumadas ao mel enjoado da vida, que não anseiam prazeres desconhecidos, sensações mais
fortes! E eis-te aí vazia, minha garrafa! Vazia como mulher bela que morreu! Hei de fazer-te uma
nênia.
E não ter nem um gole de vinho! Quando não há o amor, há o vinho; quando não há o vinho, há o
fumo; e quando não há amor, nem vinho, nem fumo, há o spleen. O spleen encarnado na sua forma
mais lúgubre naquela velha taverneira repassada de aguardente que tresanda!
(Entra a mulher com uma bandeja).

A MULHER
Eis aqui a ceia.

MACÁRIO
Ceia! que diabo de comida verde é essa? Será algum feixe de capim? Leva para o burro.

A MULHER
São couves...

MACÁRIO
Leva para o burro.

A MULHER
É fritado em toucinho...

MACÁRIO
Leva para o burro com todos os diabos!(Atira-lhe o prato na cabeça. A mulher sai. Macário come).
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional