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sábado, 21 de abril de 2012

Golden Slumbers - The Beatles



"Certa vez havia um caminho para voltar para casa
Durma, bela adorável, não chore
E eu lhe cantarei uma canção de ninar

Sonhos dourados enchem seus olhos
Sorrisos lhe acordam quando você se levanta
Durma, bela adorável, não chore
E eu lhe cantarei uma canção de ninar"

         Dizem que o lado B do último álbum dos Beatles é seu canto do cisne, o momento maior e definitivo. As frases acima iniciam o chamado "segundo medley", canções curtas de Paul MacCartney que unidas formam algo realmente brilhante. A última canção gravada por eles chama-se "The End", e termina o medley com a seguinte frase: ..."And in the end, The love you take, Is equal to The love you make."

"E no final,
O amor que voce recebe,
É igual ao que
Ao amor que você doa"
        Recordo que ganhei esse álbum no natal de 1989 - eu tinha 11 anos -, dado pelo meu caro e amado tio Edson. Receber este álbum dele, com toda representação familiar e musical que ele sempre teve para mim, foi muito importante. Hoje eu canto e ouço com o parecer do homem de 34 anos, ávido por arte, que espera em seu final ter recebido e doado todo amor que detém no peito e na alma. Não é fácil, por vezes muito complicado o tal sentimento dito simples. Sou por vezes burocrático, casmurro, embaraçado, mas, creio também, com a capacidade de lapidar meu lado melhor para estar acima do pior de minha essência.  Literatura, música, vinho e compreensão na dádiva de nossas vidas.

domingo, 8 de abril de 2012

Origens - Capítulo 6 e 7 de 7

Ópio e Circo
VI

            Inoperância. É parte do homem servir, escravizar-se e aceitar passivamente o que vem dos círculos mais altos. O poder é para poucos. E desses poucos, menos ainda os que possuem alegria e verdade no coração. O poder depende, no mais das vezes, de uma personalidade psicótica, sem a qual é muito difícil manter algum controle, sobre o povo, e sobre as próprias emoções. Poucos aguentariam tamanha pressão. Nenhum líder subsiste sem Maquiavel. Às vezes tenho a estranha sensação de que o povo é manipulado de forma quase consciente, e se compraz disso. Será possível? É possível escravizar-se instintivamente? Daí vem a grande força dos ditadores - a capacidade de dominar e subjugar, através do carisma, dos favores, das políticas populistas, do conformismo em nome de um grão de café. A simplicidade é o limite do povo. Pra que mais?

Por Fabiano Queiroz.


            Havia um homem, navegou pelos estreitos dos mares, percebeu que quanto mais difícil a empreitada, lançar navio às ondas mais assustadoras, mais vivo se sentia. Não esperava ajuda senão dos homens que ali com ele poderiam se perder e tomava posse de suas coragens, dando engrenagem para eles se superarem. Naturalmente sábio. Quem não confia em si e depende da colaboração do chamado destino ou dos homens do alto só podem ver o mar intenso da vida de longe. Dificuldades, trajetos, todos temos. Acomodado o bruto navegador ficaria diante da vida? Quis desbravar o que era necessário para se fortalecer diante dele próprio. Os favores do homem são para pilhar terras e mulheres alheias. O povo quer circo e manteiga. Ainda se manteiga fosse para currar a mulher dos corruptos. E não é. É para serem currados pelos renomados.

Por Eliéser Baco




ILUSÃO COMPARTILHADA
VII
            Partimos nós, em intensidade, rumo aos mais distantes pensamentos sobre o que nos faz humanos, sobre os processos cognitivos e as faculdades mentais, essas que elaboram atrocidades, desvarios e desmandos. Humanos somos, e por isso, selvagens mais que tudo, pois, a consciência nos permite elevar a níveis inimagináveis o pior do homem. Nossa indisfarçável incompetência em dividir o mesmo espaço sequer nos permite criar uma verdadeira unidade, pois que nossas diferenças nos oprimem e separam. Toda união total é mera ilusão. Será pessimismo? Venerável, não há espaço para todos, e os conflitos são intermináveis. Se há saída para o círculo vicioso, mostre-nos, como Venerável Líder de um povo desencontrado.

Por Fabiano Queiroz.

            Caríssimo, embora discordemos opiniões, manifestamos continuado diálogo. De ilusão sempre fomos cercados. Da brusca caminhada em direção aos pólos, aos ares, às pernas de uma Srta de rústicos desejos; o que se compreende por fraternidade não existe de fato, somente a meu ver, e em parte, naquela união de homens com seus esquadros e templos. Se não compreendemos nosso vizinho, na mesa da taverna, compreenderemos o que não entende nosso dialeto? Ou o estrangeiro, que costura sua vida na esperança, e é escravo em nossas terras? Navegue até aqui, repartirei o néctar sagrado, abrirei suas opiniões nas antigas vinhas, zelarei por sua história sem fé cega, em tempestades necessárias.
Por Eliéser Baco

terça-feira, 3 de abril de 2012

Uma corrida - Edgar Allan Poe

"Eu mesmo não vi o torneio; pouco me interesso por proezas de força mereramente física, ou de agilidade, quando desempenhadas por seres racionais.

A velocidade de um cavalo é sublime - a de um homem, ridícula. Eu sempre me pego imaginando como ele poderia ser rapidamente derrotao por um burro."

Poe, sobre uma corrida.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional