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terça-feira, 15 de maio de 2012

Alegro ma non troppo.



             Ensaio sorrisos diante do espelho. Por vezes olhares. Não é teatro, é uma forma de ser menos rude, menos, digamos, bem... rude, mas no sentido de grotesco. Meu caminhar às vezes treme. O joelho sabe... o esquerdo. Estava a olhar os carros há pouco. As cores das lanternas dianteiras, traseiras, luminárias antigas convivendo com as novas luzes do caminho. Ruas antigas mesclando pedras e asfalto. É um convergir sem tato, é um convergir silencioso. Identifico-me com isso. Não consigo escrever início de frase com o "Me" na frente. Não consigo me adequar a isso, mas, com  o tempo quem sabe. O bom penso que seja esse meu tentar... um menino não deixa a mãe conversar com alguém ao telefone. No meu tempo só o olhar bastaria para calar. O menino chuta a mãe, sua canela sabe... tênis de super-herói. É um convergir de fases e ciclos e ruas e caminhos e luminárias antigas e modo de controlar a febre alheia que me sinto alegre mas não demasiado.

 O silêncio quando minha porta abre e eu entro é constrangedor ás vezes. Dou risada da forma como eu organizo certas coisas. Livros, filmes, revistas. Bagunçado. Até meus cabelos são bagunçados, minha barba, isso diz muito dos meus livros. Ideias tenho muitas para arrumar tudo diferentemente. Mas sabe como é. Sabe? Então não preciso me esforçar para explicar... sorria sim eu me identifico com sorrisos em textos que se leem por aí. Sabe aquelas frases sem pontuação por licença poética do autor para dar a sensação de que a frase é quase uma conversa realmente sem ar a tagarelar sob a existência? Sobre a existência, contudo e, principalmente. 

Quando saí da rua das luminárias antigas o menino ainda choramingava e sua mãe ainda tentava aconselhar alguém ao telefone. Algo sobre comida e enxaqueca penso eu...



Quem sabe algumas conversas tendam a convergir para espantar a solidão... uma ideia um pouco diferente mas que calha de parecer igual para espantar a solidão.. já percebi alguém querer estar alegre mas não demasiado em conversas alheias e minhas. Talvez por isso eu esteja sozinho, ou me sinta assim tão.



Daqui um pouco voltarei na rua das luminárias antigas. Olharei lanternas, cores, tentarei catar o vento com a ponta dos dedos e alguma poesia no despenhadeiro do meu olhar. Que alguma emoção de fora tente convergir ao centro de minha circunferência. Essa e aquela ação quer resultar em ser alegre mas não demasiado. Olhe ali, embaixo da luminária aqui de casa, achei aquele livro antigo e tão meu.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Tirarei do Blog


Boa noite amigos.

       Preparando o término do meu livro, escrito e reescrito nos últimos tempos, tirarei do blog primeiramente os textos de Zorzi, em seguida os de Santino. 

Eu já havia feito isso com os textos de "Mr. Chivalry", onde contava sobre Leon Chivalry e seus amigos, chamados de Invernais. Creio que sempre existirão personagens fixos dentro dos textos que faço para o blog, e muitos deles, esses três inclusive eram somente para o blog; felizmente tiveram um vulto mais interessante pra mim e por isso foram convidados a embarcarem no meu primeiro livro. Personagens aceitaram e então deixarão o convívio virtual para depois estarem todos juntos dentro do material físico da edição. 

Algumas pequenas mudanças nos capítulos mais confusos estou lapidando para deixar aptos para uma melhor apreciação no livro. Espero sinceramente que os meus 88 seguidores tenham acesso ao livro e possam me dar a resposta se foi uma boa leitura ou não. Sinceramente são os 88 e mais alguns amigos que me motivam junto com meu amor pela arte a continuar a tecer mais de minha alma em cada frase e cada personagem. 

Espero que compreendam a retirada dos textos. Sei também que não são nenhum maremoto para eu me condoer tanto. (hehe)
Zorzi ficará até este final de semana, e Santino até o fim do mês conosco, aqui no Vinho da Vida.

Abraço no coração de cada um.

Eliéser Baco

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Bisavó e Morfeu

    
           Minha bisavó dormia tranquila, como um vento nórdico embala o sono do mar polar. Na noite tremendamente escura, pios de aves soturnas, madrugada profunda e silenciosa, o trinco raiou seu sonar.

Passos esguios, mãos nos cabelos acizentados dela, de repente, como bote de serpente, estapeada e puxada como a fúria da caldeira infernal.

Desesperada ela grita ao bisavô, que sonâmbulo babava seu pestanejar:

_Peraê, ladrão filhudaputa, deixa eu abrir os olhos!!!

E os golpes no ar duraram até Morfeu, imenso, rijo, puxá-la de volta, moldando novamente seu descanso.
Que meus bisnetos me vejam diferentemente.

Origens parte 7 de 7

ILUSÃO COMPARTILHADA
VII
            Partimos nós, em intensidade, rumo aos mais distantes pensamentos sobre o que nos faz humanos, sobre os processos cognitivos e as faculdades mentais, essas que elaboram atrocidades, desvarios e desmandos. Humanos somos, e por isso, selvagens mais que tudo, pois, a consciência nos permite elevar a níveis inimagináveis o pior do homem. Nossa indisfarçável incompetência em dividir o mesmo espaço sequer nos permite criar uma verdadeira unidade, pois que nossas diferenças nos oprimem e separam. Toda união total é mera ilusão. Será pessimismo? Venerável, não há espaço para todos, e os conflitos são intermináveis. Se há saída para o círculo vicioso, mostre-nos, como Venerável Líder de um povo desencontrado.

Por Fabiano Queiroz.

            Caríssimo, embora discordemos opiniões, manifestamos continuado diálogo. De ilusão sempre fomos cercados. Da brusca caminhada em direção aos pólos, aos ares, às pernas de uma Srta de rústicos desejos; o que se compreende por fraternidade não existe de fato, somente a meu ver, e em parte, naquela união de homens com seus esquadros e templos. Se não compreendemos nosso vizinho, na mesa da taverna, compreenderemos o que não entende nosso dialeto? Ou o estrangeiro, que costura sua vida na esperança, e é escravo em nossas terras? Navegue até aqui, repartirei o néctar sagrado, abrirei suas opiniões nas antigas vinhas, zelarei por sua história sem fé cega, em tempestades necessárias.
Por Eliéser Baco

domingo, 6 de maio de 2012

Memorial de Aires - Machado de Assis



Trecho:

"De quando em quando, ela e o marido trocavam as suas impressões
com os olhos, e pode ser que também com a fala. Uma só vez a
impressão visual foi melancólica. Mais tarde ouvi a explicação a mana
Rita. Um dos convivas, — sempre há indiscretos, — no brinde que lhes
fez aludiu à falta de filhos, dizendo "que Deus lhos negara para que
eles se amassem melhor entre si". Não falou em verso, mas a idéia
suportaria o metro e a rima, que o autor talvez houvesse cultivado em
rapaz; orçava agora pelos cinqüenta anos, e tinha um filho. Ouvindo
aquela referência, os dois fitaram-se tristes, mas logo buscaram rir, e
sorriram. Mana Rita me disse depois que essa era a única ferida do
casal. Creio que Fidélia percebeu também a expressão de tristeza dos
dois, porque eu a vi inclinar-se para ela com um gesto do cálice e
brindar a D. Carmo cheia de graça e ternura:

— À sua felicidade.

A esposa Aguiar, comovida, apenas pôde responder logo com o gesto;
só instantes depois de levar o cálice à boca, acrescentou, em voz meio
surda, como se lhe custasse sair do coração apertado esta palavra de
agradecimento:

— Obrigada.

Tudo foi assim segredado, quase calado. O marido aceitou a sua parte
do brinde, um pouco mais expansivo, e o jantar acabou sem outro
rasto de melancolia.

De noite vieram mais visitas; tocou-se, três ou quatro pessoas jogaram
cartas. Eu deixei-me estar na sala, a mirar aquela porção de homens
alegres e de mulheres verdes e maduras, dominando a todas pelo
aspecto particular da velhice de D. Carmo, e pela graça apetitosa da
mocidade de Fidélia; mas a graça desta trazia ainda a nota da viuvez
recente, aliás de dois anos. Shelley continuava a murmurar ao meu
ouvido para que eu repetisse a mim mesmo: I can give not what men
call love."

Machado de Assis - Memorial de Aires.
...................

Wikipedia:
Memorial de Aires é o último romance escrito por Machado de Assis, publicado no mesmo ano de sua morte, 1908. Está organizado como uma série de entradas em um diário e, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, não tem um enredo único, mas compõe-se de vários episódios e anedotas que se interpermeiam.

Memorial de Aires, o último livro escrito por Machado de Assis. É considerado pelos críticos, como a obra mais azeda a ser escrita por ele, pois contém alguns elementos de pessimismo. O livro é uma possível continuação do livro Esaú e Jacó, pois o personagem Aires participa da história, anotando em seu caderno, tudo que se passa em sua vida; dando continuidade em Memorial de Aires em que o próprio personagem relata seu dia-a-dia em um caderno.

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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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