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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Bueiro social, labirinto emocional.

        Todos somos párias dentro da sociedade dependendo do olhar que nos alcança. Mesmo aristocratas podem estar na margem diante do olhar do senso comum. Já se compra o aceite puro simples? Mesmo do pária?

Talvez, penso eu. Em uma sociedade consumista tudo pode ser vendido. E um pária pode comprar seu lugar.  Mas o foco é outro. É o primeiro filme da trilogia Millenium. O primeiro desde a produção sueco-dinamarquesa, que data de 2009.  Os párias percorrem o  filme; o que investiga, a família investigada - ainda que aristocrata, a jovem Lisbeth Salander, investigadora retratada como dificilmente sociável.

O lugar do olhar sensivelmente humano perde algo com os desvios de comportamento? Olhar puramente sensível ao que nos ronda pode ser associado a algo artístico como a algo doentio. Assim o pareceu sempre. Depende de quem conta e com qual intenção.  Uma frase omitida quando contamos algo pode afundar o parecer a algo negativo ou fazer florescer o caminho se adjetivarmos no momento correto.

Assim como "Deixe Ela Entrar" e "A origem", Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres - está pra mim como um dos ótimos filmes que assisti. O primeiro citado,  na versão sueca, por favor. Todos os personagens principais destes três filmes são párias. E comove descobrir cada nuance que os faz ser assim. Cada detalhe do assombro que nos causará a solidão de cada um. Existe portanto a comoção por algo ou alguém que precisamos ver salvos, o menino Oskar e a vampira Eli; o criminoso Dom Cobb; a investigadora Lisbeth.

É um rio confundido a vida deles. É um labirinto transformado a emoção deles. É um bueiro que respiramos a sociedade.

O que nos acentua a proximidade com as vidas retratadas é a compaixão ou o espelhamento? 


sábado, 16 de junho de 2012

Olhos castanhos, bairro redondo.


"There is nothing you can do because there is no solution
You gotta get down to the noise and confusion
Out of our minds on the stage" - Beady Eye

Não há nada que você possa fazer, por que não há solução
Você tem que entrar no barulho e na confusão

Fora das nossas mentes no palco.
O sol brilha nas mãos.
O sal funde entranhas.
Olhos redondos buscam o som.
Filhos de algo nos arredores...
Da arte, daquela arte britânica
que funde som nas entranhas com o sol de nosso sorriso.
O sol ruma no apelo de uma alma, 
só clama a guitarra e a pele dos lobos das estepes.
Olhos redondos nos arredores do palco. No som fundido de teclas e cordas e saliva.
Cuspa nos políticos. Escreva aqueles versos para alguém. Situe sua capacidade e o que almeja.
Suar no sol que vem das mãos da sua preferida. Mordidas nos rastros do sábado.
O sol brilha nas mãos. Não são poemas que me indicam o caminho, é a poesia do meu olhar ao mundo que o faz. Mundo, mundo vasto mundo de Drummond... que se esvai em ganância, poder e o que mais?  Cuspa nos políticos. O sol ruma ao convés de minh'alma.
O lorde corsário saiu da Inglaterra e morreu na Grécia. Arte Britânica que fundia poemas e entranhas nos arredores da alma, do olhar estranhado e manco perante o mundo.  O sol ruma ao convés de minh'alma.

Só visto minha pele de lobo, luxurioso, mas, há sinceridade nos meus olhos redondos. Sou filho dos arredores, sou o canto dos arredores. O sol brilha nas mãos dela e ruma ao convés de minha alma.
Eliéser Baco. 
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional