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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Beady Eye - Wigwam

Muito bom!
Site oficial: http://www.beadyeyemusic.com/

"
Venha pra onde eu possa ver
Caminho além das estrelas
Então meus amigos, o que tem aqui pra mim?
Abra seus braços"

Enquanto espero...

Sucessão de sensações agradáveis. Daquela harmonia preferida cacos da janela estão no chão. Uns dias e umas noites mais de espera... emitir e receber oscilações. Um vulto de reciprocidade passou perto da porta.

Umas semanas e uns meses mais enquanto espero... a moeda girada no ar cai de pé toda vez. Não existe sorte nessa esfera de pensamento e ação, reflexão e consequências. A sorte seja talvez errar o mínimo possível com menos intensidade quanto conseguir ser inteligente. Eis a questão portanto.

Li tantas cartas endereçadas ao meu coração. Abri tantos envelopes destinados ao meu entendimento.
Errei..
É fato.

E nenhuma frase poética e interessante pode execrar isso. Expurgar isso.
O estado das coisas é assim mesmo agora. Dois olhares tentam ajustar a mesma frequência. A qualidade de seleção dos receptores é ótima. Parece um algo destemido demais lembrar daquela sucessão de sensações agradáveis. Até o fatídico tropeço e a cara na lama dos meus piores dias.

Li tantas cartas endereçadas ao meu coração que adoraria que os olhares ajustassem a mesma sintonia. Umas semanas e uns meses mais enquanto espero o vulto de reciprocidade voltar a caminhar junto de nossas mãos unidas. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ouvi do vento

       Terno amigo, contou-me quando eu caminhava por ruas escuras e ele deglutia em galhos e frestas de janelas o que da vida trazia. Que uma poetisa rascunhava no chão de sua morada versos que ela queria esquecer. Paredes ainda intactas mas o chão de sua morada, devidamente impregnada com palavras duras.

Pedidos de um retorno aquilo que ela poderia ter sido em certo momento da vida. Pedidos urgentes que os descaminhos de qualquer bússola trouxesse um agir para matar um pouco dela em outro alguém. Ouvi atento, segurando os braços contra o peito, no calafrio que a voz do vento faz no pano de linho.

Por fim, pediu minha palavra, ficou apenas tecendo brisa num pequeno redemoinho junto ao muro, a me ouvir. Cabisbaixo instantaneamente precisei trazer para perto um pequeno galho caído. Mirei luminárias bem acima de minha cabeça. Disse que o tempo é maior aliado das confidências destinadas ao passado, e que o tempo que ela pedia numa bússola seria o tempo do acerto de algumas pendências. Matar um pouco do outro em nós é transtornar uma chance de algo melhor, tentei dizer mais alto. Se renovar no nado que a vida, oceano imenso, pede, é mergulhar primeiramente em si próprio e sair do outro lado, no peito ou na lágrima que alguém sinceramente derramou.

O redemoinho cessou para voltar a balançar galhos. Ouvi do vento sobre infantilidade do amor, do romantismo que pode se transbordar em falta de certa praticidade na vida contemporânea. Que a tal poetisa precisaria de minhas palavras e de meus conselhos muito próprios e cheios de identidade. Que o pêndulo igualitário e equilirado de um dizer é como uma bússula certa vezes. 

Neguei-me prontamente. Quem pode bater a porta de um estranho e dizer que foi a pedido do vento? Quem pode interferir no chão de qualquer pessoa e seus versos?

Ele bradou: o amor. O amor pode. O amor próprio, o amor por outrem. Disse eu então: Eu não sou o amor caro vento... ele retrucou instantaneamente fazendo minha nuca gelar. "Tem traços da compaixão, que é prima dos melhores sentimentos. Vá então por mim, caríssimo". E eu não fui em suma, não ainda. Irei?  

Bater a porta de uma poetisa, talvez insana, como tantos deles são... Bater e esperar que abra e me peça descabelada uma bússola, ou o chá das cinco em bandeja de prata. Irei, já sei, com um balde com pouco de cimento e direi: Concrete um pouco bem fundo no peito que passa.
Irei?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Nosso Mundo - Florbela Espanca



Eu bebo a vida, a vida, a longos tragos 
Como um divino vinho de Falerno! 
Pousando em ti o meu olhar eterno 
Como pousam as folhas sobre os lagos...
Os meus sonhos agora são mais vagos... 


O teu olhar em mim, hoje, é mais terno... 
E a vida já não é o rubro inferno 
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu amor, quero vivê-la! 

Na mesma taça erguida em tuas mãos, 
Bocas unidas, hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?... 

Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?... 
O mundo, amor! ... As nossas bocas juntas!...


L.C.

O cúmulo da provacação é apreciar ser provocado. Estar treinado o suficiente para reagir moralmente.
Conhecer os deslumbres de um dia quente com palavras que o esfriam calmamente.

Olhar o quadro de um momento com uma certa raiva e propensa chance de caça. Caçar os rumos da arte, obviamente.

Digerir.
Digerir e digerir.

Parcas palavras musicais e um estômago forte.
O cúmulo de se conhecer é apreciar adentrar em certos labirintos.

 - Leon Chivalry deixou a pena e o papel no chão, e seguiu caminho.-


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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional