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domingo, 16 de setembro de 2012

Morangos Silvestres (1957)

         Existem filmes que são jóias. Raras ou não nos surpreendem e fazem brilhar a noite sem estrelas. Neste filme do mestre Ingmar Bergman um professor aposentado esta prestes a receber um título honorário na cidade de Lund, trata-se do médico de 78 anos Eberhard Isak Borg, vivido pelo ator Victor Sjöström.

A viagem do professor seria de avião, mas após um sonho estranho prefere ir de carro. Decide acompanhá-lo sua nora, Marianne. Aos poucos temos contato com a visão de alguns sobre o médico Isak. Tem palavras que afirmam ter sido ditas pelo professor que ele se vê surpreendido ao ouvir, mas, acredita ser até possível. 

Isak viaja 15 horas de carro convencido de que é melhor. Aos poucos recordações do passado e situações vividas no caminho o colocam de frente a sua trajetória até ali.

É um mergulho no coração do homem. 
Em uma cena, no carro guiado neste momento pela nora, Marianne, o personagem do professor reflete para si mesmo:

"Dormi, mas fui atormentado por sonhos e imagens que me pareciam tangíveis e humilhantes. Havia algo muito forte nestas imagens que penetrou em minha mente com muita determinação." - E então depois disso vemos as tais imagens citadas, o próprio professor, velho, conversando com uma jovem mulher de seu passado.

O impacto de certas situações que vem durante a vida podem desviar alguns de certo sentido até então muito bem traçado mentalmente. Ainda assim, mesmo que meticulosamente forjado na praticidade, anos e anos depois mente e coração parecem não dialogar na mesma direção. Parece uma certa amargura corroendo o que os olhos viram e veem. Filmes de Ingmar Bergman tem estilo e um pulsar, independente do tema. Quando percebemos o professor Isak Borg adentrando portas e corredores, sendo guiado por momentos do seu passado, já estamos imersos no olhar do personagem, já estamos ali com ele, visitando suas emoções, tênues, abruptas, mas importantes emoções. Indico essa película em preto e branco, repleta do melhor do cinema do século passado.

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Prêmios do Filme:
Festival Internacional de Berlim (1957) - Urso de Ouro de Melhor Filme.
Globo de Ouro (1960) - Vencedor de Melhor Filme Estrangeiro.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional