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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Lucila Maria

Lamento profundamente queridíssima.
Um riso teu ecoava ao longe, risada amável,
Colo que tanto minha infância zelou...
Indo por meus caminhos, minha avó caríssima,
Levei comigo tua fé, por demais inabalável,
Amor estupendo que dos céus, Deus te confiou.

Minha segunda mãe, vovozinha aconchegante,
Apreço não me falta, lágrimas transbordam,
Riso teu no céu será mais que cintilante,
Indo por meus caminhos, saudades me acordam
A dor revela o amor que Deus nos confiou.

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Lucila Maria - 30/01/1933 - 14/04/2013.

.........

O choro mais doído, as palavras mais doídas, o dia mais triturado do sentimento mais zeloso e bondoso. Uma honra pertencer ao núcleo familiar que vim ao mundo. O caráter, o amor, a confiança, o chocolate alpino, o canto, as risadas, as bochechas, o penteado, a simplicidade da minha segunda mãe, minha segunda mãe! E eu nunca desrespeitei, nunca maltratei; quando pude, estive lá, mas, perdoe minha ausência minha avó queridíssima, sabes bem do amor que sempre manifestei. Sábado foi a última vez que ouvi teu maravilhoso "Deus te abençoe, meu filho!", e o tom da voz, a nobreza das palavras, o amor adornado em cada respiração, nunca, nunca esquecerei minha vovozinha amada, minha segunda mãezinha.

Aqui fica um homem atingido duramente, que honrará sempre teus nobres valores, tua enorme fé ainda que diante das piores circunstâncias. Um enorme e estalado beijo nas bochechas mais fofas do meu mundo.  

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Travis - Sarah

Essa banda sempre estará entre minhas favoritas.

domingo, 7 de abril de 2013

A Divina Comédia - Canto I - Parte 4 de 4

"Será da humilde Itália amparo forte,
     Por quem Camila a virgem dera a vida,
     Turno, Eurialo, Niso acharam morte.

"Por ele, em toda parte, repelida,
     Irá lançar-se no inferno assento,
     Donde foi pela Inveja conduzida.

"Agora, por teu prol, eu tenho o intento
     De levar-te comigo; ir-te-ei guiando
     Pela estância do eterno sofrimento,

"Onde, estridentes gritos escutando,
     Verás almas antigas em tortura
     Segunda morte a brados suplicando.

"Outros ledos verás, que, em prova dura
     Das chamas, inda esperam ter o gozo
     De Deus no prêmio da imortal ventura.

"Se lá subir quiseres, um ditoso
     Espírito, melhor te será guia,
     Quando eu deixar-te ao reino glorioso.

"Do céu o Imperador, a rebeldia
     Minha à lei castigando, não consente
     Que eu da cidade sua haja a alegria.

"Em toda parte impera onipotente,
     Mas tem no Empíreo sua augusta sede:
     Feliz, por ele, o eleito à glória ingente!"

_  "Vate, rogo-te" - eu disse - "me concede,
     Por esse Deus, que nunca has conhecido,
     Por que este e maior mal de mim se arrede,

"Que, até onde disseste conduzido,
     À porta de São Pedro eu vá contigo,
     E veja os maus que houveste referido".
Move-se o Vate então, após o sigo.

A Divina Comédia - Canto I - Parte 3 de 4

"Mas por que tornas da tristeza ao meio?
     Por que não vais ao deleitoso monte,
     Que o prazer todo encerra no seu seio?

"_ Oh! Virgílio, tu és aquela fonte
     Donde em rio caudal brota e eloquencia?"
     Falei, curvando vergonhoso a fronte. -

"Ó dos poetas lustre, honra, eminência!
     Valham-me o longo estudo, o amor profundo
     Com que em teu livro procurei ciência!

"És meu mestre, o modelo sem segundo;
     Unicamente és tu que has-me ensinado
     O belo estilo que honra-me no mundo.

" A fera vês, que o passo me há vedado;
     Sábio famoso, acude ao perseguido!
     Tremo no pulso e veias, transtornado!"

Respondeu, do meu pranto condoído:
     "Te convém outra rota de ora avante
     Para o lugar selvagem ser vencido.

"A fera que te faz bradar tremante,
     Aqui passar não deixa impunemente;
     Tanto se opõe, que mata o caminhante.

"Tem tão má natureza, é tão furente,
     Que os apetites seus jamais sacia,
     E fome, impando, mais que de antes sente.

"Com muitos animais se consorcia,
     Há-de a outros se unir té ser chegado
     Lebreu, que a leve à hórrida agonia.

"Por ouro ou por poder nunca tentado
     Saber, virtude, amor terá por norte,
     Sendo entre Feltro e Feltro potentado.


terça-feira, 2 de abril de 2013

A Divina Comédia - Canto I - parte 2 de 4

A tais primores movimento há dado.
     me infundiam desta arte alma esperança
     da fera o dorso alegre e moqueado,

A hora amena e a quadra doce e mansa,
     de um leão de repente surge o aspecto,
     que ao meu peito o pavor de novo lança.

Que me investisse então cuido inquieto;
     com fome e raiva atroz fronte levanta;
     tremer parece o ar ao seu conspeto.

Eis surge Lôba, que de magra espanta;
     de ambições todas parecia cheia;
     foi causa a muitos de miséria tanta!

Com tanta intensa torvação me enleia
     pelo terror, que o cenho seu movia,
     que a mente à altura não subir receia.

Como quem lucro anela noite e dia,
     se acaso o tempo de perder lhe chega,
     rebenta em pranto e triste se excrucia,

A fera assim me fez, que não sossega;
     pouco a pouco me investe até lançar-me
     lá onde o sol se cala e a luz me nega.

Quando ao vale eu já ia baquear-me
     alguém fraco de voz diviso perto,
     que após largo silêncio quer falar-me.

Tanto que o vejo nesse grão deserto,
     - "Tem compaixão de mim" - bradei
                                                  [transido -
     Quem quer que sejas, sombra ou homem
                                                   [certo!"

"Homem não sou" - tornou-me - "mas hei sido
     pais lombardos eu tive; sempre amada
     mântua lhe foi; haviam lá nascido.

"Nasci de Júlio em era retardada,
     vivi em Roma sob o bom Augusto.
     Quando em deuses havia a crença errada.

"Poeta, decantei feitos do justo
     filho de Anquises, que de Tróia veio,
     depois que Ilion soberbo foi combusto.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A Divina Comédia - Canto I - parte 1 de 4




Da nossa vida, em meio da jornada,
    achei-me numa selva tenebrosa,
    tendo perdido a verdadeira estrada.

Dizer qual era a cousa tão penosa,
     desta brava espessura a asperidade,
     que a memória a relembra inda cuidosa.

Na morte há pouco mais que acerbidade;
     mas para o bem narrar lá deparado
     de outras cousas que vi, direi verdade.


Conta não posso como tinha entrado;
      tanto o sono os sentidos me tomara,
     quando hei o bom caminho abandonado.

Depois que a uma colina me cercara,
     onde ia o vale escuro terminando,
     quando pavor tão profundo me causara.

Ao alto olhei, e já, de luz banhando,
     vi-lhe estar às espaldas o planeta,
     que, certo, em toda parte vai guiando.


Então o assombro um tanto se aquieta,
     que do peito no lago perdurava,
     naquela noite atribulada, inquieta.

E como quem o anélito esgotava
     sobre as ondas, já salvo, inda medroso
     olha o mar perigoso em que lutava,

O meu ânimo assim, que treme ansioso,
     volveu-se a remirar vencido o espaço
     que homem vivo jamais passou ditoso

Tendo já repousado o corpo lasso,
     segui pela deserta falda avante;
     mais baixo sendo o pé firme no passo.

Eis a subida quase ao mesmo instante
     assoma ágil e rápida pantera
     tendo a pele por malhas cambiante.

Não se afastava de ante mim a fera;
     e em modo tal, meu caminhar tolhia,
     que atrás por vezes eu tornar quisera.


- Dante Alighieri.-



A Divina Comédia; em italiano: Divina Commedia.
Originalmente Comedia, mais tarde batizada Divina, por Giovanni Boccaccio.
Poema épico, dividido em três partes: Inferno, Purgatório, Paraíso.
O poema chama-se Comédia não por ser engraçado mas porque termina bem. Era esse o sentido original da palavra comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens.

Fonte: Wikipedia

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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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