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terça-feira, 2 de abril de 2013

A Divina Comédia - Canto I - parte 2 de 4

A tais primores movimento há dado.
     me infundiam desta arte alma esperança
     da fera o dorso alegre e moqueado,

A hora amena e a quadra doce e mansa,
     de um leão de repente surge o aspecto,
     que ao meu peito o pavor de novo lança.

Que me investisse então cuido inquieto;
     com fome e raiva atroz fronte levanta;
     tremer parece o ar ao seu conspeto.

Eis surge Lôba, que de magra espanta;
     de ambições todas parecia cheia;
     foi causa a muitos de miséria tanta!

Com tanta intensa torvação me enleia
     pelo terror, que o cenho seu movia,
     que a mente à altura não subir receia.

Como quem lucro anela noite e dia,
     se acaso o tempo de perder lhe chega,
     rebenta em pranto e triste se excrucia,

A fera assim me fez, que não sossega;
     pouco a pouco me investe até lançar-me
     lá onde o sol se cala e a luz me nega.

Quando ao vale eu já ia baquear-me
     alguém fraco de voz diviso perto,
     que após largo silêncio quer falar-me.

Tanto que o vejo nesse grão deserto,
     - "Tem compaixão de mim" - bradei
                                                  [transido -
     Quem quer que sejas, sombra ou homem
                                                   [certo!"

"Homem não sou" - tornou-me - "mas hei sido
     pais lombardos eu tive; sempre amada
     mântua lhe foi; haviam lá nascido.

"Nasci de Júlio em era retardada,
     vivi em Roma sob o bom Augusto.
     Quando em deuses havia a crença errada.

"Poeta, decantei feitos do justo
     filho de Anquises, que de Tróia veio,
     depois que Ilion soberbo foi combusto.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional