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domingo, 25 de agosto de 2013

Fernando Pessoa & Manoel de Barros

Nevoeiro - Fernando Pessoa.

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

                                       Valete, Fatres.

.............


21 - (Da Segunda Parte do Caderno de Aprendiz) - Manoel de Barros.


Eu bem sabia que a nossa visão é um ato poético do olhar.
Assim aquele dia eu vi a tarde desaberta nas margens do rio.

Como um pássaro desaberto em cima de uma pedra na beira do rio.
Depois eu quisera também que a minha palavra fosse desaberta na margem do rio.

Eu queria mesmo que as minhas palavras fizessem parte do chão como os lagartos fazem.
Eu queria que minhas palavras de joelhos no chão pudessem ouvir as origens da terra.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional