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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

As vozes do discurso

São tantas vozes, tantas informações. "Ele não tem interesse em mim, nem tem porque ter." Disse a mulher. O que segura a afirmação dela poderia ser embasada por atitudes do tal "ele". Até tentei entender a situação toda. O que importa é que me seguro no olhar dela para continuar. No meio social de hoje, não é mais um telefone que pode desenterrar um discurso antigo. Ou um encontro do acaso no cinza da capital cosmopolita. Um email, uma mensagem na rede social basta. Ainda que anônimo, ainda que na berlinda de uma sutileza inbox tamanha. A mulher disse em tom firme que ele não teria interesse algum nela, e nem teria porque tê-lo. E o carregamento de informações chega vez por outra na estação mensal. Um parabéns numa data bacana, uma falta de parabéns num dia importante. É assim que podemos colher informações diminutas com detalhes severos de verdadeiros. Há até quem suspire antes de uma curtida facebookiana.

Ela caminhava protegendo-se do frio, segurando sua bolsa preta perto do corpo. As botas repicavam firme no piso feio e sujo da estação de metrô. Ele não tem interesse em mim, nem tem porque ter depois do que aconteceu. E um zumbido de vento assentia, no aviso da tempestade de todas as relações, de todas as estações.
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Resolvi escrever o texto acima por vários motivos. Um deles é ter me deparado com uma edição de Para Gostar de Escrever, da Editora Ática, de Faraco & Moura. Edição de 1984, ou seja, eu tinha 6 anos. Tenho alguns livros antigos de minha época de escola, esse, propriamente, nem deve ter sido meu, deve ter sido de minha irmã. Lembro dele por perto das coisas dela na longínqua infância. Acima, é um exercício proposto pelo livro. Como gosto de me propor desafios quando quero escrever algo, por pior que seja o texto final, quis desatinar na direção da várias vozes e vários pensamentos que percorrem toda uma situação de dúvida sobre o comportamento humano. Tudo feito tem como base o comportamento humano. Por isso é tão interessante e tão complexo e tão estudado. Um simples diálogo com a pessoa bem-amada pode revolver questões tolas pra um, severas de verdadeiras pra outro. E na severidade sincera de um olhar firme e tamanho, que percorremos nossos caminhos, sozinhos, acompanhados, em confraternização com nós mesmos, amigos, familiares etc. Pra mim sempre foi importante a companhia de uma boa leitura, independentemente de qualquer coisa, para me despertar para um esboço de escrita que pudesse me fazer um pequeno tanto melhor, como leitor e possivelmente escritor, com uma certeza inabalável, que, em nós, existe uma infinidade de discursos e vozes; gostando ou não de ler, escrever ou de viver, a atitude diante dos fatos e fotos, e a capacidade de nos reencontrarmos com nós mesmos, é que reverberá o que realmente somos.  
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Texto e fotos: Eliéser Baco.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O Estreito

Caminhar pela noite sem farol. Iluminado por pensamentos vagões. Retrato em preto e branco da metrópole quando a luminária se liga sozinha. O cotidiano é o estreito que se abre nas sombras. Tudo na mente é um caminho perfilado de febre. A cidade é cinza, as pessoas são cinza. Nada nos salva. Tudo é um espetáculo encenado para que nos consumamos: uns aos outros, nós a nós mesmos. Tudo se vale do níquel, da prata, do ouro, da mentira, do engodo, de quem vai fecundar quem!, de quem vai se valer dos corpos para alcançar as metas sóciossexuais, 
psicopolíticas, 
espetáculoeconômicas. Sem gramática, sem novas regras, com velhas armas químicas e de etiqueta. Tudo isso me veio... Olhando as últimas lanternas da noite, e eu no estreito fundo da sombra, entre o verde, o amarelo, o laranja e as macieiras podres na sociedade espetacularmente do espetáculo. O azul estava no alto, mas não representava céu algum. As estreitas camadas de sombras, de escuridão, são e sempre serão as íntimas verdades, aquelas que ninguém deixa escapar para fora das narinas, das pontas dos dedos e dos olhos.


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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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