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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Manual Geral de Redação - Folha de S. Paulo - Edição de 1987.-

Sempre fui ávido por aprender a ler. Recordo que com quatro anos, mais ou menos, com os gibis preferidos em mãos, inventava diálogos curtos com as imagens. Minha irmã, quatro anos mais velha, só lia e muito contrariada, quando nossa mãe assim ordenava. Ao aprender a ler, anotava rótulos, de vinho ao vinagre, e ia confirmar o acerto com minha mãe. Quando podia ter mãos os livros de meu pai, ficava sempre curioso a saber o que lhe chamava atenção, dentre temas e assuntos.
Por isso que reencontrar uma edição de 1987, pertencente a meu pai, que mora bem longe de mim, me deu tanto gosto. A recordação não do livro em si e tão somente. Ou da capa e suas linhas e alguns pareceres. A edição remonta minha curiosidade de entender, e 1987 tinha eu 9 anos, a razão dele meu pai ter em seu acervo o tal MANUAL GERAL DE REDAÇÃO – FOLHA DE SÃO PAULO – 2ª EDIÇÃO REVISTA E AMPLIADA.-

Em suma, o pertencer do tal livro é algo muito mais profundo do que uma folheada para tirar dúvidas. Sempre quis escrever bem. Ainda tenho dúvidas sobre ter alcançado meramente a meta. Estimulado fui, inclusive pela edição de 1987 nos idos do referido ano. Os pais são o norte emergencial na educação. Ainda que meus pais não fossem educadores, preocupados estavam e sempre estiveram em dar liberdade de ação com minhas propostas de recortar gibis e revistas e eu mesmo montar minhas estórias, e me dar minimamente, com as possibilidades financeiras que dispunham, do bom norte dos livros didáticos, ou não didáticos.
Pois bem. Pois sim. A comentar agora sobre uma parte do livro reencontrado.

 Página 58
Reunião de Produção (Capítulo ESTRUTURA DA FOLHA)
 - É realizada todos os dias às 9h30. Dela participam representantes da Direção de Redação, da Coordenação da Agência, das editoriais, da Editoria de Fotografia, da Coordenação de Especiais e da Coordenação de Sucursais. Nela são discutidos os principais assuntos do dia, definidas prioridades de cobertura, acertado o enfoque que se vai dar a cada pauta prioritária. É feito um resumo do que foi decidido, pelas “Prioridades da Secretaria”. Os repórteres especiais têm acesso a essa reunião.”


Página 128
Colocação de pronomes
Geralmente o pronome átono (me, se, lhe, a, as, os, lhes) é usado na frente do verbo. Exemplos: “Ele me falou”, “não me fale”, “quero que me diga”. Atualmente o pronome é colocado antes do verbo haja ou não uma palavra que o atraia (pronome relativo, negações etc). Mas em pelo menos um caso usa-se o pronome depois do verbo: início de oração. O pronome no meio do verbo – mesóclise (“dir-lhe-ei”) – usado com formas do verbo no futuro, não é mais empregado no jornal. Com o verbo no futuro usa-se o pronome na frente do verbo (“se transformaria”) ou, no  caso de locuções, o pronome solto no meio dos dois verbos (“teria se transformado”). Nunca usar, por exemplo, “teria-se transformado”.”


Os caminhos dos livros por minhas mãos. Os trajetos das ideias dentro de minha história. Os rumos de cada passo do guri em direção ao homem que seria. Por isso que adoro as recordações dos livros que possuo, e dos pertencimentos que me foram destinados. 


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O que é comunicação? - Bordenave, Editora Brasiliense.

Do Grunhido ao Satélite

       Assim como cresce e se desenvolve uma grande árvore, a comunicação evoluiu de uma pequena semente - a associação inicial entre um signo e um objeto - para formar linguagens e inventar meios que vencessem o tempo e a distância, ramificando-se em sistemas e instituições até cobrir o mundo com seus ramos. E não contente em cobrir o mundo, a grande árvore já começou a lançar seus brotos à procura das estrelas.


    A comunicação humana tem um começo bastante nebuloso. Realmente não sabemos como foi que os homens primitivos começaram a se comunicar entre si, se por gritos ou grunhidos, como fazem os animais, ou se por gestos, ou ainda por combinações de gritos, grunhidos e gestos.
 Durante bastante tempo discutiu-se a origem da fala humana. Alguns afirmavam que os primeiros sons usados para criar uma linguagem eram imitações dos sons da natureza: o cantar do pássaro, o latido do cachorro, a queda d'água, o trovão. Outros afirmavam que os sons humanos vinham das exclamações espontâneas como o "ai" da pessoa ferida, o "ah" de admiração, o "grrr" da fúria.

       Nada impede que se pense também que o homem primitivo usasse sons produzidos pelas mãos e os pés, e não só pela boca. Poderia ainda ter produzido sons por meio de objetos, como pedras ou troncos ocos.

         Qualquer que seja o caso, o que a história mostra é que os homens encontraram a forma de associar um determinado som ou gesto a um certo objeto ou ação. Assim nasceram o signo, isto é, qualquer coisa que faz referência a outra coisa ou ideia, e a significação, que consiste no uso social dos signos.

         A atribuição de significados a determinados signos é precisamente a base da comunicação em geral e da linguagem em particular.  
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30ª reimpr. da 1ª edição de 1982. (Díaz Bordenave, Juan E.) - São Paulo: Brasiliense, 2006 (Coleção Primeiros Passos; 67)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Escondido

É a carta escrita 
com letras difíceis,
posta num correio
sem selo e censura.- 
Drummond, no poema Interpretação de Dezembro.


            

                Escondido onde finda a leitura. E não havendo quem pedisse a palavra escrevi mais e cantei onde se escondem os piores risos.

Defronte o último olhar da noite, caro amigo. Constituo-me agora de razão, amadeirada, com cheiro de vinícola e olhar de orvalho.

Escondido onde finda teu abraço. Não pretendo querer unanimidade.
Apóstolos, secretários, dias do mês: sumam.

               Declaro, definitivamente, que me escondo onde finda a leitura, onde ouvirei os risos de descaso, perto do fim de tarde. Erguer-me-ei em fortaleza perante mim mesmo, abraçarei uma imagem translúcida, se preciso, mas, não procurarei unanimidade.

Escrever é tecer o que no âmago tem força de mar.

Eliéser Baco.




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Texto e Foto: Eliéser Baco.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O que resta?

O que resta dentro dessa caixa cheia de nervos, fios, neurônios? O que guarda esse invólucro antigo? O passado singular? Os sorrisos largados para trás? Os beijos eternizados no sol? A domesticação de algo tão importante para ti que ainda se mantém dentro da caixa, da capa, do plastificado envoltório?
Perguntas que deveria fazer a mim mesmo ou aos cantos desempoleirados, desfragmentados, desarticulados?
        
    Miro e firmo olhar em ti, a elucidar-me, drasticamente, as razões de uma pasta guardada sob rígida senha. Sob censura íntima. Eu caibo, pertenço, deslizo. Nas maravilhas que trocamos. Noto uma fagulha de mim pelo que temos conjuntamente. Noto várias fagulhas de mim a rumar dentro das portas, ranhuras, bocejos, lampejos, cortejos, veredas.
Mais que repentinamente, ouvi, já, boas coisas a meu respeito. Nos andares dos meses. No fulgor da tempestade. Na luminância dos poemas tortos escritos por mão esquerda de traços incompreendidos.
            
E o que resta?

As praias, as poças, os portos, os memoriais e as memórias, as barbas enumeradas, as portas que abro na mente toda vez que me deparo com esses fios e envoltórios com informações e imagens não esquecidas, ou melhor, ainda respaldadas. Os viadutos, a metrópole, os passos nas sombras das noites efêmeras que pareciam ter apoio e talvez, digo talvez, só se tratavam de aprendizado. Resta nada. Importa hoje. Calo-me os sapatos e sento minhas perguntas nos fios e nas senhas e nos plásticos e nas frases longas que digo sem brilho.

Este pensar é uma clareira na vegetação rasteira que me cerca. Reflexo deste barbudo, de comunicação um tanto deficiente.

            No trocadilho, no beijo a nos tirar o ar, no atalho da alma tua intensa, deixo as faíscas de mim, deixo o caminho estreito que envolve nossa história;

 quando o que resta dentro dessa caixa cheia de nervos, fios, neurônios e senhas rígidas me fita, dá-me um calafrio, que busco no arrebol a distância segura para o que me alcança, assim, tão sorrateiramente. 

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Texto e foto: Eliéser Baco.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

One - Bono Vox and Damien Rice - Dublin, Ireland.

Um poema nasce todos os dias, do leve calor de nossas mãos unidas. 
Por cada segundo contigo, por cada poema nascido, um beijo meu, 
diretamente subjetivo ao mar de sua alma, amada imortal minha. - Eliéser Baco





Everybody's Gotta Learn Sometimes - Beck

"I need your lovin' like the sunshine." - Beck, (Everybody's Gotta Learn Sometimes)

Terminei de assistir esse filme e fiquei extasiado na poltrona. Sozinho no cinema. Como tantas vezes um nerd faz. A estória do filme é tão singela quanto as emoções sinceras que percorrem alguns seres humanos.

A música de Beck é fantástica. A letra, simples e carregada por uma harmonia belíssima. Beck é ótimo e diverso em sua obra. Das baladas dele, essa é minha preferida.

O mundo é melhor com cinema, música, literatura, pintura e fotografia. Que essa harmonia seja carregada nas ações cotidianas.



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Identidade - Zygmunt Bauman

Página 19 - 2005, Ed. Zahar:

           Estar total ou parcialmente "deslocado" em toda parte, não estar totalmente em lugar algum (ou seja, sem restrições e embargos, sem que alguns aspectos da pessoa "se sobressaiam" e sejam vistos por outras como estranhos), pode ser uma experiência desconfortável, por vezes perturbadora.  Sempre há alguma coisa a explicar, desculpar, esconder ou, pelo contrário, corajosamente ostentar, negociar, oferecer e barganhar. Há diferenças a serem atenuadas ou desculpadas ou, pelo contrário, ressaltadas e tornadas mais claras. 

As "identidades" flutuam no ar, algumas de nossa própria escolha, mas outras infladas e lançadas pelas pessoas em nossa volta, e é preciso estar em alerta constante para defender as primeiras em relação às últimas. Há uma ampla probabilidade de desentendimento, e o resultado da negociação permanece eternamente pendente. 

Quanto mais praticamos e dominamos as difíceis habilidades necessárias para enfrentar essa condição de reconhecimento ambivalente, menos agudas e dolorosas as arestas ásperas parecem, menos grandiosos os desafios e menos irritantes os efeitos. Pode-se até começar a sentir-se chez soi, "em casa", em qualquer lugar - mas o preço a ser pago é a aceitação de que em lugar algum se vai estar total e plenamente em casa.   

           Pode-se reclamar de todos esses desconfortos e, em desespero, buscar a redenção, ou pelo menos o descanso, num sonho de pertencimento. Mas também se pode fazer desse fato de não ter escolha uma vocação, uma missão, um destino conscientemente escolhido - ainda mais pelos benefícios que tal decisão pode trazer para os que a tomam e a levam a cabo, e pelos prováveis benefícios que estes podem então oferecer a outras pessoas. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Você sabe o que é um igapó? - Marcos Bagno, em Preconceito Linguístico

“Na amazônia, igapó é um trecho de mata inundada, uma grande poça de água estagnada às margens de um rio, sobretudo depois da cheia. Me parece uma boa imagem para a gramática normativa. Enquanto a língua é um rio caudaloso, longo e largo, que nunca se detém em seu curso, a gramática normativa é apenas um igapó, uma grande poça de água parada, um charco, um brejo, um terreno alagadiço, à margem da língua. Enquanto a água do rio/língua, por estar em movimento, se renova incessantemente, a água do igapó/gramática normativa envelhece e só se renovará quando vier a próxima cheia. Meu objetivo atualmente, junto com muitos outros linguistas e educadores, é acelerar ao máximo essa próxima cheia...” – Marcos Bagno – 50ª edição, junho de 2008, Edições Loyola.

Cursava Letras quando precisei pesquisar o assunto preconceito linguístico. Tema espinhoso. Fui enveredando por vários autores e cheguei a Marcos Bagno. Não era a supracitada edição de 2008 que eu e meus companheiros de turma tínhamos em mãos, porém, o importante foi perceber os olhares baixos e os dizeres baixos a respeito do que buscávamos ali: retirar a máscara da hipocrisia que nos rondava a respeito desse tema. Se nos rondava, o fazia a tantos outros estudantes de diversos cursos em passadas épocas, e a palavra humilde e sincera precisava ser mostrada por nós a nós mesmos. Não são os Estados de Rio de Rio de Janeiro e São Paulo os regentes de tudo do melhor do país quando o assunto é língua. Talvez possa parecer, pois, a mídia, o marketing e as produções televisivas se concentram nesses dois Estados da putrefata Federação. Concordando com isso, marcamos o território no assunto migração.

Recordo de que migrantes de outros Estados e filhos de migrantes debateram, e muito, o tema. Sem bairrismo tolo, não puxaram a sardinha para vossas origens, mas tentavam compreender a visão do cidadão local a respeito da forma de expressão dos que de fora chegavam.  Foi importante aquela reunião de pensamentos e “achismos” acadêmicos. Muitos preferiram se calar e ouvir colegas, outros, deixar a sala para beber aquela cervejinha mais digna que o aprendizado universitário. Para os que ficaram, foi uma imersão na realidade, exemplos e mais exemplos do que somos quando estamos sozinhos com nossos pensamentos sobre discriminação e exclusão social. 

Sempre existirão os locais geográficos que pensam ser melhores que outros; e o preconceito sempre existirá, a exclusão se dará por vias da linguagem, da etnia, da junção de etnias, do poder de consumo etc. O que nos define não são as palavras dos outros a respeito donde viemos e a forma como nos expressamos, porém, é importante visualizarmos - com a lente da genuína verdade nos olhos - a respeito dos variados preconceitos que somos expostos e que por vezes expomos outros, para podemos diminuir a distância entre nossa identidade e o mundo real que estamos inseridos.

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Texto: Eliéser Baco
Foto: Imagem do quadro Operários, pintado em 1933 pela artista Tarsila do Amaral.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Fora do ar - temporária mente

Fora de mim. Lá vai longe o dia que compreenderei como gostaria. Por isso a melhor forma talvez seja tirar do ar.

Ou quem sabe deixar tudo sem mais nada novo. Só o que veio por conta desse tempo. Dá-se, essa decisão, após uma reunião de princípios coordenados de modo a formar uma decisão.

Para alegria de alguns e sorrisos de outros tantos, fica por aqui a jornada.
A alma queima, quem sabe mais do que deveria.
O toco que o fogo levanta com força, talvez, seja a melhor resposta. Quando tudo cessa, as cinzas do que já foi algo bom trazem a história dilacerada por uma centelha.
É necessário resfriar o tempo, olhos e o cansaço. Faz-se justo, portanto, tirar do ar, colocar-se no devido lugar, solo pisoteado de sonhos e outras quimeras.

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Foto e texto: Eliéser Baco.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

D'minuto


(Eliéser Baco)


Sim, escreverei sem ter o dom, 
fotografarei sem ser a lente, 
sei que filmarei sem mar nem som, 
tudo que é da arte meu lar sente; 

anistiarei teu beijo bom, 
ei de amansar meu eu valente, 
sou de suplicar abraço em tom, 
sim, subjetivo em voz demente. 



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Texto e foto: Eliéser Baco 
(Todos os direitos reservados - Copyright - Lei 9.610/98)
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional