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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O que resta?

O que resta dentro dessa caixa cheia de nervos, fios, neurônios? O que guarda esse invólucro antigo? O passado singular? Os sorrisos largados para trás? Os beijos eternizados no sol? A domesticação de algo tão importante para ti que ainda se mantém dentro da caixa, da capa, do plastificado envoltório?
Perguntas que deveria fazer a mim mesmo ou aos cantos desempoleirados, desfragmentados, desarticulados?
        
    Miro e firmo olhar em ti, a elucidar-me, drasticamente, as razões de uma pasta guardada sob rígida senha. Sob censura íntima. Eu caibo, pertenço, deslizo. Nas maravilhas que trocamos. Noto uma fagulha de mim pelo que temos conjuntamente. Noto várias fagulhas de mim a rumar dentro das portas, ranhuras, bocejos, lampejos, cortejos, veredas.
Mais que repentinamente, ouvi, já, boas coisas a meu respeito. Nos andares dos meses. No fulgor da tempestade. Na luminância dos poemas tortos escritos por mão esquerda de traços incompreendidos.
            
E o que resta?

As praias, as poças, os portos, os memoriais e as memórias, as barbas enumeradas, as portas que abro na mente toda vez que me deparo com esses fios e envoltórios com informações e imagens não esquecidas, ou melhor, ainda respaldadas. Os viadutos, a metrópole, os passos nas sombras das noites efêmeras que pareciam ter apoio e talvez, digo talvez, só se tratavam de aprendizado. Resta nada. Importa hoje. Calo-me os sapatos e sento minhas perguntas nos fios e nas senhas e nos plásticos e nas frases longas que digo sem brilho.

Este pensar é uma clareira na vegetação rasteira que me cerca. Reflexo deste barbudo, de comunicação um tanto deficiente.

            No trocadilho, no beijo a nos tirar o ar, no atalho da alma tua intensa, deixo as faíscas de mim, deixo o caminho estreito que envolve nossa história;

 quando o que resta dentro dessa caixa cheia de nervos, fios, neurônios e senhas rígidas me fita, dá-me um calafrio, que busco no arrebol a distância segura para o que me alcança, assim, tão sorrateiramente. 

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Texto e foto: Eliéser Baco.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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