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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Você sabe o que é um igapó? - Marcos Bagno, em Preconceito Linguístico

“Na amazônia, igapó é um trecho de mata inundada, uma grande poça de água estagnada às margens de um rio, sobretudo depois da cheia. Me parece uma boa imagem para a gramática normativa. Enquanto a língua é um rio caudaloso, longo e largo, que nunca se detém em seu curso, a gramática normativa é apenas um igapó, uma grande poça de água parada, um charco, um brejo, um terreno alagadiço, à margem da língua. Enquanto a água do rio/língua, por estar em movimento, se renova incessantemente, a água do igapó/gramática normativa envelhece e só se renovará quando vier a próxima cheia. Meu objetivo atualmente, junto com muitos outros linguistas e educadores, é acelerar ao máximo essa próxima cheia...” – Marcos Bagno – 50ª edição, junho de 2008, Edições Loyola.

Cursava Letras quando precisei pesquisar o assunto preconceito linguístico. Tema espinhoso. Fui enveredando por vários autores e cheguei a Marcos Bagno. Não era a supracitada edição de 2008 que eu e meus companheiros de turma tínhamos em mãos, porém, o importante foi perceber os olhares baixos e os dizeres baixos a respeito do que buscávamos ali: retirar a máscara da hipocrisia que nos rondava a respeito desse tema. Se nos rondava, o fazia a tantos outros estudantes de diversos cursos em passadas épocas, e a palavra humilde e sincera precisava ser mostrada por nós a nós mesmos. Não são os Estados de Rio de Rio de Janeiro e São Paulo os regentes de tudo do melhor do país quando o assunto é língua. Talvez possa parecer, pois, a mídia, o marketing e as produções televisivas se concentram nesses dois Estados da putrefata Federação. Concordando com isso, marcamos o território no assunto migração.

Recordo de que migrantes de outros Estados e filhos de migrantes debateram, e muito, o tema. Sem bairrismo tolo, não puxaram a sardinha para vossas origens, mas tentavam compreender a visão do cidadão local a respeito da forma de expressão dos que de fora chegavam.  Foi importante aquela reunião de pensamentos e “achismos” acadêmicos. Muitos preferiram se calar e ouvir colegas, outros, deixar a sala para beber aquela cervejinha mais digna que o aprendizado universitário. Para os que ficaram, foi uma imersão na realidade, exemplos e mais exemplos do que somos quando estamos sozinhos com nossos pensamentos sobre discriminação e exclusão social. 

Sempre existirão os locais geográficos que pensam ser melhores que outros; e o preconceito sempre existirá, a exclusão se dará por vias da linguagem, da etnia, da junção de etnias, do poder de consumo etc. O que nos define não são as palavras dos outros a respeito donde viemos e a forma como nos expressamos, porém, é importante visualizarmos - com a lente da genuína verdade nos olhos - a respeito dos variados preconceitos que somos expostos e que por vezes expomos outros, para podemos diminuir a distância entre nossa identidade e o mundo real que estamos inseridos.

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Texto: Eliéser Baco
Foto: Imagem do quadro Operários, pintado em 1933 pela artista Tarsila do Amaral.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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