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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Tomas Toimi - 03 de 09

Uma noite a mais insone. 
A vida virtual consome. 
A manhã catalisadora entre cliques e ação. 
Olhos pesados. 
Passos engrenados na máquina da esfera total chamada mundo. 
O cérebro e o sentir.

Noite.


Tomas Toimi seguiu um desafeto. Distante vinte metros. Por vezes um pouco mais quando a solidão quase completa acompanhava cada um preso no seu mundo, a dividir a mesma calçada, mesma rua, mesmo bafo estranho percorrendo ar paulistano. Seguiu para compreender melhor as possibilidades da mente e alma quando partem para longe demais. Decifrar enredo dos corações e das matérias sentimentais. Luxo o desafeto não detém, não possui as trabalhosas façanhas dos gênios. Não percorre seus dedos o ouro tampouco sua voz parece um emitir de som de um oboé humano moderno. A raiva destrinchou Tomas Toimi quando seu braço foi seguro por um homem careca e baixo.

 _ Percebeu?
_ Depende! Do que fala?
_ A segurança com que anda.
_ Isso não é motivo!
_ Percebeu então no mundo virtual o que ele escreve e recita?
_ Isso percebi!
_ É fato. Isto pode tê-la encantado!
_ Acho absurdo que os sigamos!
_ Não quer destronar o “inimigo”?
_ Penso que você tem mais vontade disso que eu. Ela é feliz. Deixe estar.
_ Eu sou casado. Se pudesse apenas me divertiria. Quero apenas poder ranger os olhos tristes dele.
_ Ele te enfrentou verbalmente não?
_ Parecia uma junção de ventos indo e voltando do litoral, aquelas palavras e movimentos!
Tomas Toimi ri do homem careca.
_ Sim, ele é teu inimigo. De mim ele é invejado. E pronto!
_ Pesquisei a respeito. Tem mais um que o detesta.
_ Sim! Um maluco virtual, covarde! Como você!
_ Diz-me então que é corajoso? Ri de Tomas, o pequenino homem.
_ Não importa. Esse diálogo precisa terminar. Já ela vem ao encontro dele.


Logo o choque de realidade invadirá o rastro dessas serpentes. 
Tomas Toimi mira-se numa poça d’água. 
Vergonha própria. 
Vergonha alheia.
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(Fotos e texto: Eliéser Baco)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Tomas Toimi - 02 de 09

Lágrimas: muitas e desnecessárias, Tomas Toimi. O caminho é mais largo do que teima passar. O passado passou. Adiante é seu passo. Simplesmente esqueça. Guarde ensinamento do que viveu. O raio de sol não parou de rajar. Oculte-se, siga. Aquele amor não ama mais. As dobras do tempo diferem do que enxerga. São tantas variáveis os caminhos possíveis e suas consequências. Incrédulo, aceita o que há. Existe outro combatendo sua luta. Não perdeu seu valor, apenas o teatro necessita de outro texto, de outros atores que não são mais como antes conheceu; o palco se acha destinado a outro. O futuro é diferente. Aceita, enxerga o que existe.

Tomas Toimi consentiu e acordou.
A ruptura é amarga.
O remédio inexiste.
O sabor é no vento que então persiste.
Caminhou pelo corredor e suas manchas na pele, seus furos no rosto.
Como conhecer quem se desdobra dentro de sua mente.
Quem somos na atividade verdadeira quando todos somem?
Bem sucedidos ou não. Não importa.
Toda a luta por dinheiro, tudo que alcança os sonhos a nós vendidos são o destempero do humor e o sal em excesso?
Saudoso dos apelidos caiu de joelhos.
Chega em sua janela. Caminhar na escuridão plena é marchar sem nada.
É isso, Tomas Toimi. Simplesmente isso.
Continue seu vagar com o passado nas mãos e será sempre o sorriso farto sem ver puro dia manifestado. A metrópole é cheia de ranhuras e desgastes. Somos uma metrópole em cada cômodo.

            Anota um pensamento e pega a máquina fotográfica de última geração. Coloca os fones de ouvido e aumenta o volume para ouvir a pressão. A música na madrugada é o canto do monstro chamando ao abate. Tira fotos pelado em frente ao reflexo da janela da sala. Que desgraça é seu corpo desengonçado, seu sorriso farto de sorrir o choro que não desce. Sua antiga menina era jovem demais para saber que iria ficar sem você quando o cansaço os surpreendesse, lentamente percebeu Tomas Toimi.


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Texto e fotos: Eliéser Baco.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Tomas Toimi - 01 de 09 - Novo Personagem

Um personagem de mim mesmo. Sou um enunciado e um contexto. Não consigo deixar passar. Não consigo desafogar. Viver verdadeiramente. Ela ainda significa. E dói isso.
Sou apenas o moço. Vivi um furacão indizível e inconfessável. Tenho apenas a técnica. A emoção não é minha. Sou aquele que precisa se cuidar e seguir em frente.

Minhas marcas linguísticas e meus procedimentos pragmáticos não resolvem. Meu princípio de cooperação e minhas principais leis e a tal da preservação das faces, idem. Um legado é a amizade e isso é indizível e incontrolável.


Sou a cidade escurecida ainda que o sol esteja ligado no máximo. Sou a cortina esvoaçante com os vidros fechados. Sou as palavras “distância” e “leitor”, ancoradas no livro maior vivido.

O "detentor" da mulher que já foi minha é talentoso. Compreensível o interesse por ele. Tenho comigo a noção de discurso dele e suas tipologias de ação, comunicadas e realizadas. Sem hesitação. Deveria tentar desestabilizá-lo com minhas fotos com ela, minha história com ela, as mensagens que trocamos até um dia do ano ela se recompor em si mesma e trazer o furacão até mim;  e passar um bocado de aperto até conhecê-lo. Sem querer voltar.

Sou o nome de categoria; a marca e seu discurso; o nome da marca e o nome do produto. Sou o alicerce de algo bom para tantas e uma bibliografia para quem mais queria.
Amo ele, amo ela. Esta por ser minha amada em idealização e ilusão, aquele por não poder odiar quem consegue ser tão imã e sabor, para com ela.  

Sou o seriado e o estágio. Ele, o longa-metragem e o porto seguro da empresa.

Nada resta dentro dela, tantos anos depois. Apenas os emails guardados, quem sabe relidos. 
Apenas os retratos estocados até o tempo desgastar. 
Resta a curtida no "face" na frase simples de um dia. Sem meus parabéns pelo noivado em versos timbrados de alguma poesia. 
Sou o seriado e o personagem de mim. 
Perdido. 

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(Texto e fotos: Eliéser Baco - Todos os Direitos Reservados)
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Personagem é qualquer ser vivo de uma história ou obra. Pode ser um humano, um animal, um ser fictício, um objeto ou qualquer coisa que o autor inventar. Também podem ter nomes ou não, e ter qualquer tipo de personalidade. O palavra deriva de persona, que no grego nomeava originalmente o orifício, no local da boca, nas máscaras de teatro por onde "personava" a voz dos atores. A mesma raiz etmológica deu origem à palavra pessoa. - Fonte: Wikipédia.

domingo, 10 de novembro de 2013

Baú de palha

Notadamente me esperam. Angustiando as sementes do que proliferam.
Sim, ajuizados em cima da desordem. A morte sem nome, a ficção, o estilo, a da teoria, introdução.

Tudo morno e desaguado no bem querer aguardado.
A teoria da inspiração, a sociedade da nomeação, A identidade de um estilo e sua responsabilidade, e ritmo, em morte e vida, e caixa torácica ardida,
em dedos segurados por uma caneta que pede que se escreva o rastro de mais uma estória, quase esquecida.  Sem eles em casa, os livros, como seria?
Findaria?
Noto, arrumados por eles próprios, na maneira como conversaram,
se resolveram nas páginas próprias e misturadas, se atreveram a me impulsionar a cada linha, a cada vulto de minuto por vir, a cada gota de tempo e alma.


(Texto e foto: Eliéser Baco.)



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Prefácio do meu primeiro romance - Cartas no Labirinto

(Foto de: Eliéser Baco)
Escrito por Jucimara Tarricone;

Um romance labiríntico


            Em uma leitura superficial, Cartas no Labirinto talvez fosse entendido como uma retomada anacrônica do gênero epistolar, cujo auge, no século XVIII,  nos legou obras ímpares como  Les Liaisons Dangereuses (As relações perigosas), de Choderlos de Laclos, que, no Brasil, teve a magnífica tradução de Carlos Drummond de Andrade.
            A semelhança, no entanto, termina aí. Embora esse primeiro romance de Eliéser Baco também se utilize do recurso da troca de cartas entre os personagens para mostrar o embate e o desgaste de relações por vezes conflituosas e esgarçadas, a trama urdida se alimenta de outras referências.
             Constituído por vozes de diferentes acentos, o texto se estrutura em conflitos espiralados cujo maior mérito é exatamente fazer, do modelo epistolar, apenas uma das camadas que se somam às de outros suportes, como o bilhete, o poema e o teatro.
             Dessa profusão, o leitor é desafiado a esboçar, da leitura de cada substrato narrativo, as histórias que se cruzam e se retroalimentam: amigos e amantes, escritores, poetas e o próprio autor (ficcionalizado em personagem) em busca do viver ao largo da solidão e do assombro da morte.
            Manuel Antonio/Maneco; Ária; Bárbara; Joaquim e Carolina; George e Nina; Mhorgan e Judith; Mador, Adágio e Eliéser Baco: máscaras que encenam outras máscaras e aludem ao famoso mote: “a vida é um sonho”. Sonho que combina, com uma estranha harmonia, o inferno de Dante, a música de Puccini, a tragédia shakespeariana e, talvez a alusão-chave, a atmosfera dos contos de Álvares de Azevedo.
            Todavia, se o ambiente romântico envolve as escritas, essas não se realizam sem antes transformá-lo, alterá-lo para um novo contexto, para uma nova situação e identidade.
Sob este prisma, a organização do romance retoma o conceito de contemporâneo que Agamben enseja:
pertence verdadeiramente ao seu tempo, é verdadeiramente contemporâneo, aquele que não coincide perfeitamente com este, nem está adequado às suas pretensões e é, portanto, nesse sentido, inatural; mas, exatamente por isso, exatamente através desse deslocamento e desse anacronismo, ele é capaz, mais do que os outros, de perceber e apreender o seu tempo[1].
            Assim, nas narrativas que se somam a outras narrativas, acompanhadas das mais variadas citações (de Goethe, de Sêneca....), Cartas no labirinto recupera estilos cuja qualidade maior é recriar  um universo mais fantasioso, assombroso, misterioso e lúdico  - por vezes irônico –  que só com plena consciência literária é possível proporcionar.
Por sua vez, a linguagem tenta recuperar cada vicissitude humana colocada em destaque. Assim, Maneco, da Itália, em busca de Mador, o autor de peças supostamente desaparecido, apesar da escrita formal, imprime ao seu texto pequenas doses poéticas: “Poderia terminar esta com versos de Alighieri, mas devem estar cansados de ler o mais que escrevo sem objetividade. Cansaço? Não queridos, acho que é a pena deliciando-se aos poucos com o que escorre dos lábios do âmago, incertezas, tédio, e uma pequena dose de dúvida, medo e saudade”. (...) “Volta a chover forte, eu quase me alegro quando está a chover por aqui, pois quando assim um som de celo invade aos poucos o ar. Ainda não consegui descobrir de onde vem, descobrirei. Um som limpo e calmo, quase como um ninar de mão de ninfa passeando por meus cabelos, um manso som que perpassa pelas alamedas e espinhaços, cobre o caminhar trôpego transmutando-o em mais gentil e firme. Quem dera fosse assim...é assim que ouço, é assim que abraça-me este som de celo. Quando os trovões cantam, cita mais alto a nota o celo, toca o ar com mais gratidão, com mais bravura ainda; se não fosse pelo caos das águas nas ruas, pediria que chovesse sempre”.
            A voz de Bárbara, ao contrário, é mais leve e traz, como marca, a gíria e vício de linguagem: “Como nos deixar em pânico ao fazer isso? Ninguém acreditou que pudesse fazer isso. Ninguém! Entende?” “Acho inconcebível que faça isso conosco, sabe? Pô meu, e agora?”
            Como efeito inusitado, as cartas de Adágio, escritas em italiano, cujo tom preciso, didático e pausado lembra o libreto de uma ópera.
            Esses pequenos exemplos contrastam com o livro de Mador, que aparece, aos poucos, por entre as leituras das cartas. São poemas em prosa em que o próprio autor participa de modo intenso. Aliás, também Eliéser Baco aparece como personagem e o responsável pela recolha de todas as histórias.
Nesse processo, a escrita de Eliéser (o autor ou o autor-personagem?) torna-se uma lâmina afiada: percebe-se um trabalho intenso com a estrutura narrativa, com os cortes das frases e a construção sintática e lexical a marcar cada personagem.
            Seu mote – “saúde, fraternidade e vinhos” – é colocado na voz de Maneco, talvez um alter ego ou um duplo de Eliéser Baco, assim como também Mador. Labirinto também de autorias, ou a própria morte do autor, já há muito discutido por Barthes[2].
Para quem acompanha seu blog, essas características não são novas. Antes, Eliéser Baco já há muito vem se firmando como um escritor preocupado em repensar a literatura. Cartas no labirinto é, sem dúvida, um primeiro passo para a conquista desse seu intento.

                       
                         
Jucimara Tarricone
Doutora em Letras na área de Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. É autora de Hermenêutica e crítica: o pensamento e a obra de Benedito Nunes (EDUSP/EDUFPAA, 2011), finalista do Prêmio Jabuti 2012.




[1] AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo? e  outros ensaios. Trad. Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó/SC: Argos, 2009.

[2] Cf. BARTHES, Roland.  O Rumor da Língua. Trad. Leyla Perrone-Moisés.  São Paulo: Martins Fontes, 2004.

(Foto de: Eliéser Baco)



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Abriram, sim.


E pularei sem medo. Dá um frio minguado.
Cantarolado. E valsarei o enredo. O carimbo sem mim.
A data sem fim. Controlarei meu tempo descarregado.
Uma frase mais longa pode parecer notícia boa ou o resquício
de algo remendado. Com cheiro de jasmim.
A cadeira vaga a rir sem o arroubo manifestado outrora.
É passado. É noite. É o futuro a sorrir desenjaulado, sim.
E o que passa na mente é o poema crescente num frasco guardado, tal nanquim.

Para sorrir com tinta que nunca ninguém percebeu tão viva, aquela respiração em rimas nos passos desengavetados.


(Texto e Foto: Eliéser Baco)


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dickens and Poe



 Durante a viagem de Charles Dickens pela América, em 1842, ele expressou o desejo de conhecer o homem que acertara corretamente o fim de seu romance em série, Barnaby Rudge - Edgar Allan Poe. 

Correu tudo bem no encontro, e os dois trocaram cartas. Dickens esperava encontrar um editor britânico que publicasse Tales oh the Grotesque and Arabesque [Contos sobre o Grotesco e Arabesco], de Poe, e este esperava que Dickens enviasse um texto seu para ser publicado na Graham's Magazine, onde Poe trabalhava na ocasião. 

Ambas as esperanças foram em vão. - Livro Completo de Edgar Allan Poe.- Editora Madras.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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