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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Informações sobre meu primeiro romance

Em breve, em alguma data a ser divulgada no site www.pasavento.com.br, ou na fanpage https://www.facebook.com/pasavento.


O limite




Beira ele então, as discórdias próprias a olhar seu reflexo.
Seu ritmo, seu som, seu desnorteio.
Cabelos grandes, orelhas quase cobertas pelos tufos todos.
Olhar cansado mira o machucado na boca.
No canto esquerdo do banheiro um livro amassado. Curto, capa simples, sem desenho ou estilo próprio. Apenas autor, título e editora.

Escova de dente arrebentada dentro da pia.
Escorre sangue do nariz, se pergunta mentalmente se pode ser mais sério.
Apenas ri do limite que está, olha os pés descalços e unhas bem cortadas.
As roupas no chão do banheiro. A latrina branca e sempre muito limpa.
As coisas todas bem mais cuidadas do que ele próprio.
O maquinário todo polido dentro da casa.

A seca na cidade. As manifestações nas ruas. Circo e pão integral para o povo. E seu sorriso aumenta gradativamente diante do espelho.
As celebridades. O aumento dos preços. A falta de ações para saúde pública, segurança pública, educação pública. A imprensa ajuda nas informações imprecisas e tendenciosas. O jornalismo tem a voz do patrão e não da verdade. Quando se olha, o globo ocular é cinza e o sorriso imenso.

O descaso consigo mesmo.
Não vota, não faz política, paga seus impostos.
Seu pai morreu na fila do hospital. Sua avó agonizou no chão de um hospital. Todos públicos. Com fé na tríade dos altos céus e na herança do povo brasileiro: sua receptividade aos estrangeiros. Todos os povos têm acesso ao país. Qualquer endinheirado estrangeiro pode abrir negócio, sonegar impostos e maltratar consumidores brasileiros.
A ira percorre o estômago e ele vomita muito. Sangue misturado ao caos da casa que não é um lar, apesar de brilhar e ter somente ao chão algumas roupas e livros.

O escárnio dos governos perante ele. O deboche, a zombaria, o caçoar, as cantigas de roda política e governamental, com versos de corrupção e esperteza. O saco roxo, polido, astuto, rico, branco, nobre, de sobrenome belo, transgênico, putrefato de valores morais. Mas que? Mesmo? O que importa é a quantidade de valores disponíveis ao comércio, eletrônico, pessoal, físico, virtual, mídia, redes, teias, estátuas, mármores, ouro, prata e escravas. Conluios, novelas, telecomunicações, discursos bem feitos por escritores fantasmas que somem nos trens, ônibus, vias, bicicletas e tribos cheias de doença, rancor e urina. Porém, com acesso ao “bolsa pilantragem”, às parcelas da Mãe Lojinha. Consumir é abanar as nádegas e deitar no leito dos políticos, todos juntos, com suas cifras na suíça, com suas empresas de fachada. Tirando as pregas do povo.

Esse curto pensamento, esse breve olhar e seu reflexo no espelho, enquanto olhava sua escova dental esparramada de tão velha, sua dificuldade de trabalhar, suas narinas cercadas por sangue e vômito. Um número, um fragmento, um desdenhado, um hipotético ser que vota, compra, trabalha espremido na sola do sapato de Deus-Tio-Avô.

Ele não sorri mais, sentindo-se cansado. A clicar mentalmente suas asneiras na próxima ação a ser curtida por muitos nas mídias nas redes na falta de vírgula de encantamento de nobreza de riqueza de petróleo de sobrenome importante e azul e seu sangue escorrerá, ainda uma vez antes d’agora.

Adquirir uma maneira de ir à desforra. Olha-se largamente sentindo-se insone. Suas orelhas cobertas pelos tufos todos. Encara-se. Reflexo, fragmento, cansaço, pia, ideia.
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Texto, foto e edição: Eliéser Baco

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Epitáfio do poeta Ludwig


No dicionário.
Esperar:
Ficar em algum lugar até que chegue alguém ou alguma coisa que se tem como certa ou provável; aguardar.
Contar com.
Ter esperança.
Supor, ter satisfação em acreditar.
Emboscar.
Confiar.

Creio que tudo se resume ao presente ato, verbo sombreado e fincado em minhas veias semimortas. Semivivas. Copo meio cheio, olhos meio vazios. Aguardar traz a ansiedade, e acumula se não esvaziado do peito o ritmo constante e melancólico da espera.

Percebo a conversa sem a crepitação, a centelha, sem a partícula motivadora daquela combustão enigmática e misteriosa. O dia não foi fácil. Cansaço, chuva molhando ossos, a espera por algo que talvez só se tenha realmente no esboço de rascunho de algum estranho pensamento a respeito das relações humanas.

Estreitei nos meus braços. Envolvi, como um mar abraça a ilha.
Adotei, escolhi. Contive na abrangência do estudo de minha alma um mundo, um todo e tudo resumido e particularizado em uma existência. Percebi com a vista, abracei envolto um ser, e tudo do seu mundo num relance de olhos.

Mas minha espera mostrou-se uma emboscada fadada ao melancólico e horrorizado pedido de clemência. De urgência! Em ser aceito como no riso longínquo de outrora.

Cansou-se. Dos meus defeitos ultrajantes. Nauseantes. Claustrofóbicos.
E a fraternidade dos sonhos se mostra como realidade comercial e vil no dia do nascimento do menino-deus.

Escambo doido essas minhas propriedades que gesticulam e pedem braço e ninho sem sentido de objetividade.
E o que será que será das madrugadas solitárias e insones? Amigas tão infalíveis e prudentes...
Minha voz não consegue sair para responder.
Só consigo perceber que tal como aquele que recebeu flores no nascimento, para que elas fossem sua companhia indelével na jornada, eu me sento no parapeito do vento e noto o horizonte. Debruçado nas cores, tons e cânticos.

E sigo, talvez, incansável.
Na espera, por abraços mornos e obstinados de uma poesia, procuro a satisfação por acreditar.
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Foto e texto: Eliéser Baco (Todos os Direitos Reservados)
Ludwig, personagem de Eliéser Baco.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cartas no Labirinto - de Eliéser Baco

E se você deixasse um amigo para trás no decorrer dos anos, o que pensaria?

E se ele contasse com você para algo muito importante?

E se você o abandonasse?

Cartas no Labirinto é um romance que apresenta personagens em dúvida sobre o caminho percorrido, e que decidem fazer algo depois de muito tempo. Manuel Antônio, Judith, Mhorgan, Joaquim e Bárbara, em busca de Mador e de si mesmos.

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Foto: Eliéser Baco.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cartas no Labirinto - Trechos - Parte 3

 
O lodo do mundo faz compreender que lodo podemos ser, se assim a vontade. 

Mas, portanto, seja lá quem for, leia com o sabor do sangue na boca, 
ainda que sangue de inocentes ou de delinquentes. Quero apenas saciar a vontade 
lúcida dos mortos, se assim estiverem, e a preocupação dos vivos. 

As sentenças da vida, discordâncias, taras, vontades, sempre
pulsarão, correrão no leito incrementado de vilania. Todos têm esse animal rastejando 
ao peito, hora ou outra ele, o bruto ser que em nós mora nos condena uma atitude
ridícula e diferente do que a chamada sociedade vê como sensatez, justiça
e calmaria. O que ofereço está oferecido, e espero uma resposta para 
continuarmos o evento. 
enviarei a continuação do capítulo para que possa satisfazer curiosidade. 

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Texto de Eliéser Baco, do livro vindouro, Cartas no Labirinto, a ser lançado em breve pela Editora Pasavento.
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Foto e edição: Eliéser Baco

Maio de 1968 - François Truffaut

O "caso da Cinémathèque" foi uma espécie de prólogo aos acontecimentos de Maio. Claro, só percebi isso depois, à luz dos outros eventos - mas, de fato, a nível do microcosmo, viveu-se a mesma situação: "intelectuais", contestando (a decisão governamental de se livrar de Henri Langlois, fundador e alma da Cinémathèque) desceram à rua e foram agredidos com cassetetes.
 
Os funcionários do governo fizeram com a Cinémathèque exatamente o que haviam feito no resto da França: subvencionaram e depois tentaram minar o trabalho que vinha sendo realizado. Durante a manifestação diante do palácio de Chaillot, fui agredido dessa maneira, pela primeira vez na vida - e percebi que não doía tanto assim. Eram cassetetes de borracha, ou não sei de que matéria plástica, e, num determinado momento, cheguei até mesmo a quebrar um. Ele tinha provocado muito calor na minha cabeça, mas não cheguei a sangrar.
 
Na manifestação seguinte, na rua de Courcelles, os policiais haviam sido substituídos pelos CRS. E vimos surgirem "biles", cassetetes infernais. Estávamos em 19 de março e é por isso que, para mim, a Cinémathèque representa um preâmbulo. Foi nessa ocasião que vi Daniel Cohn-Bendit pela primeira vez. Aliás, tive uma impressão bem desagradável dele. Éramos muitos a querer aparentar imparcialidade, a querer que a luta que levávamos adiante permanecesse "apolítica", pois acreditávamos que se politizássemos as coisas, Langlois não teria chance alguma de voltar à direção da Cinémathèque.
 
Quando vimos aquele rapaz ruivo trepado num poste de iluminação e nos chamando de "camaradas", perguntamo-nos quem ele era e o que estava fazendo ali, Depois, ele se instalou numa janela. Eu o achava muito metódico, muito profissional. Ele aguardava os silêncios da multidão, dos jovens do "Ocidente", e era sobretudo com estes que debatia, pois havia um certo receio de afrontamento. Penso que Cohn-Bendit interessava-se por todas as formas de contestação e tinha vindo à rua de Courcelles por causa disso, até que se tornou imprescindível, pois nos mostrava coisas que não sabíamos fazer - mas sempre com calma, com charme ao falar. Um rapaz foi preso pela polícia e, ao final da manifestação, preparávamo-nos para ir emboratranquilamente. Foi então que Cohn-Bendit discursou para nós. Ele disse: "Não partiremos enquanto o nosso camarada não for libertado."
 
De minha parte, eu pensava que o rapaz já devia estar em algum comissariado, longe dali. Mas, da mesma forma que faria mais tarde em escala bem maior, nas ruas do quartier Latin, Cohn-Bendit decidiu que a forma de luta era permanecer lá e obter a libertação do rapaz. Ele dizia coisas do tipo: "Na Bretanha, os camponeses esperaram seis horas até que libertassem um de seus camaradas. Quanto tempo aguardarão os parisienses?" Realmente foi muito hábil. Graças a ele, fomos, juntamente com alguns outros cineastas, negociar com os policiais e realmente conseguimos a libertação do rapaz - um secundarista, acho. Eu sequer sabia que se podia conseguir esse tipo de coisa. Quando perguntei quem era o rapaz ruivo que nos havia ensinado a nos defender, responderam-me: "É um cara de Nanterre..."
 
O governo percebeu rapidamente a gafe monumental que havia cometido a propósito de Langlois - e logo recuou. Claro, atualmente percebemos que aquilo foi uma lição.... Olhando a coisa com certo cinismo, pode-se dizer que aquilo nos provou que é preciso se exigir nas ruas o que não se consegue nos gabinetes.
 
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Editora Nova Fronteira, 1990.
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Foto: Eliéser Baco

domingo, 14 de dezembro de 2014

Drácula - Bram Stoker

Após essas palavras, ele prosseguiu com meus volumes ao longo do corredor, subindo a seguir os degraus de uma grande escada em caracol, até chegar a um novo e extenso corredor, sobre cujo piso de pedra os nossos passos ressoavam fortemente. Ao final desse trajeto, ele abriu uma porta de madeira maciça, e eu tive então a satisfação de encontrar-me numa sala bem iluminada, em cujo centro havia uma mesa sobre a qual recendia uma farta ceia.

Também a temperatura era agora bem mais agradável, pois na lareira crepitavam as chamas de pesados troncos ainda quase intactos.

O Conde deteve-se ali por instantes, enquanto arriava as minhas malas e, após fechar a porta, atravessou a sala e abriu uma outra. Esta conduzia a um pequeno aposento de formato octogonal. Era iluminado por uma lâmpada singela e, aparentemente, não contava com nenhuma janela ou qualquer abertura semelhante. Passando através desse cômodo, ele abriu mais uma porta e convidou-me a entrar.

A visão do novo quarto foi, de fato, confortável. Como dormitório, dispunha de um amplo leito, de boa luz e, a exemplo da sala, havia uma lareira recém-acesa, cuja tiragem produzia um rumor surdo ao longo da chaminé. O próprio Conde ainda levou minha bagagem até ali, dizendo antes de fechar a porta atrás de si:

_ Depois de sua longa jornada, o senhor necessitará de um bom banho de asseio para refrescar-se. Espero que encontre tudo o que desejar. Quando estiver pronto, volte para a sala próxima, onde o aguardará sua ceia, já servida.

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Clássicos do horror. - Porto Alegre, RS: L&PM, 2010. 680p. - (Série Ouro)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Cartas no Labirinto - Trechos - Parte 2


Trecho 5:
 Preciso do envio de cópias de todos os últimos manuscritos importantes dele. Alguns estão com Ária, principalmente os dirigidos ao vento.

Não compreendi ainda o significado de alguns, podem ser nada, podem ser apenas a enseada visitando as ideias daquele guri doudo, como podem ser o vernáculo responsável por termos algo de mais concreto sobre o paradeiro. Torno-me repetitivo não? Rio de mim mesmo quando percebo. Talvez seja a vontade de conversar por conversar, visto que estar sozinho ou sentir-me sozinho deixa-me mais necessitado de escrever por escrever, assim como de falar apenas por falar, mesmo que nada de melhor seja dito ou escrito.

 Trecho 6:
Percebe que mesmo assim quero ouvir os latidos que me desaprovam? Quando alguém caminha por uma rua desconhecida prefere o uníssono da falsidade ou entrecortados de vozes que tentam acalmar e proteger, mesmo que sejam gritos dispersos?

Trecho 7:
(bebe no gargalo)

Há pouco vi teu corpo e sinto
o gosto que ficou na boca...
do beijo? Pálido momento.

 Estava contornada em rosas
de branco como sempre bela,
e bebo todo o meu tormento. 

Trecho 8:
 Aos tantos dias do mês corrente do ano de escrita desta, reunidos em primeira convocação do destino. Em organização de palavras e dúvidas, representando parte do capital social das longínquas amizades, de acordo com o que foi verificado na carta enviada, conferida com os boletins orais de subscrição, assumiu a escrita por aclamação...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Cartas no Labirinto - de Eliéser Baco

Está perto. Ainda este mês será lançado meu primeiro romance, Cartas no Labirinto.

A imagem ao lado é uma parte da capa do livro.

O livro foi registrado na Biblioteca Nacional, como faço com todos os textos, inclusive os aqui publicados, para salvaguardar meus direitos sobre a obra, escrita por mim através de alguns meses esparsos durante tempos.
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Trecho 1:
 Mais que relatar fatos com a base firme dos argumentos das cartas, este registro visa elucidar acontecimentos.

Trecho 2:
Os nomes dos homens com quem conversei: Carlos e Gus. Talvez Gus me ajude mais abertamente, não sei, não consigo confiar de pronto sabe? Um estrangeiro procurando alguém sempre foi algo fácil demais para se escrever sobre e para se roubar. Vez por outra saio, caminho pelas ruas que sobraram, algumas mais antigas que existem por perto, olham-me como sabendo ser eu apenas mais um estrangeiro, com sangue velho de bárbaros, misturado com sangue de índios e sangue recente de tudo que no caldeirão das novas navegações pode-se experimentar e contemplar.

Trecho 3:
(Num quarto em noite densa, na janela aberta uma voz abre as cortinas)

_ Venho banhar com minha brisa
triste dos tristes, anjo puro
Que ao som do piano adormece
num descanso terno neste quarto.

Hoje criança cheia de sonhos
aprenda a viver a melancolia,
de ser entre todos, o mais tristonho
destes que existem.

Quem te visita é a força nos céus,
quem faz revoltas
as águas dos sete mares;

Aquele que sopra as nuvens ao léu,
e quando irritado
com fúria a tudo varre,

Sou o vento e contemplo-te...
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Trecho 4:
Não tecerei trabalho maior ao confidenciar-te, amigo ....., os porquês desse período de texto do Bardo. A amizade pode fagulhar gentilezas quando a nostalgia nos espera a beira de algo. Percebendo os olhos de ...... ao fitar alguma recordação na parede mais afastada, percebo a melancolia, quase a derrota estampada nos balbucios de alguma palavra, de algum nome. Se eu tento ajudar erro, pois, dados momentos necessitamos deixar a febre escorrer dos olhos, lamentar os dedos uns com os outros, esfarelar a certeza com unhas no couro cabeludo, retesar os olhos com machucados invisíveis a qualquer íris, vestida de lentes ou não. É nisso que se apega o outro, a dor, para no final do dia
rememorar algo que no quadro da memória estava riscado, quase diluído. 

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Mais notícias sobre Cartas no Labirinto, em breve, aqui.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Balcã, o romeno

Nomes e nomenclaturas,
o silencioso olhar de quem lembra, é nuvem densa e cinzenta, mormaço de baixa altitude e contornos quase definidos.

Que move alheios braços facilmente ao perceber a precipitação em memória, como chuva ligeira nos diversos ambientes. As companhias, poeticidade reluzente a assoviar presságios, costumes dos rememorados, aproxima linguagem do tato, nostalgia embebida de palavras tal qual proteção...

Da forma como falam, andam, tropeçam, escrevem; respira, quem lembra, a vergonha de apreciar, possivelmente sem ser apreciado. É no soneto distante que rema, no Tejo imaginário e feroz que se evade em águas, que nasce entre horários e ponteiros. Quer entregar algo ou alguém tal conflito?

Reescreva-se, então, em desafios, alinhavando-se nos sobrepassos reduzidos, de textos confusos, fios, seu olhar anavalhado, sem concordância, em término abrupto em funil.

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Texto e Foto: Eliéser Baco (Copyright)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ás, vindo de Gothic




O sorriso dele se deu. Seu banho arrefeceu. O indivíduo robotizado e tranquilo; e uniformizado a florescer "sim". Transtornado e perdido dentro dos trovões e relâmpagos. Sua mente é uma perda dentro das métricas, metragens e forçosos abraços.
A imagem é tudo diante do momento genuíno.
Quero um gole dessa putaria escarrada dentro desse copo de fúria.
Um dia eu voo, ele diz. Um dia eu voo.
As pessoas caçoam de seu esforço segmentado, apostilado.
Beberei até a última gota desses pensamentos, diz, diante das ruas que passa quase a correr em direção ao trabalho. Os inteligentes são seres programados a passear com seu poder de consumo. Os demais são os que pensam demais, demais mesmo antes de tomar atitudes. Decisões.
Copo de água do mar para matar sua sede de natureza ou os cacos de pensamentos que se agitam em torno de sua fome de verdade?
Autenticidade.
Ninguém cogita arriscar-se na autenticidade de sua existência, ouve o reflexo da moça lhe dizer.
Tropeça nos degraus do ônibus. Risos e chacotas diante do asfalto. Nariz sangra.
Um dia serei asfalto para os robôs passarem?, resmunga!
Seus papéis voaram ou foram assados pela roda do ônibus articulado e senil.
Sua roupa está manchada do nariz quebrado. Sua alma está quebrada das manchas da sociedade.
E nada mais existe senão um simulacro de conversa, de sorriso, de contrato.

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Texto e foto: Eliéser Baco

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O Vulto

Só mais uma flecha. Mais uma sombra. Uma tempestade a vencer.
Um abismo de sons e dizeres em relação ao vazio daquele ser esquecido.
Que já foi considerado distintamente. Hoje, um aperto entre imagem e espaço acinzentado.
O que trouxe para perto nem mais digno de rememoração.
O que se anseia é o caos e o nada, a falta e a coisificação do outro.

Um atalho, uma busca, um mapa, uma centelha, uma pira, uma fogueira.
Repreender, censurar em voz alta tudo que gira ao redor de quem só pode suspender as patas em defesa própria.

Traquinagem da natureza. Nem animal, nem homem.
Apenas uma serventia enquanto a respiração ali se mantém compassada.
O vulto, tão propriamente, entre nuvens e repentes. Tão despudoradamente, como pode? Como ousa? Respirar compassadamente, nem animal, nem homem, um resquício, farrapo, um devastado, e só, cinza concreto, um pó, de origem questionável, tão somente ...


Vulto.  
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Texto: Eliéser Baco.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

John Keats - 1795/1821

(...) Keats, assim, queria a sensação, e talvez o inefável, em vez da solução racional, adotada por outros poetas.
Outro princípio é o de esvaziamento da personalidade para ocupar o objeto de que o poeta estiver cuidando, 
o que equivale, mais simplesmente, a uma postura dramática. 
Lê-se em carta de 27 de outubro de 1818, a Woodhouse:



Quanto à personalidade poética em si (quero dizer essa espécie à qual pertenço, se sou alguma coisa; essa espécie diversa do sublime wordsworthiano ou egotístico...), ela não é ela própria - ela não tem eu - é tudo e é nada - não tem personalidade - aprecia a luz e a sombra  - vive no prazer; seja ela má ou boa, alta ou baixa, rica ou pobre, vil ou nobre - tem deleite igual ao conceber um Iago ou uma Imogênia. O que choca o filósofo virtuoso deleita o poeta camaleão.
[...] O poeta é o mais impoético de tudo o que existe, porque não tem identidade; continuamente adentra e enche outro corpo. O sol, a lua, o mar e os homens e mulheres, que são criaturas de impulso, são poéticos e têm um atributo imutável; o poeta não tem nenhum, nenhuma identidade. É certamente a mais impoética de todas as criaturas de Deus. 

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Trecho retirado de Keats - Ode Sobre a Melancolia e outros poemas.
Organização e tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos.

Editora Hedra (2010)

sábado, 30 de agosto de 2014

Terraço da Noite

Sonho, às vezes, contigo.
Permanece na exata distância.
Deve ser somente o anseio de valsar o sentimento uma última vez,
antes de deixá-lo ao devido par.

Seu sorriso é belo, como o são tantos outros em todos os continentes;
mas, o que conheço de eco e densidade sei dos que
pude tatear com o espírito, e nele fortificar em versos.
Cada muro de minha fortaleza consiste
nas palavras dos poetas. E tantas. E muitos.

Mas, hoje, perceba, só quis
descer uns degraus do passado e
trazer aos ventos destes tempos a valsa,
para dela me fazer sorrir por minutos.

Eliéser Baco

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Texto: Eliéser Baco

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Dura Aflição - Luiz Alberto Mendes

Do livro Desconforto (2013), Editora Reformatório.

De versos desperdiçados
Nas entrelinhas dos poetas
Vai voando o sonho
Sem dono, e aterrissa
Na minha palavra
Dominando minha história
Porque a vida é feita
De todas as coisas
E de dura aflição.

      Luiz Alberto Mendes

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Guerras e perdas no jogo da vida.

Incrível. 
Diante de tantas discussões a respeito de assuntos bem menores que vida e o assombro da perda, compadeço-me com cada respiração sofrida desse resquício de família. 
Eis então o fator a separar os que são chamados loucos (como eu) e os alienados, tão corretos, sábios, firmes, tão cheios de sucesso e seguidores. Eu prefiro a solidão de minha enfermidade humilde, de me sensibilizar mais que outros, a estar ao sopé do encanto e beleza, riqueza e racionalidade ímpar dos alienados. - Eliéser Baco.



terça-feira, 10 de junho de 2014

Primeira cantiga




Daqueles olhos antigos, caiu o tempo sobrecarregando cílios.
As frases longas de ... ficaram para trás.
Ossos encarcerando órgãos no ritmo do andar andarilho.
Vultos em febre arcaica de tão humilde.
E somente as mãos a tentar desfazer-se em boas palavras.
Desprender-se dos murmúrios tolos em dignos dizeres.
Desenraizar-se de si para alcançar nos olhos da pessoa o tudo almejado desde os olhos puros ainda moços ainda bons ainda humanos.

Ossos encarcerados no ritmo do andar sobrecarregados cílios.
Daqueles molhos antigos, veio febre arcaica por uns dizeres.
E somente as mãos a tentar abraçar da pessoa o tudo almejado desde boas palavras.
Desprender-se do que ficou para trás em murmúrios vultos caídos olhos.
Desenraizar-se em frases a querer alcançar e tragar e enredar e aromatizar àquela pessoa de sentir almejado e antigo tal poema andarilho de tão bom que pudesse ter vivido ainda puro ainda moço ainda humano ainda pontuado.
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Texto, fotos e edição de imagem: Eliéser Baco

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Desnorteio Cinza

Sou radar sem antena,
calculo distância e posição de obstáculos.
Detecto, contraio músculos e pronuncio colericamente tempestade
em desregramento de proceder.
De nada cimentado em timbre meigo ramalhado de chifres.
Voz própria que ecoa nos espelhos alheios e tendências.
Nem machismos nem silogismos. Tampouco verso. Salto edifícios de ilusões.
Som e ritmo no olhar bestial.
Sou radar sem antena e criador sem gráficos, nem tinta torpe em promessas vãs tampouco sêmen precoce.
Um vértice cinza em forma de ventania a olhar de lado e firme cada bem querer ao meu reduto. Esse sou.
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Foto e texto: Eliéser Baco.-

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Separação - (Anna Akhmátova)

SEPARAÇÃO


1.

Nem semanas nem meses - anos
levamos nos separando. Eis, finalmente,
o gelo da liberdade verdadeira
e as cinzentas guirlandas na fachada dos templos.

Não mais traições, não mais enganos,
e não me terás mais de ficar ouvindo até o amanhecer,
enquanto flui o riacho das provas
da minha mais perfeita inocência. - 1940 -


2.

E como sempre acontece nesses dias de ruptura,
à nossa porta bateu o espectro dos primeiros dias
e, pela janela, irrompeu o salgueiro prateado
com toda a encanecida magnificência de seus ramos.
E nós, perturbados, amargos mas altivos,
não ousamos erguer do chão os nossos olhos.
Com voz exultante, o pássaro pôs-se a cantar
o quanto um do outro tínhamos gostado.

- 1944 -

3. O ÚLTIMO BRINDE

Bebo à casa arruinada,
às dores de minha vida,
à solidão lado a lado
e a ti também eu bebo -
aos lábios que me mentiram,
ao frio mortal nos olhos,
ao mundo rude e brutal
e a Deus que não nos salvou

- 27/03/1934 -

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Arritmia

Joguei fora o guarda-chuva. sem lua nem dia tampouco clareza. objetividade da poça d'água na face. admirável falta de destreza. mundo velho vasto imundo esse imóbile trólibo chamado coração. aquiete-se num ramo de folhas daquela vil canção. que nada existe. fóra do cotidiano mastigado, que nada existe. a subjetividade é uma mágoa escarrada na alma antes de nascer. sou um poema freelancer cuspido pelo Deus Pai. que nada. que tudo. a tormenta dos ventos em versos balsâmicos tropeça na pedra, que sou. o caminho dos bigodes de Leminski traz as folhas vampíricas de Trevisan. e nada mais absurdo que arquitetar em prosa rala, minha, os surtos das palavras da manhã. é louco e moreno o rastro de um homem em arritmia
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Texto e foto: Eliéser Baco.

domingo, 6 de abril de 2014

Um cálice para Leon

_ Já comprei barcos resistentes,
que esse país afunde em sangue dos corruptos. ... é na madrugada que a febre exala. corrompidos, manifestamos temores dos alienados e desejamos as coxas de suas moças. tudo é sagrado até o cheiro ou a lembrança do sexo fazer salivar. tudo é profano até o saco de ouro - moedas - trancafiarem palavras rudes com seu sentar robusto em cima da mesa. olhe ao redor da noite. imensidão tamanha. e o que vale meus atos e meu respirar purulento diante de um mundo em façanha? sou apenas e tao somente o relento, e um vento a peregrinar, e o relento, e o relento... - diz Leon Chivalry.


Ela coloca na mesa de madeira o cálice, empurra levemente na direção de Leon e diz:

_ Portas trancadas, janelas se abrem, o último voo ao redor do lar. Tudo que fora sonhado se esfacela diante da loucura dos dias. Esfarela. Estaria desistindo de mim? Estaria?
Diz uma música, "pois o amor é uma palavra tão fora de moda e o amor te desafia a se importar com
as pessoas no limite da noite, e o amor desafia você a mudar nosso modo de nos preocupar com nós mesmos... Esta é nossa última dança, esta é nossa última dança, isto somos nós mesmos sob pressão".

Todas as canções que adoramos são cantadas tão prontamente e esquecidas quando teríamos que agir com base no nosso coração. O níquel e a turbulência das camadas de horas nos cercam arrastando-nos do nosso melhor, que por fim, está nas canções, somente lá? Para quem quiser ouvir e pensar como eram os relacionamentos quando as canções eram vividas ao invés de somente cantaroladas nos rastros da vida.

Sinto saudade de uma camada de nós que esvoaça como uma roupa que não é mais nossa. Uma pele que descascou. Estaria desistindo de mim? Estaria?
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Texto e foto: Eliéser Baco (Copyright - todos os direitos reservados)


domingo, 23 de março de 2014

Tomas Toimi - 09 de 09

(CORO)
Tudo atravessa o coração humano. Contemporaneamente, tudo fragmenta quase todos. Qualquer coisa corrompe, qualquer benefício, miniaturas de felicidade estampadas nas diversas mídias circenses. Ruptura nos atos mundanos. Tudo vale sacramento em vitória. O homem morreu. Aquele apaixonado pela arte. Tomas Toimi o matou.


Tomas Toimi
_É bem mais que sorriso brilhante,
frasco de materialidade,
Chance nos asfalto dos dias,
Sem rima e isento de obscuridade.



(Caminhou, encontrou seus amigos/amantes. O careca e o energúmeno. Aluguéis. Todos alugam tudo, até a alma e as atitudes. Depois quitam dívida com reza braba, com perdão nos tribunais desonrados por ouro, prata e escravas pós-modernas)

Tomas Toimi
_ No dia de ontem, um jovem senhor foi encontrado morto na Avenida da Cruz Preta, próximo ao Hospital do Círculo Vermelho. Por meio de sua assessoria de imprensa, a força de polícia particular, paga para salvaguardar contribuintes da região, emitiu nota, “que não tem capacidade de prever crimes passionais, cujo teor parece ter havido naquele endereço”. Mais informações amanhã neste caderno jornalístico.


(Um brinde, todos estão nus. Verão últimas fotos tiradas dela, durante o cortejo. Maliciosamente pegam uns nas coxas e virilhas dos outros, e eles três, parecem felizes. Existe filmagem ainda por assistir.) 



(CORO)
Contemporaneamente, tudo fragmenta. Um amor passado sem mais benefícios, miniatura de felicidade estampada nos olhos dos loucos deste tempo. Mentes difusas a escrever em mídias circenses.  Ruptura, um homem morreu.

Tomas Toimi (os outros se entreolham)
_Venci, inimigo, venci.

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Texto e imagens: Eliéser Baco.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Manhã nova, reascender

Um Grande Poeta, Arquiteto do Universo, estaciona seu olhar na magnitude de sua criação. Olhos apreensivos em torno de cada um que pôde tocar com as palavras certas no palpitar morno, por vezes arrefecido, de tanto o cotidiano nos tirar de nosso melhor.

O que buscamos é intuitivamente o melhor realmente, para nos safarmos das armadilhas da alienação?

Talvez, em suma, toda a dificuldade do ser humano se dê pelo fato de encarar tudo da maneira que os meios de publicidade querem que encaremos. Parece tão nítido o céu lá fora, e não é, para muitos. Note esses galhos dificultando a passagem da luz. Dão uma sensação boa de sombra e quietude, dentro da máscara eterna que é a megalópole.
Respirar o bem e agir na correção moral parece lenda nos dias contemporâneos...
 Talvez toda nossa ruína se edifique por esquecermos, ainda que momentaneamente, como fazermos para deixar a verdadeira luminosidade entrar.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Notívago



... talvez no século errado, sublinhou no ar o que dissera... e tanto para guardar na memória, exclamou, na tentativa de dissecar pensamentos ate encontrar a frase obscura que pudesse abrir caminho no rascunho notívago. certamente, balbuciou, um tolo, certamente, e quando corretíssimo de estar sozinho, notou um vulto, e arregalou olhos castanhos, tao puros e tao condenados, como todos os olhares das almas que apreciam bons versos.


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Texto e foto: Eliéser Baco (Copyright)

Tomas Toimi - 08 de 09

(CLOSE NAS MÃOS COM SANGUE. PRETO E BRANCO. SOM BAIXO DE RUÍDOS DE MAQUINÁRIO INDUSTRIAL)

Tomas Toimi (voz numa apreensão quase feliz)
_ Paralelamente, sua intuição sobre minha pessoa, infeliz, acertou. Sempre fui dissimulado. Desejos reprimidos. Querendo arrancar do mundo o útero e comer escondido completamente. O útero do mundo daria criatividade para ser aceito, fizesse o que fosse minha manipulação.

(O SOM DO MAQUINÁRIO É SUBSTITUÍDO AOS POUCOS PELO RUÍDO AUMENTATIVO DE UM TREM A RANGER NOS TRILHOS. CLOSE SENDO RETIRADO AOS POUCOS. CORTE BRUSCO PARA OS OLHOS)

Tomas Toimi (Voz sussurrante a aumentar conforme aumenta o volume dos ruídos do trem)

_ Enxergou sempre parte do que deveria meu rapaz. Agora sangra nesse incômodo momento. Provocou a ira dum ser alvo, puto, de atitudes diferentes da que aguardava? Fela, felizmente, é sempre assim. Deixo agora minha máscara. Meus olhos enquadrados em lente míope. Minha visão é futuro, empreendedor que faz dinheiro, planta e colhe o caos direto do teu sangue, imbecil!


(CLOSE AOS POUCOS NOS FERIMENTOS DO HOMEM CAÍDO. CORTES BRUSCOS ENTRE OS DENTES DE TOMAS, OS LÁBIOS, AS MÃOS E OS CABELOS DELE)

Tomas Toimi (Gradativamente áspero assim como os ruídos)
_ Conjecture teu fim, asno. Compactue com o que é verdade imediata, viril. Irei despejar teus restos. Olhe essa foto retirada do teu diário eletrônico. Neblina densa. Esse nevoeiro é metáfora perfeita para minha mente. Minha ação é a locomotiva que passará por cima da sua alma poética e medíocre. Tudo que necessito está na minha conta bancária. Você não passa de um experimento que não deu certo nessa sociedade laboratorial, industrial. Tudo que você cantou e sonhou é apenas um pigarro irritante. Parasita sem noção!  

(CORTES BRUSCOS PARA A PORTA, A JANELA, OS FERIMENTOS, O PÉ-DE-CABRA)

Tomas Toimi(começa a chutar o homem. Pé-de-cabra na mão. Diz pausadamente. Fortemente. Som de trem aumenta)
_ Sangre! Sangre mais! Mais, sangre mais!

(CORTE NA MÚSICA E NOS SONS TODOS. TELA NEGRA A FICAR RUBRA. VELOCIDADE MÉDIA)
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texto e foto: Eliéser Baco (Copyright)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Génesis

Reencontremos as águas primordiais de nosso caminho. A luz de nossa estrada é amparada pelo firmamento. Os dias são caóticos. Iniciam-se as novas vinte e quatro horas do dia como se não tivessem se extinguido na noite anterior. A pressa domina, a quantidade de informação e afazeres aprisiona; ainda assim, precisamos ser semente, fruto e relva na partitura composta por tantos, a nos desafiar. Separemos a escuridão nas atitudes e deixemos para trás o discurso decorado. Muitos vivem das frases prontas feitas há tanto tempo e nem um pouco vividas. A comodidade e a conveniência impedem-nos de seguirmos o que acreditamos?

 Sejamos luzeiros nas noites mais soturnas e necessitadas de lampejos bons. Não somente para ou por nós,
para os que mais confiam em nossas palavras e ações.  O mar da vida é grandioso e com inúmeras possibilidades, sejamos as próprias criaturas nascidas de nossos melhores sonhos; confiemos que podemos ser as belas aves a multiplicar o verdadeiro sentido do respirar. O início é sempre o motivo mais difícil e consternador. A derrota não é perder, é se deixar amansar pela ruptura que há em nós entre o verdadeiro bem e o que convém na contemporânea sociedade. Vivamos a moral e a ética, antes que só constatemos isso em livros por demais antigos, inteligíveis ao nosso possível debilitado, diminuto, insignificante coração. Existe o que pode ser feito hoje e o que queremos deixar descansar no leito do descaso.  
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(fotos e texto: Eliéser Baco) 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Tomas Toimi - 07 de 09

(Retira as mordaças)

Amarrado
_ Como cantar com mãos amarradas?

Tomas Toimi:
_ Cante imbecil. Não desamarrarei.

Amarrado
_ Não compreende inutilidade dessa saga? Que páginas foram viradas? Que você,  o único que apesar dos anos, não engoliu? Ela já ficou algumas vezes só, nunca cogitou voltar...

Tomas Toimi:
_ São suas palavras, não dela.

Amarrado
_ Acredite, ela não diria... por respeito aos galhos que ecoaram e um certo cuidado para não dizer ou escrever nada ofensivo pra você.

Tomas Toimi:
_ Você se engana muito fácil com o sorriso de uma mulher. Ela diria tudo realmente? Sobre o passado? Sobre as ligações, sobre os emails, sobre as redes sociais? Acredita mesmo?

Amarrado

_ Acredito! Se não acreditasse não estaria com ela. Se você acredita que posso cair nessas palavras tolas, esqueça. Ela não é mais a pessoa que você conheceu. Ela não sente absolutamente mais nada como anos atrás.

Tomas Toimi
_ Por isso mesmo acredito, com a evolução dela durante esse tempo, ela possa me enxergar agora. Você é um pé-rapado perto de mim. Você é um nada perto do que construí.

Amarrado
_ E isso importa pra você, e nessa ânsia louca acredita que pra ela também.

Tomas Toimi
_ Tirei sua mordaça para você cantar o que ela mais gosta de ouvir, não para discutirmos o que você nunca mais terá com ela, imbecil... Mostre-me a voz! Mostre-me!

Amarrado
_ O que cantarei serão os poemas que escrevi. O que vem de mim é o que ela mais aprecia. Precisa compreender isso, seguir longe sua vida. Não queira manter um fio de contato infantil com esperanças desesperadas. Sua saúde mental passa ao largo daqui. Porque não começa esquecendo que existo? E depois começa a procurar alguém que lhe compreenda? Ela não te ama. Quer um discurso meu? Quer minhas palavras mais sinceras a respeito da mulher que não te ama mais?

(Tomas acerta o pé-de-cabra na cabeça do amarrado. Olha-o. Sorri ainda mais)
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Fotos e texto: Eliéser Baco (copyright - Todos os Direitos Reservados)
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional