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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Tomas Toimi - 07 de 09

(Retira as mordaças)

Amarrado
_ Como cantar com mãos amarradas?

Tomas Toimi:
_ Cante imbecil. Não desamarrarei.

Amarrado
_ Não compreende inutilidade dessa saga? Que páginas foram viradas? Que você,  o único que apesar dos anos, não engoliu? Ela já ficou algumas vezes só, nunca cogitou voltar...

Tomas Toimi:
_ São suas palavras, não dela.

Amarrado
_ Acredite, ela não diria... por respeito aos galhos que ecoaram e um certo cuidado para não dizer ou escrever nada ofensivo pra você.

Tomas Toimi:
_ Você se engana muito fácil com o sorriso de uma mulher. Ela diria tudo realmente? Sobre o passado? Sobre as ligações, sobre os emails, sobre as redes sociais? Acredita mesmo?

Amarrado

_ Acredito! Se não acreditasse não estaria com ela. Se você acredita que posso cair nessas palavras tolas, esqueça. Ela não é mais a pessoa que você conheceu. Ela não sente absolutamente mais nada como anos atrás.

Tomas Toimi
_ Por isso mesmo acredito, com a evolução dela durante esse tempo, ela possa me enxergar agora. Você é um pé-rapado perto de mim. Você é um nada perto do que construí.

Amarrado
_ E isso importa pra você, e nessa ânsia louca acredita que pra ela também.

Tomas Toimi
_ Tirei sua mordaça para você cantar o que ela mais gosta de ouvir, não para discutirmos o que você nunca mais terá com ela, imbecil... Mostre-me a voz! Mostre-me!

Amarrado
_ O que cantarei serão os poemas que escrevi. O que vem de mim é o que ela mais aprecia. Precisa compreender isso, seguir longe sua vida. Não queira manter um fio de contato infantil com esperanças desesperadas. Sua saúde mental passa ao largo daqui. Porque não começa esquecendo que existo? E depois começa a procurar alguém que lhe compreenda? Ela não te ama. Quer um discurso meu? Quer minhas palavras mais sinceras a respeito da mulher que não te ama mais?

(Tomas acerta o pé-de-cabra na cabeça do amarrado. Olha-o. Sorri ainda mais)
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Fotos e texto: Eliéser Baco (copyright - Todos os Direitos Reservados)

Stendhal - O Vermelho e o Negro - (trecho)

Cansou o cérebro a planejar manobras hábeis; a seguir, achava-as absurdas; em suma, êle se sentia muito desgraçado, quando soaram 2 horas no relógio do castelo.

Êsse ruído o despertou como o canto do galo despertou São Pedro. Viu-se no instante mais penoso do caso. Depois de havê-la feito, êle não pensara mais na sua impertinente proposta; fôra tão mal recebida!

"Eu disse a ela que iria ao seu quarto às 2 horas", pensou êle levantando-se. "Posso ser inexperiente e grosseiro, como é natural num filho de camponês e como a Sra. Derville me deu a entender muitas vêzes, mas, ao menos, não sou um fraco!"

Julien tinha razão de fazer graça da sua coragem; nunca se impusera obrigação mais dura. Ao abrir a porta, estava tão trêmulo, que os joelhos se lhe dobravam e êle foi forçado a apoiar-se na parede.

(Abril Cultural, 1971, página 94)
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Stendhal: http://pt.wikipedia.org/wiki/Stendhal
O vermelho e o negro: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Vermelho_e_o_Negro

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Malavita - A Família - The Family

Com direção de Luc Besson, roteiro dele próprio com Michael Caleo, A Família, é um bom filme baseado no livro Badfellas, de Tonino Benacquista (published by Penguin USA).

Como atores principais, Robert de Niro, Michelle Pfeiffer, Tommy Lee Jones, Dianna Agron e John D'leo; Produção executiva de Martin Scorcese.

Estava com saudade de ver algo novo de De Niro. Um dos expoentes de sua geração, consegue em poucos segundos de interpretação encantar quem gosta desta nobre arte.

A estória mira a transição de uma cidade a outra na França, de uma família norte-americana protegida pelo FBI, por ter seu patriarca, Giovanni Manzoni (De Niro), delatado seus companheiros mafiosos. Já li em alguns sites brasileiros que o filme foi considerado comédia. O início principalmente tem perfis mais de comédia, por assim dizer, em momentos interessantes dos jovens atores mostrando suas garras mafiosas no colégio e outros diálogos irônicos.  

Os primeiros 22 minutos são legais para nos aproximarmos do que os acomete de fato, que é passar de um estágio a outro da vida e não se perturbar demasiadamente com isso; não há tempo nem foco para descermos degraus psicológicos perante o impacto profundo da situação familiar.

É um bom filme para quem quer apreciar Robert De Niro novamente encarnar um papel de gângster que tanto lhe trouxe na carreira. Dianna Agron e  John D'leo, que fazem os papéis dos filhos adolescentes de De Niro e Michelle Pfeiffer, vão muito bem, convencem.

É um bom filme, indico sim! Uma pena não ter assistido antes.
Uma das canções mais bacanas do filme é The Greatest, performed by Cat Power.




sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tomas Toimi - 06 de 09

_ Aborrecimentos constantes, minha visão diante do que foi. Meus bairros prediletos, arquivos favoritos, comidas que me apetecem. Só não conheço mais as vontades de quem tanto quis. Da última vez que marquei algo com ela, já apenas um amigo, apenas pude registrar sua voz e sua imagem. A pedido dela. Um favor feito com pavor e desejo. Antes disso, conheci você, o cara que me tirou definitivamente dela; você me olhava de braços cruzados; forte olhar diante da situação. E eu a conversar ignorando-lhe. A tentar dizer para ela com minha visão, que você não a merecia. Apenas um idiota burocrata que tenta escrever pra ela o que tanto já fiz.

(olha para os lados e continua a falar...)

_ Agora tenho esse punhal e a chance de resgatar o que quero.
(olha para trás, mostra o punhal, deixa-o no chão.)
_ Será hoje? Não conseguirei prosseguir sem essa ação desesperada e paranoica. Talvez tenha sido somente um covarde. Não enxerguei do que sou feito. Arrogante com aqueles imbecis sem estudo. O vômito de ser quem sou. Vou espancar com pé-de-cabra até você implorar...
(cospe ao chão)
_ Não deixarei mais no armário entranhas e vontade de te esmurrar; aquecerei o futuro com palavras de outrora. Saberei colher o que vier pelo tempo que durar. Por mais alguns instantes, ela precisa ser minha. Ela agradecerá! Tenho todos os arquivos registrados de imagens nossas.
(Tomas Toimi empurra quem estava na cadeira, boca amordaçada.)

_ Sou um híbrido paranoico robótico, astuto demais você compreender. Sabe aquele lustre enorme na Pinacoteca do Estado? Então, olhávamos junto pra ele antes da maré virar contra... Depois o pântano surgiu. Eu adorava tirar fotos beijando o rosto dela. Em todos os lugares...
(Levanta, guarda o punhal)
_  Quer saber como ela dormia em meu quarto? Nunca foi com ela na Pinacoteca do Estado, não? As canções que você cantou com voz firme e doce serão ouvidas por mim. 
Cante! 
Vamos! Cante!

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Fotos: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Edição das fotos: Eliéser Baco

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

9 Perguntas - Escritor Mauro Nunes

9 Perguntas inicia sua trajetória ao entrevistar Mauro Nunes.

Os escritores talentosos em início de carreira precisam de espaço. Necessitam de leitores também. A boa safra brasileira precisa ser comentada, analisada, divulgada e compartilhada. É com esse pensamento que este blog abre um novo caminho, uma nova trilha. 


Mauro Nunes nasceu em Goiânia, mas se considera brasiliense por tempo de casa. Lá iniciou sua carreira como escritor, participando com uma publicação na Revista Nil em 2010 e com o roteiro do curta doc inESPAÇO, participante do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além de uma intervenção poética no catálogo da exposição fotográfica de mesmo nome. Em 2011 foi finalista no Concurso Nacional do SESC de Literatura, com o livro de contos “Sobre como eu inventei o amor e a morte” (ainda inédito), e em 2013 se mudou para São Paulo, onde publicou o romance “O Caos do Acaso”, pela Editora Kazuá, prefaciado por Santiago Nazarian. Com lançamentos em Brasília, Goiânia e São Paulo, o escritor fez parte da VIII Balada Literária, em 2013, onde teve a oportunidade de divulgar seu romance ao lado de nomes como Marcelino Freire, Lourenço Mutarelli, Paulo Lins, Arnaldo Antunes, Santiago Nazarian, entre outros participantes não menos importantes.

E.B.: Seu romance "O caos do acaso" pode ser notado como cinematográfico e intenso. Como foi seu processo criativo?

M.N.: Eu já tinha a ideia embrionária na cabeça, no início de 2012. No segundo semestre eu a coloquei no papel e dediquei seis meses, entre bebedeiras e procrastinações, até que sentisse o livro pronto. A maioria dos acontecimentos, e até algumas personagens, surgiram enquanto escrevia. Muita coisa me surpreendeu, não esperava que terminasse daquele jeito.


E.B.: Há uma descrição certeira a respeito do seu livro: "Há o triunfo da autorreflexão, esquecida pelo ser humano, seja ele da cultura que for." A junção das personagens durante o processo de escrita lhe dava essa noção, esse norte literário?

M.N.: Sim. Tive muita influência de romances existencialistas, principalmente Sartre e Dostoiévski, que sempre me direcionaram para essa autorreflexão, além da literatura intimista de Clarice Lispector, Virgínia Wolf e Caio Fernando Abreu. Dentre centenas de outras referências, essas foram as que tiveram mais influência no meu processo criativo.


E.B.: O prefácio do romance foi feito por Santiago Nazarian, a seu pedido, através de uma rede social. Nazarian foi uma referência para querer escrever?

M.N.: Com certeza. Sempre fui fã dos livros do Santiago e acompanho com frequência o blog dele (http://www.santiagonazarian.blogspot.com.br/). Na minha cabeça um escritor era uma figura etérea e subjetiva, inalcançável pra um poetinha que nem tem onde cair morto, como eu. Acompanhar os relatos do Santiago acabou me mostrando que não, o escritor não é esse ser imortalizado por academias. Escritor é quem escreve e acredita no que escreve. E, depois, ter minha obra lida e aprovada por alguém que eu sempre admirei tanto foi uma experiência incrível. Me deu mais confiança pra continuar.


E.B.: Existe uma forte ironia em suas linhas e as personagens parecem por vezes buscar uma última fuga antes de enxergarem de fato quem são. A sua ficção espelha sua visão da sociedade atual?

M.N.: De certa forma, sim. O livro está todo impregnado com o meu sentimento do que é estar-no-mundo, por isso o pessimismo exagerado. Não enxergo a sociedade com bons olhos e isso se reflete no que escrevo. No livro tem violências que pra mim são abjetas, mas existem e estão aí o tempo todo, na nossa cara. Em vários trechos eu só retrato o que vejo, sem muita impressão. Em outros, é pura impressão.


E.B.: Existe personagem predileta em "O caos do acaso"?

M.N.: Não. Tive momentos de simpatia e rejeição com todas as personagens, não dá pra eleger um "predileto".


E.B.: A protelação citada por você é uma forma de refletir sobre os caminhos da estória e os caminhos da sua própria narrativa? Muitos escritores dizem esboçar previamente um fio de estória, para depois viver o cotidiano de escrever, de agir perante aquele mundo novo criado. Você faz ou fez em algum momento desse livro alguma prévia, algum início?

M.N.: Não, a protelação é pra descansar a cabeça mesmo. Eu fico muito imerso no universo ficcional, que no caos era bem pesado e tenso, então precisava de alguns momentos de paz. Sempre que escrevo, tenho que me deixar levar totalmente pela estória. Nisso eu tenho um trabalho de pensar como se estivesse naquele universo, de ver o mundo como se fosse parte dele. Isso é bom, mas também é desgastante.
Pra iniciar o livro eu geralmente faço um esboço beeeem geral, umas cinco ou seis linhas só com a estória ampla. À medida que vou escrevendo, submerso no processo criativo, novas ideias vão surgindo, novos cenários, novos caminhos... é imprevisível.


E.B.: Quando citou de maneira tão viva a forma como Nazarian se coloca ao mundo, lembrei-me de uma passagem da biografia de Edgar Allan Poe, que menciona sobre a forma como ele encarava o ofício do escritor, de querer viver do trabalho escrito sem parecer um ser de outro planeta, ou uma estrela inalcançável. Você acha que falta aos artistas de um modo geral a consciência (e ou humildade) de que precisam estar mais próximos de seu público?

M.N.: Não, não acho que os artistas tenham qualquer obrigação pessoal de se aproximarem do público. Cada um tem seu limite, seu método. Alguns se dão bem com o público, com as redes sociais, como é o caso do Nazarian (e de vários outros). Alguns simplesmente não querem fazer parte desse mundo, preferem o isolamento para a criação, tipo o Dalton Trevisan. O artista se mede pela obra, não pela pessoa. Tenho uma amiga que me aconselhou a não procurar sobre a vida pessoal dos meus ídolos, porque a possibilidade de decepção é grande. E ela estava certa.


E.B.: E desde que terminou "O caos do acaso" tem planos para um novo romance? Você mesmo se definiu como um poeta, tem planos de livro de poemas, contos?

M.N.: Tenho sim, estou trabalhando num novo romance. E tenho um livro de contos pronto, engavetado, que foi até finalista no concurso nacional do SESC de literatura, em 2011. Mas é um projeto pra publicação futura, pretendo trabalhar os romances primeiro. Sobre poesia, bem... eu escrevo muita poesia, tenho vários planos de livros, mas na verdade sou um poeta bem medíocre. Melhor não mexer com isso agora.


E.B.: O espaço é seu, Mauro, quer deixar alguma mensagem para novos escritores, leitores, amores, desafetos? Quer cantarolar o acaso da arte ou deixar uma dica de leitura? Vamos lá, deixe seu recado, e, obrigado pelas declarações.

M.N.: Um recadinho pros leitores: Comprem os novos autores! A gente gasta 35 reais numa balada fácil, mas só gasta isso com um novo autor se ele tiver resenha na revista semanal. Compre, leia, se não gostar, tudo bem! A vida segue, você doa o livro pra uma biblioteca qualquer. Se os leitores continuarem investindo só em clássicos e best-sellers, o mercado nunca vai se renovar e grandes talentos ficarão perdidos por aí, embaixo dos viadutos.
Podem começar com O Caos do Acaso, à venda nas livrarias cultura ou comigo mesmo, pelo facebook.

No mais, obrigado pelo interesse, pelas perguntas. E muita boa sorte com o blog!

Grande abraço,
Mauro Nunes

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Para conhecer mais sobre O Caos do Acaso:


Página no Facebook: 
https://www.facebook.com/pages/O-Caos-do-Acaso/227439547419046?ref=ts&fref=ts


Resenha publicada no site Indique Um Livro, do grupo Literatortura: 
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/01/02/o-caos-do-acaso/


Divulgação no site da Balada Literária: 
http://baladaliteraria.com.br/convidados/mauro-nunes


Prefácio, por Santiago Nazarian: 
http://www.santiagonazarian.blogspot.com.br/2013/10/e-os-jovens-continuam-escrevendo.html


Entrevista para a Editora Kazuá: 
http://www.editorakazua.com.br/entrevista-com-mauro-nunes-autor-de-o-caos-do-acaso/

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Radiohead - There There (Acoustic)





"Em plena escuridão
vou caminhando na
tua paisagem"


"In pitch dark
I go walking in
Your landscape"

sábado, 18 de janeiro de 2014

Tomas Toimi - 05 de 09

Revê as fotos do passado.
Reimprime a infinidade de emails trocados.
Cataloga tudo com jeito dinâmico.

Ele sabe que se der algo errado sempre terá para onde correr. Os mesmos braços de madeira das árvores dos caminhos. Guarda a coleção revistas pornô em caixas distintas, para levar ao escritório. O endereço da acompanhante favorita já está no seu bolso traseiro.


Olha o punhal recentemente comprado. E anota em outro local os telefones do Careca e do Mentecapto. Coloca no mundo virtual fotos com suas amigas mais bonitas e atraentes. Adiciona alguns em sua página. 

E sempre passa pelo da ex para se certificar que ela continua bela e em breve estará sozinha novamente. Para ele roubá-la do mundo.
E cercá-la de mimos e presentinhos de pelúcia e o tédio que ele sempre carregou na ponta do sorriso que não muda. Talvez somente seja um bom corno para se levar a vida. Talvez se contente em ser somente um asno que se dará bem na vida enroscado nos ditames do que professa. E tão bem!! Tudo isso passou por suas ventanas enquanto o Mentecapto sugava até o último suor, o sexo do Careca. Pois é, alguns homens são machos homofóbicos até ficarem sozinhos com outros dois.
Ouve comentários sobre ser ou não ser tão salgado e olha atento a fechadura da porta se mexer. Abaixa um pouco a música e continua a verificar o passado enquanto os dois tentam abrir seu zíper. Não existe poesia sensível. Não paga conta alguma ser gentil no asfalto. Tudo que importa é se safar. É se dar bem a sua maneira.

Tudo que importa é tentar se vingar das cifradas que já levou: da sociedade, dos amigos, da ex-qualquer coisa. 
Tem uma hora que só se precisa de um punhal por perto para ferir quem não se traga... e dois amigos loucos para saciar sua vontade de sexo. 
Conheço sua praça seca, quero conhecer a viscosidade de seu sangue, meu inimigo, diz Tomas.


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Texto e fotos: Eliéser Baco (Todos os Direitos Reservados)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Rolezinhos" em São Paulo, capital financeira do Subcontinente meridional americano


Segundo informações colhidas na web, Shopping Center ou Centro Comercial é uma estrutura que contém estabelecimentos comerciais como lojas, lanchonetes, restaurantes, salas de cinema, playground e estacionamento, caracterizado pelo seu fechamento em relação à cidade.
Muito tem se escrito e dito a respeito dos "rolezinhos" em São Paulo, cidade considerada centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul.

Alarga-se por tudo os tentáculos da gigante cidade. De rios poluídos aos acidentes de trânsitos, da conhecida gastronomia diversa e ampla aos principais clubes de futebol do país. Sem falar da parte cultural, vasta e poética.
Isso é muito importante e mais importante se torna quando se pode ir e vir por tudo que a cidade pode oferecer.

A onda dos "roles" entra em confronto ideológico para alguns, com o que a juventude quer e precisa quando se trata de acesso a locais para passeios e consumo.
O consumo, marca maior dessa geração, é o que se propaga e que leva muitos a ancorar boa parte de sua renda no que os grupos a que pertencem usam e se deliciam.

O caráter marginal dos jovens que apreciam "rolezinhos" encontra espaço na simples diversão conjunta, na possibilidade de pequenos furtos, na ferocidade da elite querer defender seus principais clientes e na revolta contra a fragmentação deles próprios ("rolezistas" e clientes afortunados) nos centros comerciais da capital financeira brasileira.

Quem sabe se os valores fossem outros, a idealização do mercado de consumo fosse uma piada contada cotidianamente nos colégios públicos e nas valas abertas com cheiro de esgoto.
Quem sabe tantas outras coisas poderiam e deveriam ser diferentes sob ponto de vista de qualquer um que possa conjecturar pensamentos a respeito daquilo que lhe interessa.
Resta-nos agora, saber onde poderão ir, sem ser alvo, aqueles que querem somente passear com seus inúmeros pares, e, onde estarão aqueles que se juntam ao aglomerado de jovens para em uma fração de segundos decidir vandalizar e escandalizar sua necessidade consumo em pretensões criminosas.

A respeito do trabalho da polícia e das demais forças de contenção de violência pode-se tratar o tema como a maior fragmentação social contemporânea. Com índices de corrupção e violência gratuita talvez nunca vistas antes. Os direitos fundamentais não são respeitados para os cidadãos de bem. A política não nos devolve a segurança pública ou a saúde pública dignas de nosso povo e da abrangência dos impostos pagos por todos, ou quase todos. Os nossos representantes, políticos que não são só políticos, mas, empresários também,  - em grande parcela, defenderão a quem? Intercederão por quem?
No nosso país, só consigo imaginar uma resposta possível: eles próprios, suas famílias e aqueles engendrados em suas teias.
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Texto e fotos: Eliéser Baco (Direitos Reservados)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Richard Ashcroft - Science of silence


"Nós estamos em uma rocha, girando silenciosamente
Mas eu estou seguro, quando você está comigo
Essas perguntas que estou fazendo, elas estavam me perseguindo..."



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

The Vines - Autumn Shade III

De manhã cedo
Debaixo da sombra de outono
Não preciso mais me lembrar do dia

Agora as folhas estão caindo
E o sol não está por perto
E as palavras que eu estou cantando para as nuvens

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In the early morning
underneath the autumn shade
I don't need no more reminding of the day

now the leaves are falling
And the sun won't be around
and the words I am singing to the cloud


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

François Truffaut - 001

O Cinema segundo François Truffaut
Textos reunidos por Anne Gillain - Editora Nova Fronteira (1990)

Adquiri este livro em um sebo. Cinema é uma paixão inquietante. Perceber um pouco mais da vida singular de Truffaut e suas opiniões sobre filmar, é uma travessia maravilhosa.
Colocarei partes de entrevistas constantes nesse livro, que se trata d'uma compilação de várias entrevistas dadas por ele.



Do Capítulo I - Infância.

Que tipo de cinema o formou?

F.Truffaut:
Eu digo sempre que os "minnellistas" (apreciadores de Minnelli), ou os que adoram o cinema americano, nunca procuram se reconhecer num filme. Eles buscam evadir-se totalmente, inclusive em termos de paisagem, isto é, preferem não ver sua própria cidade,as ruas por onde andam, o mundo que os cerca. Sua necessidade de fuga é absoluta. Eu, talvez porque durante a Ocupação (Exército alemão em Paris durante a segunda guerra mundial) não existissem filmes americanos, fui formado inicialmente por um punhado de filmes franceses. Digo "um punhado" porque, entre 42 e 44, não houve mais de quarenta ou cinquenta filmes, dos quais o mais marcante é, sem dúvida alguma, O Corvo. Talvez também por eu preferir ver na tela um mundo que não fosse muito distante da minha vida real... Eu preferia, por exemplo, filmes modernos a filmes de época, e filmes psicológicos ou policiais a outros filmes... É tudo o que posso dizer a esse respeito; o resto ficaria muito melhor num estudo sobre o cinema da Ocupação. 




Do capítulo  - II - A Nouvelle Vague

O fato de ter realizado seus filmes com poucos recursos financeiros lhe trouxe algo de novo?

F. Truffaut:
Claro que sim. Onde o diretor tarimbado fazia quinze tomadas, nós só gravávamos uma ou duas. Isso estimulava os atores, que sabiam que não repetiríamos a cena, então davam tudo de si. Por conta disso, novas imagens não tem a perfeição fria que normalmente se vê nos filmes franceses e o público ficou sensibilizado com o aspecto espontâneo de nossas realizações.






Mas, se compreendi bem, isso é consequência da falta de acabamento.

(Hitchcok & Truffaut)
F.Truffaut:
Exatamente. E isso já é muito no cinema. Confere aos filmes uma verdade exterior, que não é profunda mas que tem a sua importância. Por exemplo, nos filmes normais, quando se roda uma cena com personagens dentro de um carro, conversando, a filmagem se dá em estúdio, usando-se algo chamado de "transparência" para se projetarem imagens filmadas de antemão pelo cinegrafista, as quais desfilam por trás do vidro do carro. Percebe-se perfeitamente que o ator não está dirigindo, que ele declama o seu texto sem se ocupar com o volante. Todos os espectadores que dirigem carro ficam se perguntando como pode o carro não bater contra uma árvore. Ora, como não podíamos nos permitir o uso de transparência em estúdio, para uma cena assim fixamos, pela primeira vez depois de anos, uma câmera na dianteira do carro. O resultado é que conseguimos muito mais verdade, a verdade das ruas, da interpretação e do ator e, dessa forma, a cena passou a tocar mais profundamente o público. Mas esse truque imposto pelas circunstâncias não pode transformar-se em vício. De toda maneira chega-se a uma verdade profunda através de uma verdade superficial, e o cinema sofisticado tinha perdido até mesmo essa verdade superficial. O figurino dos atores, por exemplo, jamais ficava amarrotado, como também os personagens jamais ficavam com o cabelo despenteado. 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Tomas Toimi - 04 de 09

Suas noções de fotografia. Suas máquinas de filmar e gravar o áudio. Agravar a verdade. Ele caminha para casa com um careca baixinho a tiracolo e um mentecapto alcoólatra assexuado a resmungar suas semelhanças. Três homens diante da pequenez de suas palavras. Sentem-se gigantes. A procura do alvo predileto: Um jovem senhor que ama e é amado pela mulher que querem e ou perderam. Noções de matemática e lógica que se danem, não é mesmo? Máquinas de datilografar, que se ferrem. A realidade não está gravada em suas mentes. Tudo parece sem foco no olhar crepitante. Tiraram fotos e filmaram tudo. Conseguiram colocar um microfone pequenino perto deles. Como a genitália diminuta de um homem querendo ritmar orgasmos numa alma poética e funda demais para razões tão rasas. É uma cova vazia, certos corações. 

Tomas Toimi mora com a mamãe. Sobem até seu quarto. Cada deles vê duas vezes calmamente o vídeo. Atentos no áudio. Tudo tão simples os verbetes e diálogos. De uma profundidade que não conseguem alcançar. Um deles três repete frases de seriados, como se pudesse adentrar ao mundo da ficção e trazer para sua realidade algo bom, lúdico, valoroso e digno. Nada é tão indigno quanto desejar acabar com a relação da mulher que querem e o homem dela. Nada é tão indigno quanto respirar perto deles. 

 O terceiro homem, radicado no sul para fugir de responsabilidades oriundas de sua idade, fala palavrões a cada minuto. O careca olha ao celular para responder mensagens da esposa. Tomas Toimi encontra neles a pior manifestação de si ao mundo. Eles se acotovelam exemplarmente para saber quem fica com o original do que foi registrado.




O sorriso de Tomas nas fotos é sempre o mesmo. É sempre forjado. Diante de sua solidão completa, uniu-se a rascunhos de homens. E ele também se nota assim. 

Escreve o nome do homem que odeia e inveja. 
E vomita nos sapatos todos enquanto sua mãe bate em sua porta. 
E sorri.

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Texto e fotos: Eliéser Baco
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional