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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

9 Perguntas - Escritor Mauro Nunes

9 Perguntas inicia sua trajetória ao entrevistar Mauro Nunes.

Os escritores talentosos em início de carreira precisam de espaço. Necessitam de leitores também. A boa safra brasileira precisa ser comentada, analisada, divulgada e compartilhada. É com esse pensamento que este blog abre um novo caminho, uma nova trilha. 


Mauro Nunes nasceu em Goiânia, mas se considera brasiliense por tempo de casa. Lá iniciou sua carreira como escritor, participando com uma publicação na Revista Nil em 2010 e com o roteiro do curta doc inESPAÇO, participante do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além de uma intervenção poética no catálogo da exposição fotográfica de mesmo nome. Em 2011 foi finalista no Concurso Nacional do SESC de Literatura, com o livro de contos “Sobre como eu inventei o amor e a morte” (ainda inédito), e em 2013 se mudou para São Paulo, onde publicou o romance “O Caos do Acaso”, pela Editora Kazuá, prefaciado por Santiago Nazarian. Com lançamentos em Brasília, Goiânia e São Paulo, o escritor fez parte da VIII Balada Literária, em 2013, onde teve a oportunidade de divulgar seu romance ao lado de nomes como Marcelino Freire, Lourenço Mutarelli, Paulo Lins, Arnaldo Antunes, Santiago Nazarian, entre outros participantes não menos importantes.

E.B.: Seu romance "O caos do acaso" pode ser notado como cinematográfico e intenso. Como foi seu processo criativo?

M.N.: Eu já tinha a ideia embrionária na cabeça, no início de 2012. No segundo semestre eu a coloquei no papel e dediquei seis meses, entre bebedeiras e procrastinações, até que sentisse o livro pronto. A maioria dos acontecimentos, e até algumas personagens, surgiram enquanto escrevia. Muita coisa me surpreendeu, não esperava que terminasse daquele jeito.


E.B.: Há uma descrição certeira a respeito do seu livro: "Há o triunfo da autorreflexão, esquecida pelo ser humano, seja ele da cultura que for." A junção das personagens durante o processo de escrita lhe dava essa noção, esse norte literário?

M.N.: Sim. Tive muita influência de romances existencialistas, principalmente Sartre e Dostoiévski, que sempre me direcionaram para essa autorreflexão, além da literatura intimista de Clarice Lispector, Virgínia Wolf e Caio Fernando Abreu. Dentre centenas de outras referências, essas foram as que tiveram mais influência no meu processo criativo.


E.B.: O prefácio do romance foi feito por Santiago Nazarian, a seu pedido, através de uma rede social. Nazarian foi uma referência para querer escrever?

M.N.: Com certeza. Sempre fui fã dos livros do Santiago e acompanho com frequência o blog dele (http://www.santiagonazarian.blogspot.com.br/). Na minha cabeça um escritor era uma figura etérea e subjetiva, inalcançável pra um poetinha que nem tem onde cair morto, como eu. Acompanhar os relatos do Santiago acabou me mostrando que não, o escritor não é esse ser imortalizado por academias. Escritor é quem escreve e acredita no que escreve. E, depois, ter minha obra lida e aprovada por alguém que eu sempre admirei tanto foi uma experiência incrível. Me deu mais confiança pra continuar.


E.B.: Existe uma forte ironia em suas linhas e as personagens parecem por vezes buscar uma última fuga antes de enxergarem de fato quem são. A sua ficção espelha sua visão da sociedade atual?

M.N.: De certa forma, sim. O livro está todo impregnado com o meu sentimento do que é estar-no-mundo, por isso o pessimismo exagerado. Não enxergo a sociedade com bons olhos e isso se reflete no que escrevo. No livro tem violências que pra mim são abjetas, mas existem e estão aí o tempo todo, na nossa cara. Em vários trechos eu só retrato o que vejo, sem muita impressão. Em outros, é pura impressão.


E.B.: Existe personagem predileta em "O caos do acaso"?

M.N.: Não. Tive momentos de simpatia e rejeição com todas as personagens, não dá pra eleger um "predileto".


E.B.: A protelação citada por você é uma forma de refletir sobre os caminhos da estória e os caminhos da sua própria narrativa? Muitos escritores dizem esboçar previamente um fio de estória, para depois viver o cotidiano de escrever, de agir perante aquele mundo novo criado. Você faz ou fez em algum momento desse livro alguma prévia, algum início?

M.N.: Não, a protelação é pra descansar a cabeça mesmo. Eu fico muito imerso no universo ficcional, que no caos era bem pesado e tenso, então precisava de alguns momentos de paz. Sempre que escrevo, tenho que me deixar levar totalmente pela estória. Nisso eu tenho um trabalho de pensar como se estivesse naquele universo, de ver o mundo como se fosse parte dele. Isso é bom, mas também é desgastante.
Pra iniciar o livro eu geralmente faço um esboço beeeem geral, umas cinco ou seis linhas só com a estória ampla. À medida que vou escrevendo, submerso no processo criativo, novas ideias vão surgindo, novos cenários, novos caminhos... é imprevisível.


E.B.: Quando citou de maneira tão viva a forma como Nazarian se coloca ao mundo, lembrei-me de uma passagem da biografia de Edgar Allan Poe, que menciona sobre a forma como ele encarava o ofício do escritor, de querer viver do trabalho escrito sem parecer um ser de outro planeta, ou uma estrela inalcançável. Você acha que falta aos artistas de um modo geral a consciência (e ou humildade) de que precisam estar mais próximos de seu público?

M.N.: Não, não acho que os artistas tenham qualquer obrigação pessoal de se aproximarem do público. Cada um tem seu limite, seu método. Alguns se dão bem com o público, com as redes sociais, como é o caso do Nazarian (e de vários outros). Alguns simplesmente não querem fazer parte desse mundo, preferem o isolamento para a criação, tipo o Dalton Trevisan. O artista se mede pela obra, não pela pessoa. Tenho uma amiga que me aconselhou a não procurar sobre a vida pessoal dos meus ídolos, porque a possibilidade de decepção é grande. E ela estava certa.


E.B.: E desde que terminou "O caos do acaso" tem planos para um novo romance? Você mesmo se definiu como um poeta, tem planos de livro de poemas, contos?

M.N.: Tenho sim, estou trabalhando num novo romance. E tenho um livro de contos pronto, engavetado, que foi até finalista no concurso nacional do SESC de literatura, em 2011. Mas é um projeto pra publicação futura, pretendo trabalhar os romances primeiro. Sobre poesia, bem... eu escrevo muita poesia, tenho vários planos de livros, mas na verdade sou um poeta bem medíocre. Melhor não mexer com isso agora.


E.B.: O espaço é seu, Mauro, quer deixar alguma mensagem para novos escritores, leitores, amores, desafetos? Quer cantarolar o acaso da arte ou deixar uma dica de leitura? Vamos lá, deixe seu recado, e, obrigado pelas declarações.

M.N.: Um recadinho pros leitores: Comprem os novos autores! A gente gasta 35 reais numa balada fácil, mas só gasta isso com um novo autor se ele tiver resenha na revista semanal. Compre, leia, se não gostar, tudo bem! A vida segue, você doa o livro pra uma biblioteca qualquer. Se os leitores continuarem investindo só em clássicos e best-sellers, o mercado nunca vai se renovar e grandes talentos ficarão perdidos por aí, embaixo dos viadutos.
Podem começar com O Caos do Acaso, à venda nas livrarias cultura ou comigo mesmo, pelo facebook.

No mais, obrigado pelo interesse, pelas perguntas. E muita boa sorte com o blog!

Grande abraço,
Mauro Nunes

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Para conhecer mais sobre O Caos do Acaso:


Página no Facebook: 
https://www.facebook.com/pages/O-Caos-do-Acaso/227439547419046?ref=ts&fref=ts


Resenha publicada no site Indique Um Livro, do grupo Literatortura: 
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/01/02/o-caos-do-acaso/


Divulgação no site da Balada Literária: 
http://baladaliteraria.com.br/convidados/mauro-nunes


Prefácio, por Santiago Nazarian: 
http://www.santiagonazarian.blogspot.com.br/2013/10/e-os-jovens-continuam-escrevendo.html


Entrevista para a Editora Kazuá: 
http://www.editorakazua.com.br/entrevista-com-mauro-nunes-autor-de-o-caos-do-acaso/
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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