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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

François Truffaut - 001

O Cinema segundo François Truffaut
Textos reunidos por Anne Gillain - Editora Nova Fronteira (1990)

Adquiri este livro em um sebo. Cinema é uma paixão inquietante. Perceber um pouco mais da vida singular de Truffaut e suas opiniões sobre filmar, é uma travessia maravilhosa.
Colocarei partes de entrevistas constantes nesse livro, que se trata d'uma compilação de várias entrevistas dadas por ele.



Do Capítulo I - Infância.

Que tipo de cinema o formou?

F.Truffaut:
Eu digo sempre que os "minnellistas" (apreciadores de Minnelli), ou os que adoram o cinema americano, nunca procuram se reconhecer num filme. Eles buscam evadir-se totalmente, inclusive em termos de paisagem, isto é, preferem não ver sua própria cidade,as ruas por onde andam, o mundo que os cerca. Sua necessidade de fuga é absoluta. Eu, talvez porque durante a Ocupação (Exército alemão em Paris durante a segunda guerra mundial) não existissem filmes americanos, fui formado inicialmente por um punhado de filmes franceses. Digo "um punhado" porque, entre 42 e 44, não houve mais de quarenta ou cinquenta filmes, dos quais o mais marcante é, sem dúvida alguma, O Corvo. Talvez também por eu preferir ver na tela um mundo que não fosse muito distante da minha vida real... Eu preferia, por exemplo, filmes modernos a filmes de época, e filmes psicológicos ou policiais a outros filmes... É tudo o que posso dizer a esse respeito; o resto ficaria muito melhor num estudo sobre o cinema da Ocupação. 




Do capítulo  - II - A Nouvelle Vague

O fato de ter realizado seus filmes com poucos recursos financeiros lhe trouxe algo de novo?

F. Truffaut:
Claro que sim. Onde o diretor tarimbado fazia quinze tomadas, nós só gravávamos uma ou duas. Isso estimulava os atores, que sabiam que não repetiríamos a cena, então davam tudo de si. Por conta disso, novas imagens não tem a perfeição fria que normalmente se vê nos filmes franceses e o público ficou sensibilizado com o aspecto espontâneo de nossas realizações.






Mas, se compreendi bem, isso é consequência da falta de acabamento.

(Hitchcok & Truffaut)
F.Truffaut:
Exatamente. E isso já é muito no cinema. Confere aos filmes uma verdade exterior, que não é profunda mas que tem a sua importância. Por exemplo, nos filmes normais, quando se roda uma cena com personagens dentro de um carro, conversando, a filmagem se dá em estúdio, usando-se algo chamado de "transparência" para se projetarem imagens filmadas de antemão pelo cinegrafista, as quais desfilam por trás do vidro do carro. Percebe-se perfeitamente que o ator não está dirigindo, que ele declama o seu texto sem se ocupar com o volante. Todos os espectadores que dirigem carro ficam se perguntando como pode o carro não bater contra uma árvore. Ora, como não podíamos nos permitir o uso de transparência em estúdio, para uma cena assim fixamos, pela primeira vez depois de anos, uma câmera na dianteira do carro. O resultado é que conseguimos muito mais verdade, a verdade das ruas, da interpretação e do ator e, dessa forma, a cena passou a tocar mais profundamente o público. Mas esse truque imposto pelas circunstâncias não pode transformar-se em vício. De toda maneira chega-se a uma verdade profunda através de uma verdade superficial, e o cinema sofisticado tinha perdido até mesmo essa verdade superficial. O figurino dos atores, por exemplo, jamais ficava amarrotado, como também os personagens jamais ficavam com o cabelo despenteado. 
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional