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sábado, 11 de janeiro de 2014

Tomas Toimi - 04 de 09

Suas noções de fotografia. Suas máquinas de filmar e gravar o áudio. Agravar a verdade. Ele caminha para casa com um careca baixinho a tiracolo e um mentecapto alcoólatra assexuado a resmungar suas semelhanças. Três homens diante da pequenez de suas palavras. Sentem-se gigantes. A procura do alvo predileto: Um jovem senhor que ama e é amado pela mulher que querem e ou perderam. Noções de matemática e lógica que se danem, não é mesmo? Máquinas de datilografar, que se ferrem. A realidade não está gravada em suas mentes. Tudo parece sem foco no olhar crepitante. Tiraram fotos e filmaram tudo. Conseguiram colocar um microfone pequenino perto deles. Como a genitália diminuta de um homem querendo ritmar orgasmos numa alma poética e funda demais para razões tão rasas. É uma cova vazia, certos corações. 

Tomas Toimi mora com a mamãe. Sobem até seu quarto. Cada deles vê duas vezes calmamente o vídeo. Atentos no áudio. Tudo tão simples os verbetes e diálogos. De uma profundidade que não conseguem alcançar. Um deles três repete frases de seriados, como se pudesse adentrar ao mundo da ficção e trazer para sua realidade algo bom, lúdico, valoroso e digno. Nada é tão indigno quanto desejar acabar com a relação da mulher que querem e o homem dela. Nada é tão indigno quanto respirar perto deles. 

 O terceiro homem, radicado no sul para fugir de responsabilidades oriundas de sua idade, fala palavrões a cada minuto. O careca olha ao celular para responder mensagens da esposa. Tomas Toimi encontra neles a pior manifestação de si ao mundo. Eles se acotovelam exemplarmente para saber quem fica com o original do que foi registrado.




O sorriso de Tomas nas fotos é sempre o mesmo. É sempre forjado. Diante de sua solidão completa, uniu-se a rascunhos de homens. E ele também se nota assim. 

Escreve o nome do homem que odeia e inveja. 
E vomita nos sapatos todos enquanto sua mãe bate em sua porta. 
E sorri.

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Texto e fotos: Eliéser Baco
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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