© - Copyright - ©

Copyright - © As fotos e os textos de Eliéser Baco aqui publicados têm Todos os Direitos Reservados pela Lei 9610/98- ©

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tomas Toimi - 06 de 09

_ Aborrecimentos constantes, minha visão diante do que foi. Meus bairros prediletos, arquivos favoritos, comidas que me apetecem. Só não conheço mais as vontades de quem tanto quis. Da última vez que marquei algo com ela, já apenas um amigo, apenas pude registrar sua voz e sua imagem. A pedido dela. Um favor feito com pavor e desejo. Antes disso, conheci você, o cara que me tirou definitivamente dela; você me olhava de braços cruzados; forte olhar diante da situação. E eu a conversar ignorando-lhe. A tentar dizer para ela com minha visão, que você não a merecia. Apenas um idiota burocrata que tenta escrever pra ela o que tanto já fiz.

(olha para os lados e continua a falar...)

_ Agora tenho esse punhal e a chance de resgatar o que quero.
(olha para trás, mostra o punhal, deixa-o no chão.)
_ Será hoje? Não conseguirei prosseguir sem essa ação desesperada e paranoica. Talvez tenha sido somente um covarde. Não enxerguei do que sou feito. Arrogante com aqueles imbecis sem estudo. O vômito de ser quem sou. Vou espancar com pé-de-cabra até você implorar...
(cospe ao chão)
_ Não deixarei mais no armário entranhas e vontade de te esmurrar; aquecerei o futuro com palavras de outrora. Saberei colher o que vier pelo tempo que durar. Por mais alguns instantes, ela precisa ser minha. Ela agradecerá! Tenho todos os arquivos registrados de imagens nossas.
(Tomas Toimi empurra quem estava na cadeira, boca amordaçada.)

_ Sou um híbrido paranoico robótico, astuto demais você compreender. Sabe aquele lustre enorme na Pinacoteca do Estado? Então, olhávamos junto pra ele antes da maré virar contra... Depois o pântano surgiu. Eu adorava tirar fotos beijando o rosto dela. Em todos os lugares...
(Levanta, guarda o punhal)
_  Quer saber como ela dormia em meu quarto? Nunca foi com ela na Pinacoteca do Estado, não? As canções que você cantou com voz firme e doce serão ouvidas por mim. 
Cante! 
Vamos! Cante!

.............
Fotos: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Edição das fotos: Eliéser Baco

Ocorreu um erro neste gadget

Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional