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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Arritmia

Joguei fora o guarda-chuva. sem lua nem dia tampouco clareza. objetividade da poça d'água na face. admirável falta de destreza. mundo velho vasto imundo esse imóbile trólibo chamado coração. aquiete-se num ramo de folhas daquela vil canção. que nada existe. fóra do cotidiano mastigado, que nada existe. a subjetividade é uma mágoa escarrada na alma antes de nascer. sou um poema freelancer cuspido pelo Deus Pai. que nada. que tudo. a tormenta dos ventos em versos balsâmicos tropeça na pedra, que sou. o caminho dos bigodes de Leminski traz as folhas vampíricas de Trevisan. e nada mais absurdo que arquitetar em prosa rala, minha, os surtos das palavras da manhã. é louco e moreno o rastro de um homem em arritmia
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Texto e foto: Eliéser Baco.

domingo, 6 de abril de 2014

Um cálice para Leon

_ Já comprei barcos resistentes,
que esse país afunde em sangue dos corruptos. ... é na madrugada que a febre exala. corrompidos, manifestamos temores dos alienados e desejamos as coxas de suas moças. tudo é sagrado até o cheiro ou a lembrança do sexo fazer salivar. tudo é profano até o saco de ouro - moedas - trancafiarem palavras rudes com seu sentar robusto em cima da mesa. olhe ao redor da noite. imensidão tamanha. e o que vale meus atos e meu respirar purulento diante de um mundo em façanha? sou apenas e tao somente o relento, e um vento a peregrinar, e o relento, e o relento... - diz Leon Chivalry.


Ela coloca na mesa de madeira o cálice, empurra levemente na direção de Leon e diz:

_ Portas trancadas, janelas se abrem, o último voo ao redor do lar. Tudo que fora sonhado se esfacela diante da loucura dos dias. Esfarela. Estaria desistindo de mim? Estaria?
Diz uma música, "pois o amor é uma palavra tão fora de moda e o amor te desafia a se importar com
as pessoas no limite da noite, e o amor desafia você a mudar nosso modo de nos preocupar com nós mesmos... Esta é nossa última dança, esta é nossa última dança, isto somos nós mesmos sob pressão".

Todas as canções que adoramos são cantadas tão prontamente e esquecidas quando teríamos que agir com base no nosso coração. O níquel e a turbulência das camadas de horas nos cercam arrastando-nos do nosso melhor, que por fim, está nas canções, somente lá? Para quem quiser ouvir e pensar como eram os relacionamentos quando as canções eram vividas ao invés de somente cantaroladas nos rastros da vida.

Sinto saudade de uma camada de nós que esvoaça como uma roupa que não é mais nossa. Uma pele que descascou. Estaria desistindo de mim? Estaria?
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Texto e foto: Eliéser Baco (Copyright - todos os direitos reservados)


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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional