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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Epitáfio do poeta Ludwig


No dicionário.
Esperar:
Ficar em algum lugar até que chegue alguém ou alguma coisa que se tem como certa ou provável; aguardar.
Contar com.
Ter esperança.
Supor, ter satisfação em acreditar.
Emboscar.
Confiar.

Creio que tudo se resume ao presente ato, verbo sombreado e fincado em minhas veias semimortas. Semivivas. Copo meio cheio, olhos meio vazios. Aguardar traz a ansiedade, e acumula se não esvaziado do peito o ritmo constante e melancólico da espera.

Percebo a conversa sem a crepitação, a centelha, sem a partícula motivadora daquela combustão enigmática e misteriosa. O dia não foi fácil. Cansaço, chuva molhando ossos, a espera por algo que talvez só se tenha realmente no esboço de rascunho de algum estranho pensamento a respeito das relações humanas.

Estreitei nos meus braços. Envolvi, como um mar abraça a ilha.
Adotei, escolhi. Contive na abrangência do estudo de minha alma um mundo, um todo e tudo resumido e particularizado em uma existência. Percebi com a vista, abracei envolto um ser, e tudo do seu mundo num relance de olhos.

Mas minha espera mostrou-se uma emboscada fadada ao melancólico e horrorizado pedido de clemência. De urgência! Em ser aceito como no riso longínquo de outrora.

Cansou-se. Dos meus defeitos ultrajantes. Nauseantes. Claustrofóbicos.
E a fraternidade dos sonhos se mostra como realidade comercial e vil no dia do nascimento do menino-deus.

Escambo doido essas minhas propriedades que gesticulam e pedem braço e ninho sem sentido de objetividade.
E o que será que será das madrugadas solitárias e insones? Amigas tão infalíveis e prudentes...
Minha voz não consegue sair para responder.
Só consigo perceber que tal como aquele que recebeu flores no nascimento, para que elas fossem sua companhia indelével na jornada, eu me sento no parapeito do vento e noto o horizonte. Debruçado nas cores, tons e cânticos.

E sigo, talvez, incansável.
Na espera, por abraços mornos e obstinados de uma poesia, procuro a satisfação por acreditar.
............
Foto e texto: Eliéser Baco (Todos os Direitos Reservados)
Ludwig, personagem de Eliéser Baco.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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