© - Copyright - ©

Copyright - © As fotos e os textos de Eliéser Baco aqui publicados têm Todos os Direitos Reservados pela Lei 9610/98- ©

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sr. Runaway - parte 03 de 03

Você optou, ela optou e eu fiz. Preferiu correr o risco. Convidá-la. Ela preferiu ir até você. Eu preferi tecer esse texto, após surrá-lo. Sim.

Não importa mais o que aconteceu depois que ela entrou na sua casa. Importa para mim como eu me senti, ao ver a porta de casa fechar, ela colocar a mochila nas costas e trancar o que ficou. E sair.

Não pensou como as pessoas refletem e raciocinam no final do ciclo? Só pensou na chance de tê-la por perto, Sr. Runaway?


Não se incomode. Essa é a única surra que lhe dei. Não terá outra.
Não, não, não precisa balbuciar sangue em detrimento de me aconselhar.

Meu pai me aconselha, se eu pedir ou se ele verificar num diálogo que eu teço atos destrutivos.

Nesse caso, ele me aconselharia a arrebentar sua cara, ou deixar tudo como estava.
Não encostou os dedos nela, Sr. Runaway, mesmo querendo?

Agora, me ouça atento e gentil: O caminho é seu, a chance é tua. Levante-se e ligue para sua mãe vir te buscar. Chame os índios do passado para me parabenizar.
Vá até o seu celular, ali espatifado.
Não se preocupe, ela poderá querer cuidar de você. Não encostou os dedos informatizados nela?
Foi só uma instalação de programas piratas e um abraço tímido, umas perguntas idiotas sobre chuva e a família? Aulas sobre correção de imagens digitais?

Correu o risco, Runaway.
Eu corro riscos sabendo da possibilidade de consequências.
Meu passado photoshopado na retina.
Minha rústica presença na delicadeza dos dias.
Minha utilidade cadenciada nos trilhos do transporte público e ou privado.

Correu para a tempestade formada.
Imaginou sorrisos e emails trocados? Telefonemas escusos de madrugada? Na sombra dos meus olhos, meus cílios arregimentados do discurso mentiroso?
Correu para o índio-árabe esfolador de discursos mentirosos e atitudes errôneas, Runaway;
Na próxima vez se masturbe somente, a respeito do que se foi, sem querer o risco dos pés belos passeando por ácaros que só você entende.

A questão não é ter acontecido algo ou ter acontecido nada.
Optar é a semente, o que foi gerado nas minhas entranhas, a consequência.
Este não é um ato de amor próprio ou ódio alheio. Tampouco um manifesto textual digno da possibilidade de leitura.
Não é poético ou dramático. Encerra a possibilidade de eu querer retomar o caminho com ela.
Entende a consequência, o efeito que percorreu o tempo, os segundos, os acordes da música mental e a cena em câmera lenta do final do ciclo?

Eu aceito seus atos e os dela. Aceite os meus. Logo saram seus ferimentos,
Nada é poético ou digno de releitura. Anote as manchas do que sentir e semeie aulas com outras pessoas. Tudo poderia ser diferente para os três elos dessa conversa. Desse texto informativo, febril e superficial demais para ter outros desdobramentos mentais e sentimentais.

Calma que sua mãe já vem. O seu celular ainda funciona, olha que coisa boa!
Nada é poético, Sr. Runaway.
Faça logotipos e mostre o caminho do Adobe.
O risco de se viver é a máquina não aceitar o código cracker.
Eu sou a senha que não foi corretamente gerada, por você e ela.
Na próxima vez, espere eu desligar o ciclo vivido, apagar as luzes do maquinário, enterrar as fotos dos chips do passado. Aguarde com sua saliva afoita o soco não desferido nos cabos de seus dentes mornos e coreldrawzados de dúvidas sobre o sorriso dela.
Não, não encoste em mim, que eu chuto suas mãos que ensinam logotipos adubados de relento.

Não pensou como as pessoas refletem e raciocinam no final do ciclo?
O risco de se viver é a máquina não aceitar o código cracker.
Dizem já fui poeta, mas nada, além da poesia, claro, é poético. Eu não aceitei vosso código.
Adeus, Runaway.

(Os passos do açoitador se foram. Runaway tentando pegar o celular, manchado de solidão contemporânea e riscos. Os três se isolarão em meio-sorrisos. E o mundo continuará a girar.)

......
Texto e ilustração: Eliéser Baco

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sr. Runaway - parte 02 de 03

Sexta-feira 13. Percebe como os dias se sucedem e os atritos não se resolvem se não abrirmos aquela caixa misteriosa e instalada na sala central de nossa existência?

A vida é um labirinto, Sr. Runaway, e tem saídas difíceis de se encontrar, não é mesmo?

 Eu encontrei uma para nosso desentendimento. Quantas vezes idiotas cruzaram seu caminho, Sr. Runaway? Quantas vezes não procuramos confusão alguma e uma tempestade jorrou verbetes em nossa fuça?

Estamos no mesmo bairro, estamos na mesma vila, fazemos compras possivelmente no mesmo  mercado. Já o vi cruzar meu caminho e ficar paralelo aos meus passos pelo menos três vezes.

Gosta de esportes radicais? Gosta de assistir clubes de luta, ouvir música alta para desafogar distúrbios internos e familiares? Foi bom dar aulas para sua ex-namorada? Olhou ela novamente e quem sabe sorriu ao abrir a porta? Seus dedos tremeram? Mordiscou os lábios? Percorreu seu pensar alguma coisa que não disse para ela? Algum desejo confuso e abstrato sobre passado, presente, futuro? Lençóis, sofás, chuveiro?

Não aconteceu nada entre vocês, Sr. Runaway. O fato é este. Só foram aulas photoshopadas e o senhor gostaria de algo mais, não é? Só foi uma instalação de programas pirateados em notebook que não aceita senhas antigas de crackers, não é mesmo? Algumas empresas rastreiam hoje artefatos que têm alguma ligação com eles. Eu faço o mesmo, com pessoas que ainda circundam minha vida de alguma forma. Nós precisamos resolver esse impasse, Sr. Runaway. Possivelmente seja mais um covarde escondido atrás da tela. Possivelmente...

Estará você no horário marcado por mim, no dia escolhido por você, para resolvermos no braço?
Estou cansado de muita coisa que vivi nos últimos meses e é em você que quero descarregar minha raiva, frustração e fúria, Sr. Runaway.

(quem escreve bate palmas e canta, como em um aniversário infantil)
_ ... e o escolhido, foi você!! Sorria, cabrón!!! Sorria.
Poderia ser meu ex-chefe, poderia ser um tio filho da puta, ou um ex-colega retardado que tentou puxar meu tapete. Poderia ser um dos nossos governantes que passam impune. Mas foi você, Runaway.

São Paulo, corrosão de minha vida. O ácido de palavras e atos encharca de fel o denso luar dos que se amaram. Você foi macho para dar aulas e querer algo com ela, não foi?
Será macho para me enfrentar, um contra um, até o outro cair espancado?
O mundo é um labirinto mas não adianta fugir. Atos tem consequências, meu caro asno, assuma as suas.
(o bilhete, entregue em mãos, na porta da casa de Runaway espera resposta em uma semana)

.............
Texto e ilustração: Eliéser Baco

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sr. Runaway - parte 01 de 03

Após 37 verões, números estatísticos, cabalísticos, financeiros e outros dignos de outra nota, posso mencionar meu descontentamento atual.

Ou o peso é igual para os dois ou não é para nenhum.
Ou se reforça a estrutura do respeito ou reforçada será a distância.

Eu estava pensando até em conversar mais de perto com ela, Sr. Runaway, mas, sua entrada em cena naquele momento da peça orquestrada, colocou tudo a perder. Ficou muito puto, esse que escreve este bilhete. Talvez não por se tratar você de um perito no que faz em sua profissão, mas de realmente ser o ex-qualquer-coisa dela.
E ela conseguir ir até sua casa para ir assistir aulas photoshopadas quando, se eu me aproximasse de alguma ex-qualquer-coisa minha, para qualquer diálogo branco e tranquilo, seria colocado como filho da puta, ou, melhor, o puto do filho.

Portanto, sinto muito pela minha total falta de respeito Sr. Runaway, mas será elevado ao cargo de personagem em meus escritos, assim como foi e possivelmente será novamente com o Mágico, com o Parabólica, o Fotógrafo e com  o Sêmen Mais Rápido do Leste.

É assim que exorcizamos anjos e demônios de onde eu venho. É assim.

Enquanto isso, aproveite os momentos de inundações, calor, digitação, serviço freelancer e o raio que parta árvores e sementes. Assim como levei um tapa com luva de pele de pelicano, minha cinta está pronta a esquentar traseiros fugidios, Sr. Runaway. Uma ótima semana.
Os frutos que viriam, secaram, secarão.
Este é o quase-fim, segura a respiração e leia com atenção.

(O bilhete, após escrito com caneta Crown, de cor preta, foi dobrado como a parecer algo de colegial e adolescente, e foi deixado na caixa de correios do Sr. Runaway)
.......
Texto e foto: Eliéser Baco

Ocorreu um erro neste gadget

Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional