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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sr. Runaway - parte 02 de 03

Sexta-feira 13. Percebe como os dias se sucedem e os atritos não se resolvem se não abrirmos aquela caixa misteriosa e instalada na sala central de nossa existência?

A vida é um labirinto, Sr. Runaway, e tem saídas difíceis de se encontrar, não é mesmo?

 Eu encontrei uma para nosso desentendimento. Quantas vezes idiotas cruzaram seu caminho, Sr. Runaway? Quantas vezes não procuramos confusão alguma e uma tempestade jorrou verbetes em nossa fuça?

Estamos no mesmo bairro, estamos na mesma vila, fazemos compras possivelmente no mesmo  mercado. Já o vi cruzar meu caminho e ficar paralelo aos meus passos pelo menos três vezes.

Gosta de esportes radicais? Gosta de assistir clubes de luta, ouvir música alta para desafogar distúrbios internos e familiares? Foi bom dar aulas para sua ex-namorada? Olhou ela novamente e quem sabe sorriu ao abrir a porta? Seus dedos tremeram? Mordiscou os lábios? Percorreu seu pensar alguma coisa que não disse para ela? Algum desejo confuso e abstrato sobre passado, presente, futuro? Lençóis, sofás, chuveiro?

Não aconteceu nada entre vocês, Sr. Runaway. O fato é este. Só foram aulas photoshopadas e o senhor gostaria de algo mais, não é? Só foi uma instalação de programas pirateados em notebook que não aceita senhas antigas de crackers, não é mesmo? Algumas empresas rastreiam hoje artefatos que têm alguma ligação com eles. Eu faço o mesmo, com pessoas que ainda circundam minha vida de alguma forma. Nós precisamos resolver esse impasse, Sr. Runaway. Possivelmente seja mais um covarde escondido atrás da tela. Possivelmente...

Estará você no horário marcado por mim, no dia escolhido por você, para resolvermos no braço?
Estou cansado de muita coisa que vivi nos últimos meses e é em você que quero descarregar minha raiva, frustração e fúria, Sr. Runaway.

(quem escreve bate palmas e canta, como em um aniversário infantil)
_ ... e o escolhido, foi você!! Sorria, cabrón!!! Sorria.
Poderia ser meu ex-chefe, poderia ser um tio filho da puta, ou um ex-colega retardado que tentou puxar meu tapete. Poderia ser um dos nossos governantes que passam impune. Mas foi você, Runaway.

São Paulo, corrosão de minha vida. O ácido de palavras e atos encharca de fel o denso luar dos que se amaram. Você foi macho para dar aulas e querer algo com ela, não foi?
Será macho para me enfrentar, um contra um, até o outro cair espancado?
O mundo é um labirinto mas não adianta fugir. Atos tem consequências, meu caro asno, assuma as suas.
(o bilhete, entregue em mãos, na porta da casa de Runaway espera resposta em uma semana)

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Texto e ilustração: Eliéser Baco
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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