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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sr. Runaway - parte 03 de 03

Você optou, ela optou e eu fiz. Preferiu correr o risco. Convidá-la. Ela preferiu ir até você. Eu preferi tecer esse texto, após surrá-lo. Sim.

Não importa mais o que aconteceu depois que ela entrou na sua casa. Importa para mim como eu me senti, ao ver a porta de casa fechar, ela colocar a mochila nas costas e trancar o que ficou. E sair.

Não pensou como as pessoas refletem e raciocinam no final do ciclo? Só pensou na chance de tê-la por perto, Sr. Runaway?


Não se incomode. Essa é a única surra que lhe dei. Não terá outra.
Não, não, não precisa balbuciar sangue em detrimento de me aconselhar.

Meu pai me aconselha, se eu pedir ou se ele verificar num diálogo que eu teço atos destrutivos.

Nesse caso, ele me aconselharia a arrebentar sua cara, ou deixar tudo como estava.
Não encostou os dedos nela, Sr. Runaway, mesmo querendo?

Agora, me ouça atento e gentil: O caminho é seu, a chance é tua. Levante-se e ligue para sua mãe vir te buscar. Chame os índios do passado para me parabenizar.
Vá até o seu celular, ali espatifado.
Não se preocupe, ela poderá querer cuidar de você. Não encostou os dedos informatizados nela?
Foi só uma instalação de programas piratas e um abraço tímido, umas perguntas idiotas sobre chuva e a família? Aulas sobre correção de imagens digitais?

Correu o risco, Runaway.
Eu corro riscos sabendo da possibilidade de consequências.
Meu passado photoshopado na retina.
Minha rústica presença na delicadeza dos dias.
Minha utilidade cadenciada nos trilhos do transporte público e ou privado.

Correu para a tempestade formada.
Imaginou sorrisos e emails trocados? Telefonemas escusos de madrugada? Na sombra dos meus olhos, meus cílios arregimentados do discurso mentiroso?
Correu para o índio-árabe esfolador de discursos mentirosos e atitudes errôneas, Runaway;
Na próxima vez se masturbe somente, a respeito do que se foi, sem querer o risco dos pés belos passeando por ácaros que só você entende.

A questão não é ter acontecido algo ou ter acontecido nada.
Optar é a semente, o que foi gerado nas minhas entranhas, a consequência.
Este não é um ato de amor próprio ou ódio alheio. Tampouco um manifesto textual digno da possibilidade de leitura.
Não é poético ou dramático. Encerra a possibilidade de eu querer retomar o caminho com ela.
Entende a consequência, o efeito que percorreu o tempo, os segundos, os acordes da música mental e a cena em câmera lenta do final do ciclo?

Eu aceito seus atos e os dela. Aceite os meus. Logo saram seus ferimentos,
Nada é poético ou digno de releitura. Anote as manchas do que sentir e semeie aulas com outras pessoas. Tudo poderia ser diferente para os três elos dessa conversa. Desse texto informativo, febril e superficial demais para ter outros desdobramentos mentais e sentimentais.

Calma que sua mãe já vem. O seu celular ainda funciona, olha que coisa boa!
Nada é poético, Sr. Runaway.
Faça logotipos e mostre o caminho do Adobe.
O risco de se viver é a máquina não aceitar o código cracker.
Eu sou a senha que não foi corretamente gerada, por você e ela.
Na próxima vez, espere eu desligar o ciclo vivido, apagar as luzes do maquinário, enterrar as fotos dos chips do passado. Aguarde com sua saliva afoita o soco não desferido nos cabos de seus dentes mornos e coreldrawzados de dúvidas sobre o sorriso dela.
Não, não encoste em mim, que eu chuto suas mãos que ensinam logotipos adubados de relento.

Não pensou como as pessoas refletem e raciocinam no final do ciclo?
O risco de se viver é a máquina não aceitar o código cracker.
Dizem já fui poeta, mas nada, além da poesia, claro, é poético. Eu não aceitei vosso código.
Adeus, Runaway.

(Os passos do açoitador se foram. Runaway tentando pegar o celular, manchado de solidão contemporânea e riscos. Os três se isolarão em meio-sorrisos. E o mundo continuará a girar.)

......
Texto e ilustração: Eliéser Baco
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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