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sexta-feira, 20 de março de 2015

Equinócio (sombra de outono)


Provavelmente meu último "post" em muito tempo. Obrigado, de coração!
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Existiu alguém, cujas palavras pareciam preces nos cansados dias, nos tardios ventos. Imaginou que as frases que quisera para si estivessem trancafiadas nos livros, estantes e bibliotecas, mundo afora. Percorreu madrugadas do olhar, inda que o sol derretesse polares ações. 

Confundiu tudo que poderia torpor no convés dos passos. Suas frases longas tornaram-se curtas, e seus pedidos rarearam até sumirem. Apenas transmutava dias em noites e o bom esperar em páginas preenchidas em livros tão antigos quanto às dúvidas que detinha.

Não sorriu. Não voou. Abissal. Testemunha de si. Guardião de quase nada. Na noite que de cessar esqueceu. Dizeres eram tímidos e entrecortados de respiração.  Dentes trancafiaram o sorriso quase belo de tão remendado. Percorreu páginas amareladas do derramo das vozes. Introjeção de mistério, ritmo e adeus. O abraço dava no vento.  E de si se esqueceu.
 

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Texto e imagem: Eliéser Baco
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

Eliéser Baco - direitos reservados na Biblioteca Nacional