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sábado, 10 de outubro de 2015

Abraçar o vento

Nas últimas vezes que nos vimos, ficou uma temerosa sensação.

Eu já fui mais alegre e leve. Se estou fora de casa, fico um pouco mais sereno. Parece que estar em movimento no mundo me dá uma maior agilidade. Inclusive no pensar. Veja só! Fico menos propenso ao olhar estático ao nada.

Esses dias fui em lugares que apreciávamos. Quando menciono que tenho um mar adentrado ao peito.... Nesses momentos de meu olhar comigo mesmo, diante da estrutura que edifiquei dentro de mim, percebo melhor e mais profundamente.
Nado feliz nas recordações a nosso respeito.
Abraço o vento como lhe abraçando. Já riram de mim por causa disso. Já me chamaram de louco. Abraçar uma manifestação da natureza, que resvala seus momentos em minha pele e roupas. É assim que era te abraçar. Abraçar, envolver os braços, entre músculos, tecidos, ossos, em uma manifestação da natureza. Mas, única. Somente eu possivelmente perceba assim. Somente eu reviva assim, quando durmo com os olhos marejados e com fotos por sobre meu peito. Aquele colar de pedras, Aqueles brincos azuis. Seus cabelos negros a enfeitar seu olhar, meu arrebol.

Quando te vejo nutro uma vontade de te abraçar e beijar, para que o iceberg que aos poucos se instalou entre nós, ceda. Desmanche os meses gélidos que tive desde então. Definitivamente, não sou mais o mesmo.
É bem complicado reiniciar tudo depois do que presenciamos de bom um no outro. Eu tento encontrar novamente minhas forças e tenho conseguido a contento. Ás vezes me perco no mar adentrado ao peito, quando nado muito fundo no melhor sentimento que me abalroou sentidos e mirar.

Sinto-me fraco por expor assim. Por deixar ser derrotado por essas circunstâncias.
E, ao mesmo tempo, a saber que nada após isso poderá me fazer derramar mais lágrimas. Um corvo poderia me gritar um "nunca mais".

Garotos não choram, aquela música ironizava. Recorda? Daquela banda dos 80's? E homens, podem chorar? Podem sentir desespero ao ver seu mundo ruir? Podem querer viver só nos sonhos adentrados ao peito e nunca mais sair para sentir o calor do sol? E se o sol fosse aquele arrebol maravilhoso que só ele percebia assim?
Podem errar e se arrepender? Podem perdoar e querer, ainda assim, continuar o trajeto firmado na alma? A alma do homem pode quebrá-lo. É um redomoinho intenso a alma e o cérebro do homem. Ainda mais quando o vento o abraça e o faz reviver, com pêlos arrepiados, todo emaranhado de certezas, que um ano difícil, de um momento complicado, parece ter feito perder, fragilmente assim.

Sabe aqueles textos ridículos que só alguns compreendem? Que Pessoa manifestou?!
Considero hoje, meu reexistir. Tenho saudades de ontem, como James Paul tão bem cantou.
É inegável.
A alma do homem pode quebrá-lo, o mar adentrado ao peito irá levá-lo por ondas e brumas que nortearão sensações temerosas e textos, como esse.

Homem, não enfraqueça, ainda mais diante da pessoa mais íntima que nos seus sonhos poderia sorver um dia bom. Em um mundo que tanto busca profundidade em relações esgarçadas, no geral, um homem não pode enfraquecer. Precisa ser coluna de sei-lá-o-que. Homem, não enfraqueça e não chore por ver seu mundo ruir.
Nunca mais.
Até que, sozinho, no escuro da madrugada, resolver recordar do arrebol, da manifestação da natureza, e na frieza das circunstâncias, olhos marejados, abrir os braços, com saudades do ontem, imaginar a voz emoldurando o lar, e dar um abraço ao vento, entregar a alma, como se fossem aqueles segundos aquela certeza e verdade tão bela, um dia por você vivido.
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Foto e texto: Eliéser Baco.-

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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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