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terça-feira, 19 de abril de 2016

Término

Olá. Um bom dia.
Que tenhamos sempre bons pensamentos, palavras e atitudes.
Acrescento: compreensão e empatia.
A relevância de ter criado este foi ter tentado materializar em palavras o que mais me motivou sempre:
o bom uso da palavra.

Coloquei pensamentos, textos, crônicas, lembretes, meus gostos de fôro mais íntimo para quem quisesse ler, e por um tempo, para quem quisesse opinar  e comentar.



Eis o momento de fechar o ciclo. De reverberar outras tendências de materializações.
A vida é um pergaminho de saudades?

Essa frase deixei aqui oito anos atrás, de maneira afirmativa:
  "A vida é um pergaminho de saudades."

Hoje, deixo como pergunta, pois, algumas afirmações que antes fazia, não ouso mais.
Outras sensações e vivências.

Se antes: "Martelando os telhados, como que abençoando as ruas e as árvores. Foi assim que vi primeiramente a turba de movimentos da natureza se manifestando na tempestade mais forte em meses. O balé de corpos fugindo, correndo, eu, a inventar motivos para acreditar que alguns se salvariam. Compenetrado nas buscas de outrora percebi claramente que a rapidez daqueles acontecimentos era o torpor maior, os sons que mutilavam os erros do recente passado."
 (Cartas no Labirinto, Eliéser Baco)

Por hoje: "São sete da manhã na Estação Paulista da Linha Amarela. São Paulo, corrosão de minha vida. Minha terra tem parafusos onde ruge o azul motor. Proliferação de risos no vagão.
(...) São 22:37. Deu tudo certo com as peças de reposição. Obrigado por perguntar. Incrível como os tempos avançam. Minha pele é verdadeira, meu cérebro e o coração também. Os chips e o maquinário revestem partes importantes para ajudar nos impactos. Tudo é caro para os humanoides."
(Ficção em Polpa Carnuda - Volume 1, Eliéser Baco)

Obrigado aos que leram e se importaram.
Eis, então, bofé, esse humilde blog está por encerrado.

Texto e foto: Eliéser Baco.

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Lost cause, autorretrato (Eliéser Baco)

Amarei por minha literatura. Serei fraco em minha música. Olharei as nuances dos gestos e vestes em minha fotografia. Chorarei meus sonhos em roteiros. Derramarei alma e sortilégios na iluminação que tecerei para um curta-metragem.

Ali repousará minha essência. Minha voz é do oceano, é da vinha. O meu abraço é no vento.

O caos pertence aos vossos corações.

O status. O poder de romper uma vida em duas.


Rompi com a degustação que fizeram do meu melhor.  Sou a loucura a passear pelos escombros dessa metrópole corrupta. Não tenho e nunca terei a cor preferida. Os cabelos, o modo de abrir a carteira. Os trejeitos e os modos e as teclas e as rodas e a carroceria que emula a distopia de vossas frustrações.

Costas um pouco arcadas. Defeito na sobrancelha. Ansioso, que a voz até tremula e rebate na parede, minha prece cinza. Os concretados acima dos prédios entendem-me. os gárgulas. O disparate em forma de tecidos rasgados pintados com pressa e pinceladas fortes em amarelo e azul.


Noite estrelada ao meu redor.

O caos pertence aos vossos corações. Sobrevivi. Duas mortes. Uma causa perdida?

Meus olhos já não ardem mais. Meu coração já repousa no oceano, na vinha.
Amarei, serei fraco, nuances de meu choro contido e ajoelhado, a alma esvoaçada... deixarei tudo por lá. Não me procurem. Noite estrelada ao meu redor. O poder de romper uma vida em duas. Ou mais.
Os estilhaços ainda a procurar. A degustação de meu sorriso perdido.

Lorena? Isadora? Quais nomes mais devolverei aos sonhos acalentados da infância? Eliéser Baco II?

Noite estrelada ao meu redor. A loucura me abraça no oceano de minha essência, enquanto reformulo cânticos na vinha de meus olhos. Sou o louco. O fraco. De espasmos tardios na alma que transbordou em vagabundos versos prosados.
Encontrem-me na obra resvalada, esfarelada pelos dedos.
O vento peregrino, disparate em forma de tecidos rasgados com pressa, em pinceladas em cinza, amarelo, azul em estrutura imensa, de tão bela.

Au revoir.
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Texto e fotos: Eliéser Baco





domingo, 10 de abril de 2016

O antigo mistério de todos os corações subvívidos...

... e outros contos.

No máximo lhe garanto não dirigir mais a voz. Ao lado da cidade que encontraria o poço e a poça, o deslumbre e o vaso laranja. Da janela do quarto vejo duas pombas a se equilibrar no fio de alta tensão. Seria o coração delas um fio de alta tensão a se desencapar lentamente? Quando ocorrerá, se o for?

É assim que é!

Estava a ouvir certas canções de antes de minha segunda morte. Antes da primeira morte. Antes de eu ter meio sistema nervoso, meio coração e um olhar ainda vívido, a esperar a próxima página desse imenso lugar.

08:36 a.m.

Calor e uma vontade de tirar fotos na avenida paulista.
Enquanto os gritos dos vizinhos não vêm. Enquanto o morcego não invade o banheiro novamente. Enquanto não recordo de ler contos russos e a biografia daquele espanhol.
Os juros bateram recorde, o desemprego bateu. Meu amargor também. Minha sensação de estranhamento. Poderia dissertar sobre a qualidade do cotidiano, com base em Heidegger, Bauman, Gasset. Entrelaçar os textos, capturar frases daqui e ali e sair de bandeja acadêmica nas mãos. Para entorpecer e causar ilusão. Nos outros. Em mim.

Tirar fotos e photoshopar. Jogar filtros e luzes, cores e mel.
Porém. essa é uma manhã de sinceridade.

Estou diante do antigo mistério de todos os corações subvívidos. De muito vividos. De muito estilhaçados pelo egoísmo e pela ilusão de estar bem com a miséria humana ali despejada sobre...

O orgasmo define bem o que é o remédio humano na desilusão. O orgasmo era a cura por todas aquelas horas de tormento por não ser compreendido. Por ouvir gritos e sandices. E hoje trabalhar em dois turnos para cumprir o que minha essência define como: palavra.

As pombas voltaram para o fio de alta tensão. Serão as mesmas?
Tanto se confunde das asas e penas, e bicos e espasmos físicos.
Confundidos somos todos.
Eis o antigo mistério de todos os corações subvívidos, em todas as idades somos, por vezes, apenas um homem velho com as cabeça em suas mãos, a derramar pântanos.


Texto: Eliéser Baco
Imagem da tela de Vincent van Gogh: Homem velho com a cabeça em suas mãos

domingo, 3 de abril de 2016

Madrugada na Avenida




A madrugada da Avenida ali perto do centro financeiro.
Um pato gigante. Uma drogaria 24 horas.
Estava parado perto da entrada da estação de metrô.

Tentando lembrar do nome do remédio e quantidade de miligramas. Só o zumbido da criatura já arregalou meus olhos. Insânia insone com tons de clarim? Um machado arregaçou um vidro de um carro. Uma moça de linguagem cosmopolita estilo São Paulo.

Várias amarguras compenetradas no mesmo sorriso frasal. Passa a correr diante de mim. Pedindo ajuda e uns trocados. Eu disse o nome do remédio e a quantidade de miligramas. Tentando puxar o soco-inglês do bolso de trás. Ou o canivete. Quando o maluco do machado apareceu nem vi o soco que ela levou. Rolou cambalhotando.

Ela já tinha um corte no canto da boca. Quando ele me disse pra ficar fora disso eu já tinha socado inglesamente o ouvido dele.
A treta nunca é somente por sexo e dinheiro. E ali já tinha então o nome do meu próximo conto. Enquanto socava o queixo e o estômago. O remédio e o machado voando.

"Avenida Paulista perto do pato gigante encontrei um amor em cambalhota e um machado sem sangue": Meu próximo conto.

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Texto e foto: Eliéser Baco

The Drugs Don't Work - The Verve


Todo esse papo de envelhecer está me deixando deprimido, meu bem.
Feito um gato num saco, esperando para se afogar, dessa vez eu estou afundando.

E eu espero que você pense em mim, quando se deita no seu lado da cama.
Agora os remédios não fazem efeito. Só te fazem ficar pior, mas eu sei que verei seu rosto de novo.

Mas sei que estou em uma corrente de azar, porque eu passei pela minha antiga rua...
E se você quiser um show, é só me avisar e eu cantarei no seu ouvido de novo.

Porque querida, se o céu chamar, eu vou também.
Assim como você disse, sem você na minha vida é melhor que eu morra.

Todo esse papo de envelhecer está me deixando deprimido, meu bem.
Como um gato num saco, esperando para se afogar, dessa vez eu estou afundando.

Porque querida, se o céu chamar, eu vou também
Assim como você disse, sem você na minha vida é melhor que eu morra

Mas se você quiser um show, é só me avisar
E eu cantarei no seu ouvido de novo.

Agora os remédios não fazem efeito
Só te deixam pior
Mas eu sei que verei seu rosto de novo

Sim, eu sei que verei seu rosto de novo

Eu nunca afundarei, eu nunca afundarei
Nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais.

domingo, 13 de março de 2016

O cão de pelo duro - 001

"Uma vez eu queria ser a maior
Dois punhos de pedra sólida
Com um cérebro que poderia explicar
Qualquer sentimento" - Cat Power (The Greatest)


Os percorridos grampos pelo chão. As hastes que sobraram da praia.
A luz que entrecaminha no entre-espaço na fresta da porta. A borda da vida, da comida e o fio daquela roupa esquecida. Parece haver um certo punhado esquecido de areia nos meus olhos.
Esse foi meu melhor momento: compreender que os detalhes de algumas almas se chocaram com meus olhos... e então pude esquecer algo bom naquela página, deixada para trás.

O ramo de flores se foi. Eu não tenho o que ostentar, senão o que percorri durante todos esses anos.  Talvez, o resultado do esbarrar de meus olhos com os detalhes daquelas almas, que ninguém viu, de fato.
Queria poder traçar o mapa de alguns pensamentos que tive a respeito de alguns mistérios. Mas não é uma marca, um signo, um logo, então talvez não seja comercializável. O que é um disparate, presumo.

Estive a ler alguns trechos do futuro.
E foi uma canção bela que ouvi enquanto lia.  

(Pode-se dizer que o rumo naufraga e te impulsiona, quase afogado, dentro de outra vida.)
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Texto e foto: Eliéser Baco

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Fragmento de François

Meu nome é François. Acabei de nascer.
No abrupto encontro entre linha vermelha, amarela, verde e tão blue..., entrelinhas ruído sem rima e o acaso do vão deste bruto vagão.
Estarão todos zumbizados na tecnologia harmoniosa? Acontece que acabei de nascer e nada mais importa...

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Texto e foto: Eliéser Baco

domingo, 31 de janeiro de 2016

Cyberheart

Um nome estava nas minhas senhas. No meu teclado, harmonioso e sutil, entre sol e bemol. A formação dos nomes, letra, ritmo, conjunção e tecnologia de nossa informação. Uma sina confundia-se com a minha, seu aroma com minha tentativa de poema. Caixa de entrada, voz das minhas linhas entre o rascunho do dia e o envio ao...

Em um recomeço tardio, a contagem de caracteres, de atos machos, de gritos ensandecidos, esquecerá ou nunca deterá minha essência como a senha do seu dia? Recarregue a bateria, recoloque a tomada no dispositivo. O vinho da vida foi lido? Digerido ou vomitado na parede de uma história? Aperte o botão e tudo é novo, de novo. Canção que faltava? É a moska em desejo secreto? Eu sei que você sofreu. Um par de tênis desconectado. Olhar cyberfrio descaminha em minha direção. Trocarei as senhas. Pode-se comprar Empatia sem prazo de validade no mercado? Tardiamente. Um nome, linha do tempo sobre amigos, fotos e mais: trabalha na empresa, estudou na instituição de ensino, mora em, estado civil, informação de onde veio, nasceu em tal dia de tal mês daquele ano. Queda na transmissão de dados. Queda.

Você tem lembrança com "reticências" e outras duas pessoas para recordar hoje.
Não tem?
Queda na transmissão de dados.
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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