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domingo, 10 de abril de 2016

O antigo mistério de todos os corações subvívidos...

... e outros contos.

No máximo lhe garanto não dirigir mais a voz. Ao lado da cidade que encontraria o poço e a poça, o deslumbre e o vaso laranja. Da janela do quarto vejo duas pombas a se equilibrar no fio de alta tensão. Seria o coração delas um fio de alta tensão a se desencapar lentamente? Quando ocorrerá, se o for?

É assim que é!

Estava a ouvir certas canções de antes de minha segunda morte. Antes da primeira morte. Antes de eu ter meio sistema nervoso, meio coração e um olhar ainda vívido, a esperar a próxima página desse imenso lugar.

08:36 a.m.

Calor e uma vontade de tirar fotos na avenida paulista.
Enquanto os gritos dos vizinhos não vêm. Enquanto o morcego não invade o banheiro novamente. Enquanto não recordo de ler contos russos e a biografia daquele espanhol.
Os juros bateram recorde, o desemprego bateu. Meu amargor também. Minha sensação de estranhamento. Poderia dissertar sobre a qualidade do cotidiano, com base em Heidegger, Bauman, Gasset. Entrelaçar os textos, capturar frases daqui e ali e sair de bandeja acadêmica nas mãos. Para entorpecer e causar ilusão. Nos outros. Em mim.

Tirar fotos e photoshopar. Jogar filtros e luzes, cores e mel.
Porém. essa é uma manhã de sinceridade.

Estou diante do antigo mistério de todos os corações subvívidos. De muito vividos. De muito estilhaçados pelo egoísmo e pela ilusão de estar bem com a miséria humana ali despejada sobre...

O orgasmo define bem o que é o remédio humano na desilusão. O orgasmo era a cura por todas aquelas horas de tormento por não ser compreendido. Por ouvir gritos e sandices. E hoje trabalhar em dois turnos para cumprir o que minha essência define como: palavra.

As pombas voltaram para o fio de alta tensão. Serão as mesmas?
Tanto se confunde das asas e penas, e bicos e espasmos físicos.
Confundidos somos todos.
Eis o antigo mistério de todos os corações subvívidos, em todas as idades somos, por vezes, apenas um homem velho com as cabeça em suas mãos, a derramar pântanos.


Texto: Eliéser Baco
Imagem da tela de Vincent van Gogh: Homem velho com a cabeça em suas mãos
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Bebedouro

"Ainda não consigo ter pena quando o mal encontra em nós, bebedores de sangue, o dia da desforra. Ainda não consigo perdoar aquilo que eu nunca faria para outra pessoa com tanta frieza, dissimulação e carisma nos olhos. Está aí prontamente a distinção de parte do que fui feito nas décadas, da maré que me fez derrubar o sangue alheio na minha realidade. Sombrias formas de olhar caminhos cruzados, ácido que sai nas linhas e na voz quando o cansaço encontra a raiz para a paz momentânea, e os nossos ossos só querem ferir, proteger os nossos e ferir quem atinge ideais, história sã e a nossa verdade. Nossa realidade por vezes má, confesso"

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